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Filmes no Cinema Hoje – Estreias de 27 de agosto de 2026

Divirta-se Cinema Noticias

Os grandes destaques do cinema hoje ficam por conta do novo longa do renomado diretor Ridley Scott e da animação Coiote vs. Acme, uma excelente pedida para a criançada. Para os cinéfilos que apreciam o cinema nacional, o novo filme de Jorge Furtado também garante seu espaço no circuito. Vale a pena conferir essas estreias!

Ponto Sem Retorno

Ficção Científica / Suspense / Aventura – EUA – 14 anos

Título Original: The Dog Stars

Duração: 118 minutos

Direção: Ridley Scott

Roteiro: Mark L. Smith e Christopher Wilkinson (baseado no romance de Peter Heller)

Elenco: Jacob Elordi, Margaret Qualley, Josh Brolin, Guy Pearce, Allison Janney, Benedict Wong, Sam Spruell, Ewen Bremner e Sai Bennett

Produção: 20th Century Studios / Scott Free Productions –

Ridley Scott é um dos cineastas mais prolíficos e inconsistentes da história de Hollywood, e Ponto Sem Retorno encarna essa contradição com uma clareza quase cômica. Com fotografia de Erik Messerschmidt, trilha de Harry Gregson-Williams, um elenco liderado por Jacob Elordi e Josh Brolin e toda a confiança técnica que os US$ 90 milhões de orçamento garantem, o filme parece na superfície exatamente o tipo de obra que Scott produz em seu melhor momento. E no nível da execução visual, de fato é: as paisagens do Colorado pós-apocalíptico são filmadas com uma beleza austera que comunica o vazio e a solidão de um mundo que sobreviveu a si mesmo. O problema está no roteiro, e a crítica internacional é unânime a esse respeito.

Baseado no romance de Peter Heller, o filme acompanha Hig (Jacob Elordi), um piloto viúvo que vive isolado num hangar no Colorado com seu cachorro e seu único companheiro humano, o ex-fuzileiro naval ranzinza Bangley (Josh Brolin). Nove anos após uma pandemia de gripe devastar a maior parte da humanidade, a rotina de vigilância dos dois é interrompida quando Hig capta uma transmissão de rádio médica a 300 milhas de distância — e decide partir numa jornada proibida em busca de quem quer que ainda esteja vivo. O roteiro de Mark L. Smith e Christopher Wilkinson não desenvolve essa premissa com a profundidade que o romance sustenta: as escolhas de Hig parecem arbitrárias, os perigos se resolvem com facilidade suspeita e a construção do mundo pós-apocalíptico fica aquém do que o gênero já ofereceu em obras como A Estrada (2009) Filhos da Esperança (2006).

Jacob Elordi tem carisma suficiente para manter a atenção mesmo quando o roteiro não lhe oferece muito, e a relação entre seu Hig e o Bangley de Josh Brolin é o elemento mais bem sucedido do filme, dois homens que precisam um do outro para sobreviver e que raramente conseguem admitir isso. Margaret Qualley aparece no segundo ato e dá ao filme um momento de calor que o primeiro ato deliberadamente recusa. Com pouca aprovação entre os críticos americanos, Ponto Sem Retorno é um Ridley Scott menor, belo de ver, frustrante de acompanhar, e tão familiar quanto o título em português sugere.

Coyote vs. Acme

Animação / Comédia / Live-Action – EUA – Livre

Título Original: Coyote vs. Acme

Duração: 101 minutos

Direção: Dave Green

Roteiro: Samy Burch, James Gunn, Jeremy Slater e Ian Frazier (baseado no artigo satírico “Coyote v. Acme”, de Ian Frazier, publicado na The New Yorker em 1990)

Elenco: Will Forte, Lana Condor, John Cena, Tone Bell, Luis Guzmán e Eric Bauza (voz de Wile E. Coyote e demais personagens Looney Tunes)

Produção: Chris DeFaria e James Gunn (Warner Animation Group / Troll Court Entertainment / Keylight Pictures)

A história de Coyote vs. Acme começou muito antes das filmagens: em novembro de 2023, a Warner Bros. Discovery decidiu não lançar o filme pronto (com trilha final, efeitos visuais concluídos e testes de plateia já realizados) para usar a obra como abatimento fiscal avaliado em US$ 30 milhões. A decisão provocou indignação generalizada na indústria e transformou o caso no símbolo mais visível de uma prática que passou a ser alvo de críticas e investigações regulatórias. A partir de então, doze distribuidoras avaliaram o projeto antes de a Ketchup Entertainment adquirir os direitos mundiais em março de 2025 por aproximadamente US$ 50 milhões. Essa estreia brasileira, (um dia antes da estreia americana, no dia 28/08) encerra um dos episódios mais discutidos da década no cinema mundial. Sem a pressão pública e a persistência dos realizadores, este filme simplesmente não existiria.

A premissa é baseada num artigo satírico da The New Yorker de 1990: Wile E. Coyote, farto de tantos anos de produtos defeituosos, processa a ACME Corporation pelos danos físicos e morais acumulados. Para representá-lo, contrata Fletcher Norton (Will Forte), um advogado fracassado em busca de renovação. Do outro lado do tribunal está o implacável chefe jurídico da ACME (John Cena), disposto a esmagar qualquer ameaça à corporação. O filme mescla live-action e animação com fluência e naturalidade, inserindo Wile E. no mundo real sem jamais tratar sua presença como algo extraordinário, um equilíbrio difícil de conseguir que a produção atinge com destreza. O Coiote permanece em silêncio durante todo o filme, comunicando-se apenas por gestos e expressões, numa homenagem consciente ao estilo dos grandes cômicos do cinema mudo.

A recepção crítica é amplamente positiva. O consenso aponta um filme divertido e surpreendentemente emocionante, que resgata o espírito dos clássicosLooney Tunes sem abrir mão de uma proposta moderna e inventiva. Will Forte entrega uma das melhores atuações cômicas do ano no live-action, equilibrando o humor debcôcio com um núcleo emocional que funciona de forma inesperada; Lana Condor e John Cena completam um trio central que carrega o filme com conforto e carisma. A maior crítica recorrente diz respeito ao terceiro ato, que abandona parte da criatividade da primeiro hora em favor de um desfecho mais convencional. Mas a alegria de assistir a um filme que quase não existiu (e que existe porque as pessoas se recusaram a aceitar seu cancelamento) acrescenta à experiência uma dimensão ex que nenhuma tela consegue reproduzir.

Muito Prazer

Comédia / Drama – Brasil – 14 anos

Direção: Jorge Furtado

Roteiro: Jorge Furtado

Elenco: Daniel de Oliveira, Luisa Arraes, Samantha Jones e Ricardo Blat

Produção: Casa de Cinema de Porto Alegre – Coprodução: Globo Filmes

Distribuição: Elo Studios

Jorge Furtado é um dos roteiristas e diretores mais respeitados do Brasil (criador de Ilha das Flores 1989O Homem que Copiava, 2003 Saneamento Básico, o Filme, 2007), e Muito Prazer marca seu retorno ao longa-metragem após mais de uma década, além de restabelecer a parceria com a distribuidora Elo Studios depois de 11 anos. O ponto de partida é uma situação de farsa clássica: Rubem (Daniel de Oliveira) é um motorista de aplicativo sem perspectivas que herda inesperadamente o Motel Pérola, um estabelecimento em ruínas do qual ele sequer sabia a existência. Ao chegar, descobre que lá vive Grace (Luisa Arraes), uma ex-funcionária que se recusa a sair. Determinados a reabrir o motel, os dois se deparam com a proposta inusitada de Nalva (Samantha Jones): monetizar os registros de câmeras escondidas nos quartos. Quando os vídeos vazam, a dupla precisa provar que tudo era ficção: o que exige, paradoxalmente, que eles façam novos filmes.

Furtado usa a premissa farsesca com a habilidade de quem conhece os mecanismos da comédia de situação há décadas, mas o que distingue o filme de uma comédia de engano convencional é o subtexto que ele sustenta com consistência: a mercantilização da intimidade, a vigilância digital, os limites éticos da exposição individual no mundo contemporâneo. O diretor não trata esses temas com seriedade panfletária, eles emergem naturalmente das situações cômicas, como acontece nos melhores filmes de Furtado. A crítica especializada aponta o roteiro redondo e as situações envolventes como os maiores méritos da obra, com destaque para a dinâmica entre Daniel de Oliveira e Luisa Arraes, cuja chemistry confere à narrativa um ritmo que não perde o fôlego.

A estreia vem acompanhada de sessões-debate pelo Brasil com presença do diretor, do elenco e convidados especiais, um formato que a Casa de Cinema de Porto Alegre adotou com sucesso em outros lançamentos e que reforça o comprometimento da produção com o diálogo público sobre os temas do filme. Para o público que aprecia o humor inteligente do melhor cinema brasileiro, é a estreia nacional mais aguardada desta semana.

Só por Uma Noite

Comédia Romântica / Ficção Científica – EUA – 16 anos

Título Original: One Night Only

Duração: 101 minutos

Direção: Will Gluck

Roteiro: Travis Braun e Will Gluck

Elenco: Monica Barbaro, Callum Turner, Maya Hawke, Julia Fox, King Princess, Molly Ringwald, LeVar Burton, Ben Marshall, Ziwe, Este Haim e Charlie Gillespie

Produção: Will Gluck, Jacqueline Monetta – Distribuição: Universal Pictures

Will Gluck é o diretor de A Mentira (2010), Amor e Outras Drogas (2011, como roteirista), Todos Menos Você (2023) e tem uma consistência invejável no gênero: faz comédias românticas que funcionam, ponto. Só por Uma Noite é a prova de que esse dom persiste mesmo quando a premissa dá margem para o absurdo total. Em Nova York, o sexo pré-marital foi proibido por lei três anos antes. Uma vez por ano, no entanto, a cidade suspende a proibição por 12 horas, e o caos eufórico que se instala nessa noite é o cenário em que Allie (Monica Barbaro) e Owen (Callum Turner) se conhecem. O que começa como algo puramente circunstancial vai revelando, à medida que a noite avança e os obstáculos se acumulam, que há algo mais profundo entre os dois e o roteiro é honesto o suficiente para assumir que essa é a fórmula clássica da comédia romântica, sem qualquer verg­onha.

O que eleva o filme acima da média do gênero é a qualidade das duas atuações centrais. Monica Barbaro (revelada para o grande público em Top Gun: Maverick) constroi uma Allie de energia e humor naturais, cuja impulsividade é ao mesmo tempo cômica e emocionalmente crível. Callum Turner, como Owen, oferece o contraponto do personagem desajustado que tenta acompanhar os acontecimentos sem conseguir, e a diferença de ritmo entre os dois cria uma química que o roteiro não precisaria forçar porque já existe organicamente na tela. A premissa distópica (a proibição do sexo casual num EUA cada vez mais regulado pela moralidade conservadora) ressoa com o clima político atual sem precisar explicar a referência.

As críticas mais ponderadas apontam que a lógica interna do universo não é sempre consistente e que o roteiro privilegia as situações sobre os personagens nos momentos de maior aceleração. Mas Gluck demonstra mais uma vez que tem domínio absoluto da fórmula: sabe quando ser rápido e quando desacelerar, sabe quando o humor serve ao afeto e sabe que o público de comédia romântica quer, acima de tudo, acreditar no casal. Só por Uma Noite entrega isso com simpatia e eficiência.

Minha Filha é um Zumbi

Comédia / Ficção Científica / Drama Familiar – Coreia do Sul – 16 anos

Título Original: My Daughter Is a Zombie (좀비가 되어버린 나의 딸)

Duração: 114 minutos

Direção: Pil Gam-sung

Roteiro: NÃO ENCONTRADO (baseado no webtoon homônimo de Lee Yoon-chang)

Elenco: Jo Jung-suk, Lee Jung-eun, Cho Yeo-jeong, Yoon Kyung-ho e Choi Yu-ree

Distribuição no Brasil: O2 Play em parceria com a Omelete Company

O cinema coreano encontrou na última década uma assinatura própria no gênero zumbi: onde Hollywood tende ao apocalipse visceral e à ação alucinante, os coreanos preferem misturar o horror com comédia famíliar, crítica social e melodrama contido. Trem para Busan popularizou o formato; Minha Filha é um Zumbi o conduz para um território muito mais leve e afetivo. Um ano após uma pandemia zumbi devastar parte da Coréia do Sul, o país é oficialmente declarado livre do vírus. Mas Jeong-hwan (Jo Jung-suk) guarda um segredo: sua filha adolescente Soo-ah (Choi Yu-ree) é o último zumbi que resta. Diferente dos infectados convencionais, Soo-ah mantém parte da consciência — ela não ataca, sente música e responde a estímulos afetivos. Ex-treinador de tigres num zoológico, Jeong-hwan usa suas habilidades de amansador de feras para “domesticar” a filha, escondê-la da sociedade e preservar sua humanidade restante.

A premissa funciona porque o filme não tenta disfarçar o que é: uma história de amor entre pai e filha, com zumbis. A relação entre Jeong-hwan e Soo-ah é o coração emocional de tudo, e a decisão de manter a filha parcialmente consciente (capaz de mostrar afeto, de reagir à dança que amava na adolescência) confere à trama uma melancolia doce que escapa do horror gratuito. Jo Jung-suk é um dos atores mais versatéis do cinema coreano contemporâneo, e sua combinação de humor físico e vulnerabilidade contida funciona perfeitamente para um pai que literalmente domestica o impossível para não perder a filha. O filme ultrapassou 5 milhões de espectadores na Coreia do Sul em 2025, tornando-se o maior sucesso de bilheteria do país naquele ano.

As críticas internacionais destacam a habilidade da obra em equilibrar o humor absurdo com momentos de genuíno impacto emocional, especialmente nas cenas em que Soo-ah exibe vestígios de sua personalidade anterior. O ritmo da segunda metade é apontado como ligeiramente irregular, mas o desfecho reconquista a emoção com convicção. Para quem aprecia o cinema sul-coreano na sua versão mais acessível e calorosa, é uma das estreias mais agradáveis desta semana.

Photochart – Nascido Para Vencer

Documentário – Brasil – 10 anos

Direção: Luis Erlanger e Wagner de Assis

Participantes: Jorge Ricardo, José Carlos Fragoso Pires Jr. e Jorge Antonio Ricardo Junior

Produção: Film Connection, View, Cinética

O documentário combina depoimentos do próprio jóquei Jorge Ricardo, do filho Jorge Antonio Ricardo Junior e de figuras ligadas ao universo do turfe brasileiro com imagens de arquivo e registros de corridas históricas, constru­indo um retrato que é ao mesmo tempo esportivo e familiar. A relação de pai e filho atravessa a narrativa como fio condutor: Antônio Ricardo aparece não apenas como mentor, mas como a figura que definiu os valores e a disciplina que tornaram Jorge quem é. Para o público brasileiro que não acompanha o turfe (um esporte que, apesar de sua relevância, raramente ocupa espaço na mídia convencional), o filme funciona também como uma porta de entrada para um universo desconhecido, onde competição, afeto e identidade brasileira se encontram num lugar improvável.