Filmes em Cartaz nos Cinemas

Filmes em Cartaz nos Cinemas – Estreias de 25 de junho a 1 de julho de 2026

Divirta-se Cinema Noticias

Supergirl: Mulher do Amanhã

Ação / Aventura / Ficção Científica – EUA – 12 anos

Título Original: Supergirl: Woman of Tomorrow

Direção: Craig Gillespie

Roteiro: Ana Nogueira (baseado nos quadrinhos de Tom King e Bilquis Evely)

Elenco: Milly Alcock, Matthias Schoenaerts, Eve Ridley, David Corenswet, Jason Momoa, Emily Beecham, David Krumholtz, Thalissa Teixeira, Kadiff Kirwan e Ferdinand Kingsley

Produção: DC Studios / Troll Court Entertainment / The Safran Company – Produtores: Peter Safran e James Gunn – Disponível também em IMAX – Distribuição: Warner Bros. Pictures

O segundo filme do Universo DC relançado por James Gunn e Peter Safran chega com uma missão clara: apresentar uma Supergirl radicalmente diferente das versões anteriores. Baseado na aclamada minissérie de quadrinhos de Tom King e Bilquis Evely publicada em 2021 pela DC, Supergirl: Mulher do Amanhã apresenta Kara Zor-El (Milly Alcock) não como a heroína otimista e radiante popularizada pela televisão, mas como uma sobrevivente marcada pela perda (uma mulher que assistiu ao fim de Krypton consciente do que estava acontecendo, ao contrário do bebê Kal-El que nada sabia).

Décadas depois, Kara ainda processa esse trauma afogando as memórias em cerveja alienígena em planetas de sol vermelho, onde seus poderes não funcionam e ela pode, ao menos, sentir-se vulnerável como qualquer mortal. Quando Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), uma jovem alienígena em busca de vingança pelo assassinato do pai, cruza seu caminho, as duas partem juntas numa jornada intergaláctica que as força a encarar suas respectivas sombras.

O ponto mais unânime entre críticos favoráveis e desfavoráveis ao filme é a performance de Milly Alcock, revelada em House of the Dragon. Ela constrói uma Kara com uma raiva contida, um humor seco e uma expressividade física que elevam a personagem muito além do roteiro que a suporta. O problema é que esse roteiro, assinado por Ana Nogueira, é frequentemente apontado como o elo mais fraco da produção: críticos da Variety, do Hollywood Reporter e da Digital Spy foram unânimes em diagnosticar que o material de origem é muito mais rico do que o que chegou às telas, com um antagonista (Matthias Schoenaerts como Krem dos Montes Amarelos) pouco aproveitado e cenas de ação visualmente apagadas. Jason Momoa faz uma estreia deliciosa como Lobo, o caçador de recompensas intergaláctico, sua presença nas cenas rouba o protagonismo com naturalidade.

Supergirl divide claramente a crítica: para alguns, é uma aventura cósmica suficientemente sólida com uma protagonista extraordinária; para outros, é uma oportunidade desperdiçada de entregar algo à altura da minissérie que a inspirou. O consenso mais equilibrado diz que Milly Alcock é grande demais para o filme que rodou, e que isso, de certa forma, é uma promessa para os próximos capítulos do DCU. Disponível também em IMAX.

Minions & Monstros

Animação / Aventura / Comédia / Família – EUA / França – Livre

Título Original: Minions & Monsters

Estreia no Brasil: 1º de julho de 2026

Direção: Pierre Coffin e Patrick Delage

Roteiro: Pierre Coffin e Brian Lynch (baseado nos personagens de Cinco Paul, Ken Daurio e Sergio Pablos)

Elenco (vozes originais): Pierre Coffin (os Minions), Christoph Waltz (Max), Trey Parker (Goomi), Allison Janney, Jesse Eisenberg (Dort), Jeff Bridges, Zoey Deutch, Bobby Moynihan, Phil LaMarr e George Lucas

Produção: Illumination / Chris Meledandri e Bill Ryan – Música: John Powell – Distribuição: Universal Pictures

Pierre Coffin conhece os Minions melhor do que qualquer pessoa viva. É ele quem deu a voz e quem os dirigiu nos três filmes da franquia principal e no primeiro Minions (2015). Neste terceiro capítulo solo dos seres amarelos, Coffin retoma as rédeas com total autonomia criativa, e a gente já consegue sentir a diferença. Minions & Monstros, ambientado em Hollywood nos anos 1920, é o filme mais inventivo, mais cinéfilo e mais pessoal que a franquia já produziu.

A premissa é ao mesmo tempo absurda e deliciosa: os Minions chegam à meca do cinema mudo por acidente, são descobertos por um diretor europeu excêntrico (Christoph Waltz, em uma autoparódia perfeita), tornam-se estrelas instantâneas do cinema mudo (afinal, sua linguagem incompreensível nunca foi um obstáculo), e então se apegam ao sonho de produzir o próprio filme de monstros, o que naturalmente resulta no caos mais glorioso de todos.

O que surpreende a crítica internacional (que o acolheu com entusiasmo em sua estreia mundial no Festival de Annecy 2026) é o genuíno amor ao cinema que o filme carrega. Referências a Buster Keaton, Chaplin, Harold Lloyd, Cidadão KaneCasablanca e incontáveis filmes B dos anos 1930 e 1940 são integradas não como citações pedantes, mas como parte da própria linguagem visual e narrativa. A revista Variety o classificou como uma “confecção deliciosamente não supervisionada que corre solta com piadas cinéfilas e uma trama que às vezes aninha filmes dentro de filmes”.

A crítica também destaca a sequência de perseguição de cavalos no deserto que vira acidente de trem como um momento de pura bravura cinematográfica. A segunda metade, quando os monstros reais entram em cena e a trama vira aventura mais convencional, perde um pouco do frescor da primeira hora — mas a energia e o humor pastelão mantêm o ritmo. Uma animação para toda a família, e especialmente para os adultos que cresceram adorando clássicos de Hollywood.

Apenas Coisas Boas

Drama / Romance – Brasil – 18 anos

Direção e Roteiro: Daniel Nolasco

Elenco: Lucas Drummond, Fernando Libonati, Liev Carlos, Renata Carvalho, Igor Leoni, Guilherme Théo, Norval Berbari, Lizz Miranda e Brenda Oliveira

Produção: Cecília Brito, Daniel Nolasco e Hans Spelzon (Rensga Filmes) – Coprodução: Caprisciana Produções – Fotografia: Larry Machado – Realização com recursos da Lei Paulo Gustavo – Distribuição: Olhar Filmes, em parceria com RioFilme

Daniel Nolasco é um dos nomes mais singulares do cinema queer brasileiro contemporâneo e Apenas Coisas Boas é seu trabalho mais ambicioso até hoje. Exibido no Festival de Berlim, no Festival do Rio e no Olhar de Cinema de Curitiba, o longa chega ao circuito comercial em junho, mês do Orgulho LGBTQIA+, com uma proposta que se recusa a ser fácil. Goiás, 1984. Antônio (Lucas Drummond) é um fazendeiro que vive só no município de Catalão, região de Batalha das Neves. Rústico, introvertido, encerrado num silêncio que se tornou hábito. Sua rotina é quebrada quando Marcelo (Liev Carlos), um motociclista, sofre um acidente na estrada próxima e acaba acolhido na fazenda. Do cuidado nasce o afeto, do afeto o desejo, e do desejo um amor que os dois jamais nomeiam diretamente, porque o vocabulário para isso, naquele tempo e naquele lugar, simplesmente não existe.

A primeira metade do filme é comparada por múltiplos críticos a O Segredo de Brokeback Mountain, e a comparação é justa no que toca à sensibilidade e à coragem de mergulhar no desejo entre homens dentro de um universo de masculinidade rural e conservadora. Nolasco, porém, não imita — ele tem uma linguagem própria, fortemente influenciada por Robert Bresson: câmera que observa sem julgar, silêncios carregados, corpos que falam o que as palavras omitem, e uma fotografia de Larry Machado que encontra maneiras cativantes de representar o interior de Goiás como cenário de um amor tão belo quanto impossível. Lucas Drummond entrega uma atuação de contenção extraordinária (provavelmente a melhor do cinema brasileiro nesse semestre) e Fernando Libonati o complementa com uma energia mais expansiva e irônica na segunda metade do filme.

Essa segunda parte, ambientada décadas depois e num contexto urbano, divide mais as opiniões: a mudança de registro (do melodrama rural sensorial para algo próximo de um suspense noir) provoca em alguns espectadores uma sensação de desarranjo que não se resolve completamente. Em qualquer leitura, porém, Apenas Coisas Boas é cinema que permanece, que dói com precisão e que trata o amor entre dois homens com a profundidade que o tema merece e raramente recebe.

O Rapaz da Ilha de Amrum

Drama de Guerra – Alemanha – 14 anos

Título Original: Amrum

Direção: Fatih Akın

Roteiro: Fatih Akın e Hark Bohm (baseado nas memórias de infância de Hark Bohm)

Elenco: Jasper Billerbeck, Laura Tonke, Diane Kruger e Matthias Schweighöfer

Produção: Bombeiro International – Distribuição no Brasil: Pris Audiovisuais

Fatih Akın, o cineasta alemão de origem turca responsável por filmes como Contra a Parede (2004, Urso de Ouro em Berlim), Alma no Limite (2007) e No Fade Away (2017), retorna com um projeto de tom radicalmente diferente de tudo o que assinou antes: uma história de infância ambientada nos dias finais da Segunda Guerra Mundial na ilha isolada de Amrum, na costa noroeste da Alemanha. O filme é baseado nas memórias reais do roteirista Hark Bohm, criado naquela ilha, o que confere à narrativa uma dimensão de urgência pessoal que perpassa cada cena.

Nanning (Jasper Billerbeck) é um garoto de 12 anos que leva uma vida árdua mas relativamente tranquila na ilha: caça focas com o pai, pesca à noite, ajuda a mãe a sustentar a família numa pequena fazenda costeira. A ilha, com seus horizontes vastíssimos e sua rotina agrária, funciona quase como um paraíso particular, um reduto que a guerra parece não ter conseguido alcançar completamente.

Quando o armistício é finalmente decretado, porém, um segredo de família emerge à superfície e uma ameaça inesperada se revela, destruindo a ilusão de que o perigo estava apenas no horizonte. O filme explora com delicadeza a passagem da inocência: o momento em que a criança descobre que os adultos ao seu redor guardam verdades que a infância não estava preparada para conhecer.

Diane Kruger (atriz alemã internacionalmente reconhecida) e Matthias Schweighöfer integram o elenco adulto em papéis que ladeiam a jornada de Nanning. Akın constrói o filme com a contenção e a atenção ao detalhe de quem sabe que as histórias de guerra mais verdadeiras são frequentemente as que se passam nas margens do combate, não no seu centro. Para quem aprecia dramas históricos de ambientação europeia com olhar humanista, O Rapaz da Ilha de Amrum é uma das estreias mais significativas da semana.

O Sol Nasce Para Todos

Drama / Romance – China – 18 anos

Direção e Roteiro: Cai Shangjun

Elenco: Xin Zhilei, Zhang Songwen, Feng Shaofeng

Produção: Guangzhou Mint Pictures – Distribuição no Brasil: Synapse Distribution

Do diretor Cai Shangjun, O Sol Nasce Para Todos é um drama chinês que parte de uma premissa carregada de culpa e débito moral: um homem assumiu a responsabilidade por um crime cometido por sua então companheira e passou anos preso em seu lugar. Quando os dois se reencontram depois de muito tempo, o passado que os une (e que os separa) precisa finalmente ser enfrentado. A narrativa explora o peso que os segredos carregam sobre as relações amorosas e o que sobrevive de uma ligação construída sobre sacrifício e silêncio.

Cai Shangjun é um realizador associado ao realismo social chinês contemporâneo, com atenção especial a personagens que habitam as margens do sistema (trabalhadores, migrantes), pessoas cujas histórias raramente chegam ao centro das narrativas cinematográficas de seu país. Em O Sol Nasce Para Todos, esse olhar se volta para a dimensão afetiva e moral de uma relação marcada por uma dívida que nenhum dos dois consegue nomear com exatidão.

Um Triste e Belo Mundo

Drama / Romance – Líbano, EUA, Alemanha, Arábia Saudita e Qatar – 14 anos

Título Original: Nujum al’amal w al’alam

Direção e Roteiro: Cyril Aris

Elenco: Mounia Akl, Hassan Akil, Julia Kassar e Camille Salameh

Produção: Abbout Productions, Diversity Hire – Distribuição no Brasil: Pandora Filmes

O cineasta libanês Cyril Aris (estreante em longas de ficção após seu documentário pessoal The Swing (2019)) constrói em Um Mundo Triste e Belo uma história de amor que se recusa a ser simples. Nino (Hassan Akil) e Yasmina (Mounia Akl) se amam há três décadas. Não da forma ordenada dos casais que decidem, planejam, constroem. Deles é o amor dos que se reencontram, se perdem, se atraem de volta com uma força que nenhum dos dois sabe explicar direito. A narrativa percorre essas três décadas em fragmentos de tempo, cada reencontro revelando uma nova camada do que os prende e do que os impede de construir algo permanente. No centro de tudo está a pergunta que o filme faz com honestidade: é possível amar alguém profundamente durante toda uma vida e ainda assim não conseguir ficar com ele?

O Líbano não é pano de fundo decorativo mas o coprotagonista. O país que Cyril Aris filma é o das crises acumuladas, das guerras que retornam, da instabilidade econômica que transforma cada decisão pessoal numa equação com variáveis impossíveis de controlar. Quando Nino e Yasmina precisam decidir se ficam juntos, a pergunta carrega o peso de tudo que o país ao redor também não consegue resolver. Mounia Akl (ela própria realizadora de Costa Brava, Lebanon, 2021) e Hassan Akil entregam performances de grande intimidade, capazes de comunicar anos de história partilhada em poucos gestos. Um Mundo Triste e Belo é um filme sobre o amor que sobrevive às circunstâncias sem jamais vencê-las e é, por isso mesmo, extraordinariamente humano.

Três Vezes Adeus

Drama / Romance – Itália / Espanha – 16 anos

Título Original: Tre Ciotole

Direção: Isabel Coixet

Roteiro: Enrico Audenino e Isabel Coixet (baseado no livro de Michela Murgia)

Elenco: Alba Rohrwacher, Elio Germano, Galatea Bellugi e Silvia D’Amico

Produção: Autoral Filmes – Distribuição no Brasil: Autoral Filmes

Isabel Coixet — a diretora catalã de Minha Vida Sem Mim (2003) e Elegy (2008), uma das vozes mais consistentes do cinema europeu de autor — assina aqui uma adaptação do romance de Michela Murgia, escritora sarda que faleceu em 2023 e se tornou um dos nomes mais celebrados da literatura italiana contemporânea. Três Vezes Adeus (no original, Tre Ciotole — Três Tigelas) parte de um divórcio aparentemente banal: Marta (Alba Rohrwacher) e Antonio (Elio Germano) se separam após uma discussão que, de fora, parece desproporcional ao desfecho. Ele se joga no trabalho, tornando-se um chef cada vez mais reconhecido. Ela se fecha em si mesma e nesse recolhimento começa a perceber que a perda do apetite, o cansaço, a diferença no próprio corpo, têm uma explicação que vai além da dor do término. Há um problema de saúde. E é justamente esse diagnóstico que transforma o filme.

O que em outro roteiro poderia derivar para o melodrama sentimental, Coixet conduz com uma contenção delicada e uma ironia suave que são marcas de seu estilo. Quando Marta descobre o que tem, em vez de fechar-se ainda mais, algo muda: a comida volta a ter sabor, a música a emocionar, o desejo de viver a se impor com uma clareza que ela não sentia fazia tempo. O filme não é sobre a doença, é sobre o que a consciência da finitude nos devolve de nós mesmos. Alba Rohrwacher, uma das atrizes italianas mais talentosas de sua geração, entrega aqui uma Marta de contenção e profundidade exemplares. Elio Germano, seu parceiro frequente nas telas, oferece um Antonio cuja arrogância protetora vai cedendo lugar a uma vulnerabilidade que o roteiro resiste a simplificar. Uma obra para quem aprecia o cinema que fala do amor sem nunca romantizá-lo demais.