Filmes no Cinema Hoje

Filmes no Cinema Hoje – Estreias de 8 de outubro de 2026

Divirta-se Cinema Noticias

Outubro começa com uma semana de respeito. O maior evento da temporada nacional é o retorno da franquia mais amada do cinema brasileiro: Se Eu Fosse Você 3, dezessete anos depois do segundo filme, passa o bastão para a nova geração mas mantém Glória Pires e Tony Ramos em cena. Para os apreciadores do cinema sul-coreano, Hope: O Primeiro Impacto é o retorno de Na Hong-jin uma década depois de O Lamento, agora num sci-fi de invasão alienígena de escala e ambição raras. As famílias têm As Aventuras de Tadeo e a Lâmpada Mágica e o terrorzínho Outra Mamãe para quem quiser passar um susto. E para finalizar, Um Tio Quase Perfeito 3 segura a barra da comédia nacional. Val­e conferir os filmes no cinema hoje por aqui!

Se Eu Fosse Você 3

Comédia Romântica – Brasil – 12 anos

Duração: 119 minutos

Direção: Anita Barbosa (supervisão artística de Daniel Filho)

Roteiro: Leandro Soares

Elenco: Glória Pires, Tony Ramos, Cleo Pires, Rafael Infante, Valentina Daniel, Paulo Rocha, Yohama Eshima, Dan Ferreira, Rosi Campos e Fernanda Schneider

Produção: Total International e Star Original Productions – Distribuição: Buena Vista International (The Walt Disney Company Brasil)

Dezessete anos é tempo demais para qualquer franquia ficar parada. Nesse intervalo, o Brasil de 2026 é um país diferente do que era em 2009, o cinema mudou, o público mudou, e a própria forma de contar histórias nas telas mudou. Se Eu Fosse Você 3 tem consciência disso e opta por uma resposta que é ao mesmo tempo habilidosa e reveladora de suas limitações: em vez de reinventar, passa o bastão. Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) estão viajando pela China. O conflito central agora é dos filhos: Bia (Cleo Pires), chef de cozinha determinada, e Aquiles (Rafael Infante), um descontraído guia de turismo, vivem um casamento desgastado e estão à beira de uma separação. Um raio cai pela terceira vez na família, e adivinhem? Seus espíritos trocam de lugar de novo. A lógica é simples e a dir­etora Anita Barbosa não tenta complicar: o humor vem de Aquiles tentando cozinhar como Bia e de Bia tentando conduzir passeios turísticos como Aquiles.

Cleo Pires é o grande destaque do novo casal. Ela entrega uma Bia de energia e precisão cômica que surpreende quem a conhecia apenas por papéis dramáticos, e o fato de ser filha de Glória Pires na vida real acrescenta um nível de cumplicidade em cena que nenhum roteiro pode fabricar artificialmente. Rafael Infante é divertido, mas sofre mais em navegar entre o humor físico e os momentos de vulnerabilidade emocional que o roteiro lhe exige. A crítica especializada observa com alguma amargura que o problema do filme é crônico: cada aparição de Tony Ramos e Glória Pires funciona como um lembrete involuntário de que a química entre os dois é irreproduzível. Nenhuma dupla construída em roteiro substitui anos de televisão, vida real e mútuo conhecimento cênico acumulado.

A direção de Anita Barbosa é eficiente e respeitosa com o material, sem grandes ousadias. O roteiro de Leandro Soares moderniza a premissa em termos de comportamento e referências contemporâneas sem, porém, encontrar situações tão memoráveis quanto as que definiram os filmes anteriores. No conjunto, Se Eu Fosse Você 3 é um filme confortável, bem acabado e perfeitamente capaz de divertir seu público. Lembra porque a franquia foi importante. Lembra também, com discrição e elegância, que o tempo passou.

Hope: O Primeiro Impacto

Ficção Científica / Ação / Terror – Coreia do Sul – 16 anos

Título Original: Hopeu (호프)

Duração: 160 minutos

Direção: Na Hong-jin

Roteiro: Na Hong-jin

Elenco: Hwang Jung-min, Zo In-sung, Jung Ho-yeon (Hoyeon), Michael Fassbender, Alicia Vikander, Taylor Russell e Cameron Britton

Produção: Na Hong-jin, Saemi Kim e Saerom Kim – Fotografia: Hong Kyung-pyo (diretor de fotografia de Parasita e Burning) – Distribuição: Imagem Filmes e MUBI

A última vez que Na Hong-jin havia assinado um longa, o resultado foi O Lamento (2016), um dos filmes de terror mais discutidos da década, uma obra que misturava folclore coreano, poss­essão e ambigu­idade moral numa narrativa de 3 horas que recusava qualquer interpretação simples. Com Hope: O Primeiro Impacto, apresentado no Festival de Cannes 2026 e exibido no Brasil distribuído pela Imagem Filmes em parceria com a MUBI, Hong-jin abandona o horror folclórico e migra para um território radicalmente diferente: o sci-fi de invasão alienígena. O resultado é ao mesmo tempo mais acessível e mais desconcertante do que qualquer coisa que ele havia feito antes.

A história se passa em Hope Harbor, uma pequena cidade costeira na fronteira entre as duas Coreias. O chefe de polícia Bum-seok (Hwang Jung-min) e seu primo caçador Ko Sung-ki (Zo In-sung) encontram o corpo dilacerado de uma vaca e dão início a uma investigação que rapidamente se transforma numa corrida pela sobrevivência conforme uma cria­tura desconhecida começa a destruir a cidade. Jung Ho-yeon, revelada mundialmente em Round 6, aparece como a policial novata Sung-ae numa entrada heróica que consagra sua transição para o cinema de ação. Alicia Vikander e Michael Fassbender integram o elenco internacional nos papéis dos alienígenas. A fotografia é de Hong Kyung-pyo, o mesmo fotógrafo de Parasita e Burning, e a cada frame é possível reconhecer a autoridade visual de alguém que sabe exatamente o que está fazendo.

Podemos dizer em Hope que sua primeira hora de filme é eletrizante, com um ritmo frenético de perseguições, destruíção e momentos de humor absolut­amente inesperado que tornam a experiência vis­ceral e genuinamente divertida. Segundo: a segunda metade, ao revelar a lógica da invasão, divide opiniões entre quem vê a escolha como corajosa e quem a encontra decep­cionante em relação ao que a abertura prometia. O subtítulo “O Primeiro Impacto” não é decor­ativo: Hong-jin já confirmou que o roteiro da continu­ação está pronto e que o filme é o início de uma trilogia (bem) planejada. Para quem aceita o convite de uma das experiências de cinema sul-coreano mais imponentes do ano, é uma jornada que não se esquece facilmente.

As Aventuras de Tadeo e a Lâmpada Mágica

Animação / Aventura / Comédia / Família – Espanha – Livre

Título Original: Tadeo Jones y la Lámpara de Midas

Duração: 92 minutos

Direção: Enrique Gato

Roteiro: Jordi Gasull e Enrique Gato

Elenco (vozes originais): Oscar Barberán, Michelle Jenner, Luis Posada, Fabia Mora, Andrés Velencoso, Manel Fuentes e Itziar Ituño

Produção: Telecinco Cinema, Ikiru Films e Lightbox Entertainment – Distribuição: Imagem Filmes em parceria com MUBI

O arqueólogo mais atrapalhado do cinema de animação espanhol está de volta. As Aventuras de Tadeo e a Lâmpada Mágica é o terceiro capítulo da franquia iniciada em 2012 com Tadeo, o Explorador, que acumula quatro indicações ao BAFTA, prêmio Goya de Melhor Animação com os dois primeiros filmes e uma base de fãs infanto juvenil consolidada no Brasil. A premissa continua fiel ao formato que funciona: Tadeo, sua namorada Sara e seus companheiros inseparáveis, a Múmia Jeff, o cachorro Belzoni e o papagaio Steve, embarcam em nova aventura quando Tadeo acidentalmente aciona um feitiço antigo ligado a uma lâmpada misteriosa. A partir daí, uma série de revira­voltas leva o grupo a cenários exuber­antes e situações cada vez mais improváveis enquanto tentam desfazer o estrago.

O diretor Enrique Gato mantém o DNA visual da franquia: cores saturadas, ritmo acelerado, humor slapstick que funciona para crianças de todas as idades e piadas de segunda camada pensadas para os adultos que acompanham na sala. A qualidade técnica da animação avançou consideravelmente em relação aos capítulos anteriores, e as seqüências de perseguição em cenários or­ientais e mediterrâneos são genuinamente deslumbrantes. O humor nonsense que envolve a Múmia e Belzoni continua sendo o coração popular da franquia, e o filme sabe disso. Para o público familiar que já acompanha Tadeo desde o primeiro filme, é uma jornada bem-vinda que entrega o que promete. Para os novatos, é uma entrada de fácil adaptação: o contexto de cada personagem é construído com a naturalidade esperada para o público dos baixinhos.

Outra Mamãe

Terror / Sobrenatural / Drama – Irlanda – 14 anos

Título Original: Other Mommy

Duração: 1h34min.

Direção: Rob Savage

Roteiro: Nathan Elston, Josh Malerman

Elenco: Jessica Chastain, Jay Duplass, Arabella Olivia Clark

Outra Mamãe é um thriller sobrenatural que acompanha Bela, uma criança de 8 anos cuja vida familiar é perturbada pela aparição de uma entidade sobrenatural com a aparência idêntica à própria mãe. A presença surge dentro da casa, inicialmente sutil e desconcertante, e vai se tornando progressivamente mais ameaçadora para Bela e para todos ao seu redor. A premissa trabalha num dos territórios mais fecundos do terror familiar: a violação do espaço doméstico por algo que usa a forma daquele que deveria ser o maior porto seguro de uma criança. O núcleo emocional do filme está na perspectiva de Bela, que precisa distinguir entre a mãe real e a impostora sem que nenhum adulto ao redor acredite nela.

Um Tio Quase Perfeito 3

Comédia – Brasil – Livre

Direção: Pedro Antonio

Roteiro: Leandro Muniz, Rodrigo Goulart, Sabrina Garcia

Elenco: Marcus Majella, Ana Lúcia Torre, Letícia Isnard

Produção: H2O Filmes, Morena Filmes, Sony Pictures

Marcus Majella é o tipo de comediante que construiu sua popularidade num registro muito preciso: o do humor popular exuberante, acelerado e absolutamente sem pretensão intelectual. A franquia Um Tio Quase Perfeito é a expressão mais fiel dessa equação no cinema, e Um Tio Quase Perfeito 3 não vem para contradizê-la. Tony, o tio atrapalhado e irresponsável que já provou duas vezes não ter a menor condição de cuidar de criança alguma, se vê novamente testado quando uma bebê mistériosa é deixada na porta de sua casa. A lógica da premissa é deliberadamente absurda, as situações são construídas para o humor físico e o filme traça seu arco com a eficiência de uma produção que sabe exatamente quem é seu público.

Ana Lúcia Torre e Letícia Isnard complementam o elenco numa dinâmica que já demonstrou funcionar nos capítulos anteriores. Para quem acompanha a franquia desde o início, é uma cont­inuação natural que ofere­ce o mesmo tipo de entretenimento descompromissado. Para o público livre que quer rir sem pensar muito, é um programa adequado para o fer­iado de outubro que se avizinha.