Mortal Kombat 2
Ação / Aventura / Fantasia – EUA – 18 anos
Direção: Simon McQuoid
Roteiro: Jeremy Slater
Elenco: Karl Urban, Lewis Tan, Ludi Lin, Jessica McNamee, Hiroyuki Sanada, Joe Taslim e Mehcad Brooks
Produção: New Line Cinema, Atomic Monster, Broken Road Productions e Fireside Films – Distribuição: Warner Bros. Pictures
Cinco anos após o reboot de 2021, Simon McQuoid retorna à cadeira de direção para uma sequência que entendeu exatamente o que o primeiro filme não entregou. Mortal Kombat 2 abandona boa parte dos personagens introdutórios e vai direto ao ponto: o torneio intergaláctico propriamente dito, a ascensão do temível Shao Kahn como o antagonista central, e a entrada de Johnny Cage — interpretado por Karl Urban com o carisma e a ironia que o personagem exige — como a grande novidade de um elenco que agora tem identidade própria. O resultado é um blockbuster que não pede desculpas pelo que é, e que entrega com eficiência o espetáculo de violência gráfica e referências aos jogos que a franquia sempre prometeu.
O roteiro de Jeremy Slater (que substituiu a dupla responsável pelo primeiro filme) tem clareza de propósito: não há pretensão de drama psicológico profundo, e os diálogos funcionam como intervalos entre sequências de porradaria. A narrativa avança em ritmo acelerado, com os campeões do Plano Terreno sendo forçados a superar rivalidades internas para enfrentar o regime tirânico que ameaça a existência da Terra. A dupla Scorpion (Hiroyuki Sanada) e Sub-Zero (Joe Taslim) continua sendo o núcleo emocional e técnico do filme, com coreografias de luta que comunicam estado mental antes de qualquer linha de diálogo.
Apesar da superficialidade narrativa e para uma CGI irregular em alguns momentos de ação rápida, o saldo, é positivo: Mortal Kombat 2 é um avanço claro em relação ao seu antecessor, consciente de seus limites e de seu público. Para fãs da franquia que esperam ver personagens icônicos em live-action com fatalities satisfatórios e fanservice generoso, o filme cumpre integralmente o contrato. Disponível também em IMAX.
As Ovelhas Detetives
Comédia / Aventura / Família – Irlanda, Reino Unido, Alemanha e EUA – Livre
Título Original: The Sheep Detectives
Direção: Kyle Balda
Roteiro: Craig Mazin e Leonie Swann (baseado no romance Three Bags Full, de Leonie Swann)
Elenco: Hugh Jackman, Emma Thompson, Nicholas Braun, Nicholas Galitzine, Molly Gordon, Hong Chau, Tosin Cole, Bella Ramsey, Brett Goldstein, Rhys Darby, Bryan Cranston, Chris O’Dowd, Regina Hall e Patrick Stewart (vozes originais de Julia Louis-Dreyfus, Bryan Cranston e Patrick Stewart)
Produção: Amazon MGM Studios, Working Title Films e Three Strange Angels – Distribuição: Sony Pictures
A surpresa mais gostosa da semana chega com 97% de aprovação pela crítica internacional, uma ficha técnica de dar inveja a qualquer produção do ano e uma premissa que, no papel, pareceria impossível de funcionar: As Ovelhas Detetives. A história é a seguinte — George Hardy (Hugh Jackman), um pastor excêntrico que mora isolado no interior da Inglaterra, tem o hábito de ler romances policiais em voz alta para seu rebanho a cada noite. O que George não sabe é que as ovelhas entendem cada palavra. Quando ele é encontrado morto e o xerife local (Nicholas Braun) descarta a hipótese de crime, são as próprias ovelhas que, lideradas pela inteligentíssima Lily (com voz de Julia Louis-Dreyfus na versão original), partem para investigar o assassinato do pastor que amavam.
O roteiro é assinado por Craig Mazin (o mesmo criador de Chernobyl e The Last of Us), e sua habilidade de equilibrar tensão emocional com humor seco é o que transforma um conceito excêntrico em algo que genuinamente emociona. O diretor Kyle Balda, veterano de Minions, conduz o filme com precisão de tom: há a comédia do absurdo das ovelhas investigando humanos com a lógica dos romances policiais que ouviram, mas há também — e aí está a surpresa — um núcleo de amadurecimento emocional sobre perda, medo e coragem que funciona para adultos tão bem quanto para crianças. Hugh Jackman disse em entrevistas que sentiu no roteiro algo que nunca havia lido antes, uma mistura de Babe, o Porquinho Atrapalhado com Entre Facas e Segredos, e não estava exagerando.
O elenco de apoio (Emma Thompson, Bryan Cranston, Patrick Stewart, Nicholas Galitzine, Molly Gordon e Bella Ramsey) entra na brincadeira com entrega total. A produção se passa no mundo real, com humanos e ovelhas habitando o mesmo espaço físico, o que cria uma dinâmica visual divertida e um senso de mistério que funciona muito bem com o clássico “quem matou”. É a estreia mais recomendada da semana para toda a família.
Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour in 3D
Documentário / Musical – EUA – 14 anos
Título Original: Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D)
Direção: James Cameron e Billie Eilish
Elenco: Billie Eilish
Produção: Lightstorm Entertainment, Darkroom Records e Interscope Films – Distribuição: Paramount Pictures
Produção: Amazon MGM Studios, Working Title Films e Three Strange Angels –
Distribuição: Sony Pictures
Quando Billie Eilish anunciou, ao final da última apresentação da turnê mundial Hit Me Hard and Soft no Chase Center de São Francisco, que havia filmado toda a tour em 3D em parceria com James Cameron, o anúncio foi recebido com a surpresa adequada: dois vencedores do Oscar com visões radicalmente diferentes do mundo reunidos num projeto de cinema. Cameron, o homem que redefiniu o 3D cinematográfico em Avatar, e Eilish, uma artista que transformou intimidade em escala global. A questão era se a parceria resultaria em algo mais do que uma experiência técnica bem executada, e a resposta é… sim, resultou.
O filme captura os 106 shows da turnê mundial iniciada em setembro de 2024, com imagens de palcos em diferentes países, materiais de bastidores e momentos com a plateia que revelam a profundidade da conexão entre a artista e seus fãs. Cameron utiliza a tecnologia 3D não para impor grandiosidade, mas para fazer o oposto: aproximar. As sequências de bastidores ganham uma textura quase documental, enquanto as cenas de performance criam uma imersão que nenhuma gravação convencional de show consegue replicar. A experiência foi comparada por espectadores internacionais a Taylor Swift: The Eras Tour (2023), um parâmetro elevado que o filme sustenta com confortável margem.
Para fãs de Billie Eilish, é um acesso privilegiado a uma das turnês mais bem produzidas de sua carreira — palcos brancos minimalistas, pirotecnia controlada e um repertório que percorre todo o álbum Hit Me Hard and Soft. Para espectadores mais distantes da cantora, o filme é um exemplo do que o cinema de concertos pode ser quando ultrapassa a função de registro e abraça a linguagem cinematográfica como arte em si mesma. Uma experiência feita para a tela grande, definitivamente.
Aqui Não Entra Luz
Documentário – Brasil – 10 anos
Direção e Roteiro: Karol Maia
Elenco: Miriam Mendes, Karol Maia, Cristiane Graciano, Marcelina Martins, Maria do Rosário Rodrigues de Jesus e Matildes Santos Pereira
Produção: Apiário Estúdio Criativo, coprodução Surreal Hotel Arts – Distribuição: Embaúba Filmes
Aclamado nos circuitos de festivais (premiado no Festival de Brasília com os troféus de Melhor Direção e Melhor Filme pelo Prêmio Zózimo Bulbul), e estreado internacionalmente no IDFA em Amsterdã, Aqui Não Entra Luz chega aos cinemas brasileiros como um dos documentários mais importantes do ano. A diretora Karol Maia, arquiteta e pesquisadora, parte de uma experiência pessoal e íntima (ser filha de uma trabalhadora doméstica) para construir um filme que é ao mesmo tempo confissão, investigação histórica e crítica estrutural. Seu ponto de partida é o quarto de empregada, aquele cômodo sem janelas, sem ar, sem luz natural presente em apartamentos e casas do Brasil inteiro, e o que esse espaço revela sobre as relações de poder que atravessam a sociedade brasileira desde a escravidão.
Ao longo de 1h20, Maia percorre quatro estados brasileiros marcados pela herança escravocrata e coleta depoimentos de mulheres que viveram nesses espaços com privação de alimentos, abusos trabalhistas, humilhações cotidianas, e cujas condições encontram paralelo direto nas condições da senzala. O filme opta por uma estética do real: câmera simples, luz crua das lâmpadas domésticas, som captado nos ambientes sem intervenção artificial. Essa contenção não é limitação, é gesto político. Ao recusar o embelezamento do desprivilégio, Maia confere às suas personagens dignidade e protagonismo no registro cotidiano que ocupam.
A crítica especializada aponta a qualidade da escuta como o principal mérito do filme: Maia não direciona, não dramatiza, não hierarquiza. Ela ouve. E o que ouve é suficiente para revelar permanências estruturais que o Brasil insiste em não nomear. Realizado com uma equipe majoritariamente composta por mulheres negras, Aqui Não Entra Luz é a prova de que o cinema documental brasileiro segue produzindo obras de enorme relevância social. Estreia em circuito selecionado nas principais capitais.
- Filmes em Cartaz nos Cinemas – Destaques de 7 a 13 de maio de 2026
- Bursite: O que é, Tipos, Causas e Tratamento — Guia Completo
- Lançamentos no Streaming – Destaques de 4 a 10 de maio de 2026
- Lançamentos no Streaming – Destaques de 27 de abril a 3 de maio de 2026
- Filmes em Cartaz nos Cinemas – Destaques de 23 a 29 de abril de 2026
