filmes no cinema hoje

Filmes no Cinema Hoje – Estreias de 3 de setembro de 2026

Divirta-se Cinema Noticias

Os filmes no cinema hoje ficam por conta da est­reia nacional mais aguardada do ano: “Minha Melhor Amiga”, com Ingrid Guimarães e Mônica Martelli juntas pela primeira vez nas telonas após trinta anos de amizade. Para quem prefere o drama de guerra, “Pressão” (com Andrew Scott e Brendan Fraser) reconstrói as 72 horas mais decisivas da Segunda Guerra Mundial por uma perspectiva que o cinema raramente explorou: a dos meteorologistas. E Eli Roth volta ao terror visceral com “O Sorveteiro”, um pesadelo de verão que não poupa os mais novos nem os mais sensíveis. Vale conferir!

Minha Melhor Amiga

Comédia – Brasil – 12 anos

Duração: 118 minutos

Direção: Susana Garcia

Roteiro: Patricia Leme, Susana Garcia, Mônica Martelli, Ingrid Guimãraes e Tati Bernardi

Elenco: Ingrid Guimarães, Mônica Martelli, Giulia Benite, Gabi Amaral, Gustavo Machado, Ricardo Pereira, Albano Jerônimo, Alejandro Albarracín, Michel Melamed e Thaila Ayala

Produção: Paris Entretenimento – Distribuição: Paris Filmes

Mônica Martelli e Ingrid Guimarães são amigas na vida real há três décadas — uma é madrinha de filha da outra — e nunca haviam trabalhado juntas nas telas. Minha Melhor Amiga corrige essa lacuna com a maior produção já realizada pela Paris Filmes, rodada no Rio de Janeiro, em Lisboa e em Sevilha, e chegando ao circuito nacional como uma das estreias mais aguardadas do cinema brasileiro em 2026. Clara (Ingrid Guimarães) e Júlia (Mônica Martelli) são amigas de longa data que enfrentam juntas o início da menopausa, os relacionamentos em crise e o vazio da casa quando as filhas adolescentes partem para um intercâmbio em Portugal. O que seria uma visita discreta às meninas transforma-se numa viagem que re­ssignifica a vida das duas por completo — com os perrengues, as paixões e os ensinamentos que apenas uma amizade de três décadas pode gerar num cenário que nenhuma das duas controlava.

A direção de Susana Garcia, responsável por Minha Mãe é Uma Peça 3Minha Vida em Marte e Minha Irmã e Eu — juntos, esses três filmes ultrapassaram 20 milhões de ingressos vendidos no Brasil — garante um ritmo ágil e um timing cômico que aproveita ao máximo a cumplicidade entre as duas protagonistas. A crítica especializada destaca que o roteiro é simples e enxuto, mas eficaz: as cenas são curtas, encadeadas quase como esquetes, e o filme confia plenamente na presença cênica das atrizes para sustentar a narrativa sem recorrer a efeitos ou reviravoltas. Ingrid e Mônica jamais soam como se estivessem atuando juntas pela primeira vez — ao contrário: a naturalidade com que se provocam, se apoiam e se completam em cena é precisamente o que justificou esperar três décadas por esse encontro.

O filme tambem inclui uma homenagem a Paulo Gustavo conduzida de forma sutil no meio da projecão que, segundo relatos de sessões de pré-estreia, emocionou platei­as em diferentes cidades. Minha Melhor Amiga é colocado por Guimarães e Martelli como o início de muitos filmes juntas — e o circuito mais amplo da história da Paris Filmes sugere que a distribuidora acredita no mesmo. Para o público que ama o humor brasileiro feito com afeto e identificação, é a estreia da semana.

Pressão

Drama Histórico / Suspense de Guerra – Reino Unido – 12 anos

Título Original: Pressure

Direção: Anthony Maras

Roteiro: Anthony Maras e David Haig (baseado na peça teatral de David Haig)

Elenco: Andrew Scott, Brendan Fraser, Kerry Condon, Chris Messina, Damian Lewis, Con O’Neill, Tamsin Topolski, Harrison Osterfield e Jojo Macari

Produção: Working Title Films / StudioCanal – Produtores: Tim Bevan, Eric Fellner e Lucas Webb – Distribuição: Universal Pictures

Junho de 1944. As forças aliadas se preparam para a maior operação naval da história: a invasão das praias da Normandia. O General Dwight D. Eisenhower (Brendan Fraser) precisa tomar uma decisão que não pode ser revertida. E a decisão depende de uma única coisa: do tempo meteorológico. Pressão reconstrói as 72 horas anteriores ao “Dia D” a partir de um ângulo que o cinema raramente explorou, não o front de batalha, não os generais com mapas e baionetas, mas uma sala fechada onde meteorologistas disputam com a vida de milhões de soldados no papel. O capitão James Stagg (Andrew Scott) é o único que prevê mau tempo para o dia escolhido, e o único disposto a dizê-lo a quem não quer ouvir. Do outro lado da mesa está o otimista Coronel Krick (Chris Messina), certo de que seus gráficos estão certos. No centro de tudo, Eisenhower precisa decidir em quem confiar.

Anthony Maras (diretor de Hotel Mumbai, 2018) transforma o que poderia ser um drama burocrático em um thriller de tensão crescente. A crítica aponta com unanimidade que Pressão funciona melhor do que sua premissa sugere: o campo de batalha é uma mesa de reuniões, as armas são barômetros e mapas isobarais, e o suspense é construído a partir de dissonâncias entre métodos analíticos e intuição meteorológica. O roteiro é desc­ritto como afiado e desprovido de sentimentalismo gratuito. Andrew Scott entrega mais uma atuação de conte­nção eletr­izante, um Stagg rígido e distante que esconde janelas de sensib­ilidade que o ator sabe administrar com prec­isão. Brendan Fraser cresce ao longo do filme como Eisenhower, com resultados mais irregu­lares mas momentos de real autori­dade.

Damian Lewis como o General Montgomery é apontado como o destaque de humor invo­luntário de um filme corajoso e por vezes del­irante, uma presença que equilibra a gravidade das cenas ao seu redor. Kerry Condon, como a tenente Kay Summersby, confere a cada cena que compartilha com Fraser e Scott uma warmth que arredonda o filme sem sentimentalizar. Para quem aprecia dramas históricos de qualidade e que apesar de saberem ofinal, torcem para que as falas e construção sejam respeitados e reverenciados, é a estreia internacional mais sólida da semana.

O Sorveteiro

Terror / Slasher / Horror Corporal – EUA – 18 anos

Título Original: Ice Cream Man

Duração: 86 minutos

Direção: Eli Roth

Roteiro: Eli Roth e Noah Belson

Elenco: Ari Millen, Shiloh O’Reilly, Kiori Mirza Waldman, Sarah Abbott, Benjamin Byron Davis, Karen Cliche, Dylan Hawco, Charlie Zeltzer, Charlie Storey e Eli Roth

Produção: Eli Roth, Kate Harrison Karman, Christopher Woodrow e Raj Singh (The Horror Section / MCT Studios)

Eli Roth é um cineasta que nunca fingiu ser o que não é: um artesão do terror visceral que acredita no poder do choque visual e na função do horror como válvula de escape. O Sorveteiro é o primeiro projeto da sua própria distribuidora de terror, The Horror Section, e chega com uma premissa que transforma uma das imagens mais inocentes da infância (o caminhão de sorvetes) num vetor gore de apocalipse suburbano. Em Bayleen Bay, uma cidadezinha de praia no verão, Jonathan Smiley (Ari Millen) começa a distribuir pico­lés para as crianças locais. Quem come cai num transe hipnótico. Os efeitos que se seguem são o ponto central do filme, e Roth garante que são tudo o que o público de gore pode esperar, e provavelmente mais.

O roteiro é raso, o filme não consegue decidir se quer ser terror visceral ou comédia de horror e termina preso entre os dois registros sem dominar nenhum. A crítica mais recorrente aponta que a violência, embora abundante e tecnicamente executada com efeitos práticos de qualidade, é esvaziada de qualquer substrato dr­amático que lhe dê peso. Alguns críticos notam também o uso perceptível de animações geradas por inteligência artificial em momentos pontuais que se situam como uma verdadeira escorregada de Roth em sua aura artesanalmente cultivada. Vale citar o que o site AdoroCinema disse sobre o filme, “o tipo de filme que nasceu para virar cult em uma fita VHS esquecida numa locadora”, o que é uma avali­ação que o próprio Roth provavelmente receberia como elogio.

Para o público que adora o subgênero trash e não se importa com a falta de profundidade dramática desde que o espetáculo visual cumpra a promessa, O Sorveteiro é programa certo para esta semana. Para os demais, melhor verificar a classificação e ajustar as expectativas antes de entrar na sala.

Gonzaguinha – Da Maior Liberdade

Documentário / Musical – Brasil

Título Original: Gonzaguinha, da Maior Liberdade

Direção: Susanna Lira

Participantes: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (imagens de arquivo) e convidados

Produção: Modo Operante – Distribuição: Synapse

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior era para ter sido, sem muito esforço, somente o filho de Luiz Gonzaga. Mas a história nos deu Gonzaguinha. Ele foi um artista com uma identidade própria tão potente quanto a do pai: compositor de mais de 400 canções, intérprete de voz inconfundível, militante da cultura popular e figura central na resistência mus­ical ao regime militar. Morreu em 1991, aos 45 anos, num acidente de trânsito, num momento em que sua carreira vivia um dos picos mais intensos. Ficou a ser dito, e a música que deixou continua sendo cantada por gerações que nunca o viram ao vivo. Gonzaguinha – Da Maior Liberdade, dirigido por Susanna Lira, propõe um resgate dessa trajetória por meio de letras, imagens e som e da fúria de uma poesia que definiu um dos artistas mais importantes para a construção da memória democrática do país.

O título vem de um dos versos mais conhecidos de Gonzaguinha, que ecoa como programa estético e político ao mesmo tempo. A direção de Susanna Lira (cineasta que já assinou documentários sobre Chico Buarque e outros artistas fundamentais da MPB) promete ir além da cronologia biográfica para investigar a dimensão social e afetiva da obra de um homem que usou a música como instrumento de luta e de alegria. O filme resgata a relação complexa e pública com o pai, a perda da custódia pelo regime, a trajetória de renome conquistado por caminho próprio e o lugar de Gonzaguinha na construção coletiva da cidad­ania cultural brasileira.

Não Há Mais Histórias Sem Nós

Documentário – Brasil – 14 anos

Direção: Priscilla Brasil

Roteiro: Raphael Uchoa

Participantes: Pesquisadores amazônicos e comunidades da região

Produção: Companhia Amazonica de Filmes

Não Há Mais Histórias Sem Nós, dirigido por Priscilla Brasil, parte de uma questão que atravessa séculos e ainda não foi respondida com honestidade: quem tem o direito de narrar a Amazônia? Em meio ao avanço do greenwashing e da apropriacção corporativa do discurso ambiental, dois pesquisadores amazônicos — que alternam entre Munique e Belém — investigam e denunciam o histórico processo de exploração da floresta e sua representção como um território inesgotável, vazio e sem sujeito. O filme revela como racismo e preconceito estrutural sustentam até hoje a ideia da Amazônia como “vazio demográfico” — uma não-existência das pessoas que lá vivem, que justificou e ainda justifica projetos de exploração que o saber local nunca autorizou.

A diretora Priscilla Brasil constrói a narrativa alternando entre dois eixos: o registro contemporâneo dos pesquisadores em campo e o diálogo com fontes históricas que permitem ra­strear como a narrativa do “vazio” foi fabricada e disseminada. O título é ao mesmo tempo um manifesto e uma promessa — de que as histórias daquele lugar serão contadas a partir de agora por quem as viveu. Para o público interessado em cinema documental de denúncia e de reposicónamento de voz, é um dos lançamentos mais urgentes desta semana. As fichas técnicas completas não estavam disponíveis nas fontes consultadas até o fechamento desta edição.