Phubbing entre pais e filhos

Phubbing entre Pais e Filhos, O que É? Os Riscos e Como Reconectar Sua Família?

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Phubbing entre Pais e Filhos: O que É? Como Evitar?
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Você já estava no jantar com a família e, sem perceber, passou a responder mensagens enquanto seu filho tentava contar como foi o dia na escola? Ou já se sentiu invisível porque tentou falar com um dos seus e a resposta chegou de olhos fixos na tela? Se sim, você já vivenciou (ou praticou) o que os especialistas chamam de phubbing entre pais e filhos. O nome pode parecer estranho, mas o comportamento é mais comum do que gostaríamos de admitir. E o mais importante: quando esse hábito de se torna rotina, as consequências para o vínculo familiar vão muito além de uma certa frieza no convívio diário.

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Brasileiros passam, em média, 9 horas por dia conectados a telas

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Crianças expostas ao phubbing parental têm 40% mais risco de ansiedade

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O problema afeta todas as faixas etárias — de bebês a adolescentes

Phubbing entre Pais e Filhos: O que Significa Esse Termo?

O termo phubbing surgiu da fusão de duas palavras em inglês: phone (telefone) e snubbing (ignorar, desprezar). Na prática, significa exatamente isso: ignorar alguém por estar no celular, mesmo estando fisicamente ao lado dessa pessoa. Quando esse comportamento acontece dentro de casa, entre pais e filhos, recebe um nome ainda mais específico — phubbing parental — e carrega um peso emocional que vai muito além de uma simples distração.

A psicóloga Fernanda Giralt Font, ouvida pelo portal Infobae, define o phubbing como “a ação de ignorar a pessoa, conversa ou evento para prestar atenção ao dispositivo móvel ou às redes sociais” e ressalta que o comportamento “se tornou cada vez mais comum em todos os ambientes sociais e faixas etárias, atravessando famílias, grupos de amigos e até a relação entre pais e filhos”. Ou seja, não se trata de um problema isolado — é um fenômeno cultural que está moldando silenciosamente a forma como nos relacionamos com quem mais amamos.

Você já fez isso sem perceber? Checar o celular enquanto seu filho fala, responder uma mensagem durante o jantar, dar uma olhada rápida nas notificações no meio de uma brincadeira. Esses momentos parecem inofensivos isoladamente, mas quando se tornam padrão, a mensagem que a criança ou o adolescente recebe é clara: a tela importa mais do que eu!

Quando o Celular Vira uma Barreira Afetiva

A grande armadilha do phubbing é que ele raramente parece grave no momento em que acontece. Afinal, todo mundo precisa responder mensagens de trabalho, verificar compromissos e se manter informado. O problema não está no uso do celular em si, mas na frequência com que ele interrompe os momentos de conexão real com os filhos.

Uma criança pequena que tenta chamar a atenção do pai ou da mãe e recebe como resposta um “espera um segundo” repetido dezenas de vezes ao dia começa, progressivamente, a desenvolver uma percepção de que suas emoções e necessidades não têm importância. Já o adolescente que tenta conversar sobre algo que está sentindo e percebe que o adulto ao lado mal levantou os olhos da tela pode simplesmente desistir de tentar… e buscar essa escuta em outros lugares, nem sempre os mais saudáveis.

Pai olhando para o celular enquanto o filho está frustrado

O Phubbing Parental e o Desenvolvimento Emocional

Pesquisas recentes trazem dados que merecem atenção. Crianças expostas regularmente ao phubbing parental apresentam quase 40% mais risco de desenvolver sintomas de ansiedade e dificuldades para expressar as próprias emoções, além de aumento em comportamentos agressivos, piora no desempenho escolar e dificuldades para formar relações sociais saudáveis ao longo da vida, segundo análise publicada pela Jovem Pan com base em estudos da área da psiquiatria infantil.

Isso acontece porque, nas fases mais importantes do desenvolvimento, a criança constrói sua autoestima e seu senso de pertencimento a partir do olhar atento dos pais. Quando esse olhar é sistematicamente roubado por uma tela, algo fundamental se perde. O psiquiatra infantojuvenil Andrés Luccisano, do Hospital Italiano de Buenos Aires, reforça que o impacto vai além do comportamento imediato da criança: ele atinge a forma como ela aprende a se relacionar com o mundo.

E Quando São os Filhos que Praticam o Phubbing?

O phubbing entre pais e filhos também acontece na direção inversa, e isso nem sempre recebe a atenção que merece. O adolescente que responde monossilabicamente, de cabeça baixa, enquanto o pai ou a mãe tenta conversar está igualmente praticando esse comportamento, e sinalizando um distanciamento que precisa ser acolhido, não apenas corrigido.

Adolescentes sentados mexendo no celular
Adolescentes que não se conversam: um cena cada vez mais comum nas escolas brasileiras

Nesse caso, é importante entender que o uso compulsivo do celular por adolescentes frequentemente tem raízes no mesmo sentimento que ele causa: a busca por pertencimento e validação que não encontrou espaço suficiente nas relações mais próximas. Em vez de simplesmente proibir ou confiscar o aparelho, especialistas recomendam que os pais primeiro se perguntem como tem sido a qualidade real do tempo que oferecem aos filhos.

Os Sinais de Que o Phubbing já Está Afetando Sua Família

Há indícios concretos de que a distração digital já deixou de ser um incidente isolado e passou a corroer o vínculo familiar. Um deles é quando a criança ou o adolescente deixa de espontaneamente compartilhar situações do dia a dia: coisas que aconteceram na escola, amigos, conquistas e preocupações. Quando uma pessoa sente, repetidamente, que não está sendo ouvida, ela naturalmente para de falar.

Outro sinal é a irritabilidade crescente após tentativas frustradas de interação. A criança que faz birra quando o pai pega o celular durante a brincadeira não está sendo mimada mas está comunicando, da única forma que conhece, que aquela ausência dói. O adolescente que responde com rispidez quando a mãe tenta conversar enquanto ainda está com os olhos na tela pode estar externalizando um ressentimento acumulado de muitas situações parecidas.

Reflexão que vale a pena: Quantos momentos de presença verdadeira você ofereceu ao seu filho hoje? Não presença física (essa quase sempre existe). Estamos falando da presença dos “olhos no olhos”, de perguntas reais, de silêncio compartilhado sem telas. Poucos minutos de atenção plena por dia podem fazer uma diferença enorme no desenvolvimento emocional de uma criança.

As Consequências para a Saúde Mental Vão Além da Infância

A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD) publicou análise mostrando que o phubbing está associado a sintomas de depressão severa, redução da autoestima e do senso de pertencimento, tanto em quem ignora quanto em quem é ignorado. Ou seja, o adulto que passa horas diárias no celular enquanto convive com a família também sai prejudicado dessa equação, ainda que não perceba no curto prazo.

O IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família) já aponta para a necessidade de pensar esse comportamento sob a ótica da negligência emocional. O artigo 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante o direito ao respeito, o que inclui o respeito à necessidade emocional dos filhos. A discussão ainda é nova no campo jurídico, mas o sinal está dado: a sociedade começa a reconhecer que o dano causado pelo distanciamento afetivo digital é real e merece ser levado a sério.

O Efeito Espelho Que Poucos Enxergam

Existe ainda um aspecto do phubbing familiar que costuma passar despercebido: o efeito espelho. Crianças aprendem pela observação, muito antes de aprenderem pelas palavras. Pais que constantemente ignoram alguém por estar no celular estão, sem perceber, ensinando aos filhos que esse é o comportamento normal em relacionamentos. Não é coincidência que a geração que cresceu vendo os pais ao telefone durante o jantar seja, hoje, a mesma que checa o celular em todas as pausas da conversa!

Quebrar esse ciclo exige consciência antes de qualquer mudança prática. E consciência começa com a disposição honesta de olhar para os próprios hábitos sem se defender deles.

O que Fazer: Reconectando Pais e Filhos no Mundo Digital

A boa notícia é que o phubbing entre pais e filhos é um comportamento aprendido e, portanto, pode ser desaprendido também. Não existe fórmula mágica, mas há caminhos concretos que psicólogos e especialistas em desenvolvimento infantil recomendam.

O primeiro passo é criar zonas livres de celular dentro da rotina familiar. A mesa de refeições é o espaço mais indicado para começar. Não porque o celular seja proibido de existir, mas porque as refeições são um dos poucos momentos do dia em que a família naturalmente se encontra, e aproveitar isso bem tem valor que nenhuma notificação vai superar.

Estratégias que funcionam na prática: combine com a família horários específicos para deixar o celular de lado — durante refeições, no primeiro horário após a chegada em casa e na última hora antes de dormir. Estabeleça esse acordo em conjunto, incluindo os filhos na conversa. Quando a regra é construída junto, a adesão é muito maior do que quando ela é imposta.

A qualidade do tempo importa mais do que a quantidade. Trinta minutos de conversa real, com atenção genuína, fazem mais pelo vínculo afetivo do que horas lado a lado com cada um olhando para a própria tela. Técnicas de mindfulness — atenção plena ao momento presente — têm se mostrado eficazes para ajudar adultos a reduzirem o impulso de checar o celular de forma compulsiva, segundo a ABEAD.

Para famílias onde o padrão de distanciamento já está mais enraizado, a orientação de um psicólogo especializado em dinâmica familiar pode fazer diferença significativa. Terapias focadas no fortalecimento da comunicação e na construção de vínculos afetivos são ferramentas poderosas para restabelecer a conexão que o celular foi gradualmente corroendo.

Uma mudança pequena que transforma muito: quando seu filho ou filha começar a falar com você, pouse o celular — não só vire a tela para baixo, pouse de verdade — e olhe nos olhos. Esse gesto simples comunica, sem uma única palavra, que a pessoa à sua frente é mais importante do que qualquer notificação. Repetido todos os dias, ele reconstrói a confiança que o phubbing vai desgastando.


Conclusão: Presença Real É o Maior Presente que Você Pode Dar

O phubbing entre pais e filhos é um dos desafios mais silenciosos da parentalidade contemporânea justamente porque não parece um problema enquanto está acontecendo. Mas os efeitos — na autoestima dos filhos, no vínculo familiar, na saúde mental de todos os envolvidos — são concretos e acumulativos.

Reconhecer que você já praticou — ou ainda pratica — esse comportamento não é motivo de culpa, mas de responsabilidade. A tecnologia veio para ficar, e não existe parentalidade perfeita em nenhuma época. O que existe é a possibilidade de escolher, a cada dia, ser mais presente. De levantar os olhos da tela. De ouvir o que está sendo dito antes que a pessoa do outro lado desista de dizer.

Seu filho não precisa de um pai ou uma mãe sem celular. Ele precisa de um pai ou uma mãe que, quando ele fala, esteja realmente lá.

📚 Fontes e Referências

Jovem Pan Saúde — Phubbing parental: quando o celular afasta pais e filhos (jun. 2025)

Rádio Itatiaia — O que é o phubbing, o hábito digital que pode prejudicar as relações interpessoais (ago. 2025)

IBDFAM — Phubbing e seu impacto nas relações familiares modernas: um olhar pelas lentes do Código Civil Brasileiro

IBDFAM – Phubbing e seu impacto nas relações familiares modernas: um olhar pelas lentes do Código Civil Brasileiro

ABEAD — Phubbing: a distração digital que compromete as relações interpessoais e a saúde mental

RSD Journal — Parentalidade e construção da autoestima infantil: Revisão de literatura

Infobae / Psicóloga Fernanda Giralt Font e Psiquiatra Andrés Luccisano

Este artigo tem caráter informativo e educativo. As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação de um profissional de saúde mental qualificado. Se você percebe que o distanciamento afetivo na sua família é intenso ou persistente, considere buscar apoio psicológico especializado.

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