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Dia D, Crítica sobre a nova abordagem de Spielberg aos ET’s

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O novo filme de Steven Spielberg vem trazer uma luz diferente e moderna sobre os contatos extraterrestres e nos brinda com cenas de ação memoráveis que têm tudo para entrar para a história do cinema e outras lamentáveis que não precisariam estar na obra. Confiram!

No dia de um suposto contato extraterrestre, quando os alienígenas nos perguntarem sobre alguém que possa gravar esse momento tão sublime e único na história humana, o indicado da raça humana provavelmente será Steven Spielberg.

Ninguém entende mais desse insólito tema que esse diretor e suas 3 outras abordagens. Nelas, Spielberg retratou os aliens de todos os modos possíveis. Eles posaram de bibelôs fofos e adoráveis (em ET, de 1982) a vilões parasitários (numa sensacional versão de “Guerra dos Mundos”, de 2005) mas seu grande feito foi trazer-nos “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, em 1977, até hoje imbatível em termos de história e deslumbramento cinematográfico. “Dia D” bem que se esforça em se aproximar desse feito, mas nem chega perto!

Richard Dreyfuss em “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”

Podemos traçar algum paralelo entre o personagem Roy Neary (brilhantemente interpretado por Richard Dreyfuss) e os personagens de Emily Blunt e Josh O’Connor de Dia D. São pessoas normais com destinos extraordinários. Eles não pediram por isso, mas foram convocados por forças (que até então desconheciam), a fazer algo fora do comum. Spielberg e David Koepp (o roteirista de longa data do diretor) traçam uma história terna, em que os alienígenas são o contraponto de um governo autoritário, armamentista e sem escrúpulos. Em “Contatos Imediatos…” o governo era uma espécie de administrador desastrado da situação de contato. Nesta versão, eles estão absolutamente comprometidos em manter o já deficiente “status quo”.

Aos poucos, vamos entendendo que a mensagem principal nesta versão do diretor não é (nem nunca foi) a de “o que fazer no caso de um contato extraterrestre” (temos outros filmes incríveis sobre isso, como “Contato“, de Robert Zemeckis) mas a que sustenta que nossa relação (entre nós, humanos) precisa ser de empatia e ternura antes de tudo, ou estaremos fadados à extinção. Em resumo, “somente o amor nos salvará”.

Não é preciso lembrar que Spielberg continua afiado como nunca em sua imbatível arte de produzir grandes cenas. Vale uma menção honrosa ao movimento de câmera sem cortes que segue Daniel (O’Connor) enquanto ele espreita os policiais e entra num carro para fugir do cerco. É cinema old-style sem deixar de ser bonito!

Emily Blunt e Josh O’Connor

A maturidade do diretor nos brinda também com cenas que acontecem “após” as grandes sequências deixando tudo ainda mais real e crível. Ninguém é capaz de ficar numa boa e seguir com a vida depois de uma sequência como a apresentada durante uma fuga de trem. E Spielberg teve a delicadeza de mostrar isso. Somos humanos, precisamos de tempo para assimilar o que nos acontece. Lembrei do tempo em que o diretor filmava heróis pendurados em pontes e fugindo de pedras rolando, sem ao menos uma pausa para respirarem.

Outro destaque importante no filme: Colin Firth. Desde “O Discurso do Rei” que não se vê um trabalho tão pontual e certeiro. As ambiguidades de Noah, seu personagem, são tão importantes quanto as da protagonista de Blunt. Um trabalho maravilhoso desse ator inglês.

Dia D, é cinemão ao melhor estilo anos 90, mas antenado com as questões ambientais atuais e produzido com o que há de melhor em efeitos visuais. E antes de tudo, foi feito para divertir você. Não é nada Kubrickiano nem cheio de camadas a serem ruminadas por quem sai do cinema. Após assisti-lo você se esquece dele na primeira fatia de pizza, mas enquanto o assiste, é diversão pura!


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