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Backrooms, Um Não-Lugar (Review)

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Por que você deve (ou não) assistir a esse filme?

O gênero do terror é um dos mais camaleônicos do cinema e da literatura, justamente porque o que nos causa medo muda de acordo com a época, com a sociedade e com a tecnologia disponível. Viemos de uma era em que o Romantismo deu nascimento a “Frankenstein”, de Mary Shelley, e a mente brilhante de Stanley Kubrick nos brindou no cinema com “O Iluminado” iniciando uma onda de filmes de terror psicológico quando até então o que víamos eram filmes de sustos fáceis.

Guardadas as devidas proporções, tivemos uma surpresa recente com uma criativa história vinda da mente de um youtuber americano chamado Kane Parsons (“Kane Pixels” se quiser conhecer o canal dele no Youtube). Trata-se de um modelo de negócios que está se tornando cada vez mais comum hoje em dia, daquele que nasce no mundo digital e transcende para as telonas de Hollywood.

Kane, com seus vinte anos de idade, ficou famoso por sustentar (com um talento difícil de discordar) o mito dos “backrooms” (algo que teria sido impossível de se criar numa era pré-digital). Os “backrooms” (cultuados pela geração Z) são “portas” que nosso mundo revela que não deveriam aparecer para você. Portas que levam a uma espécie de bastidor de nosso mundo ordinário. Esse mito que existe desde a invenção da internet foi ganhando novos contornos e tornando-se cada vez mais denso e coeso graças aos vídeos esquisitos e altamente explicativos do jovem Kane (que também é designer de efeitos visuais). Vale muito a pena dar uma olhada num vídeo chamado The Rolling Giant. A partir deste protótipo você já pode antever o que virá em Backrooms.

O canal do jovem cineasta com seus mais de 3 milhões de seguidores!

O buzz gerado pelo canal foi suficiente para que decidissem elevar sua série de vídeos para o cinema. Um roteirista foi trazido ao projeto (Will Soodik, das séries Homeland e Westworld) e tivemos um dos filmes de terror mais comentados do ano de 2026. Backrooms tornou-se a décima maior bilheteria de 2026. E vale tudo isso?

Depende. “Backrooms, Um Não Lugar” é definitivamente um filme que fala com os mais jovens. Uma geração pós internet acostumada com histórias de “Slender Man“, “Anabelles” e bonecas “Momos” pode facilmente se identificar e se impressionar com esse filme. Quanto aos mais velhos, é praticamente impossível lhes contar a história de Backrooms sem que eles não se lembrem de “O Show de Truman”, uma obra prima sobre os bastidores da vida.

E existem certas ações de personagens, que apesar de serem necessárias a evolução do conflito no filme, são quase inverossímeis com a realidade. Ninguém em sã consciência (ou a menos que esteja com a cabeça em frangalhos) decide explorar um ambiente surreal sem antes contar com um mínimo de segurança. Mas no filme isso acontece! Só que não há dúvidas de que Parsons soube muito bem contar sua história sobre ambientes vazios bizarros. Aqueles que mesmo vazios, são capazes de nos assombrar.

Backrooms: o terror reside no vazio!

No filme, somos apresentados a Clark (Chiwetel Ejiofor, de “Dr. Estranho”), um comerciante quebrado que passa a dormir na loja após ser expulso do casamento e de sua casa pela esposa. Ele descobre o portal para o tal bastidor quando tenta consertar os disjuntores de algumas luzes que estão falhando. O que cativa e aumenta nossa curiosidade no filme, é que ao contrário do mundo invertido de Stranger Things (com suas cores tenebrosas e partículas etéreas), esse mundo invertido parece uma extensão de nossa casa, uma parede de um puxadinho que acabou de cair revelando um novo cômodo, só que no caso do filme, um infindável número de corredores e salas com suas respectivas surpresas. Ele decide contar sua descoberta a Mary (Renate Reinsve), sua psicanalista, mas a nova informação funciona como um gatilho para que experiências do passado possam vir a atormentá-la de novo.

O único momento em que a história escorrega, é quando tentam explicar o que é o ambiente. E logo entendemos que aquilo foi apenas uma interpretação, uma maneira de contar uma história que não tem começo nem fim. Backrooms tem mérito, tem clima, e tem até uma própria (e capenga) mitologia. Mas não tem história. Até porque seria péssimo se a tivesse.


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