Star Wars: O Mandaloriano e Grogu
Aventura / Ficção Científica / Ação – EUA – 12 anos
Título Original: Star Wars: The Mandalorian & Grogu
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Jon Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor
Elenco: Pedro Pascal, Sigourney Weaver, Jeremy Allen White, Jonny Coyne, Martin Scorsese e Grogu (efeitos práticos e digitais)
Produção: Lucasfilm / Walt Disney Pictures – Produção executiva: Jon Favreau, Dave Filoni e Kathleen Kennedy – Distribuição no Brasil: Walt Disney Studios Motion Pictures
Depois de sete anos de ausência da franquia nas telas do cinema — o último longa havia sido Star Wars: A Ascensão Skywalker (2019) —, a galáxia muito, muito distante finalmente retorna às salas com Star Wars: O Mandaloriano e Grogu. O filme parte diretamente dos acontecimentos da terceira temporada da série homônima do Disney+ e traz de volta a dupla mais carismática do universo expandido de Star Wars: Din Djarin (Pedro Pascal), o caçador de recompensas mandaloriano, e seu protegido Grogu, o pequeno ser sensível à Força que o mundo inteiro apelidou de “Baby Yoda”. A premissa é direta — a Nova República convoca Djarin para enfrentar remanescentes imperiais reagrupados como senhores da guerra — e o filme mantém esse foco sem desvios narrativos desnecessários.
O grande mérito da produção é sua acessibilidade. Ao contrário de outros filmes da saga que exigiam familiaridade com décadas de lore, aqui Jon Favreau constrói uma aventura que se sustenta por conta própria, sem exigir que o espectador tenha assistido às três temporadas anteriores. O vínculo afetivo entre Djarin e Grogu — a essência paternal de um guerreiro solitário que aprendeu a amar — é o coração emocional do longa e funciona com a mesma naturalidade e calor que conquistou o público na televisão. Grogu, especificamente, ganha mais espaço de ação e um arco próprio que justifica seu nome no título: ele não é apenas alívio cômico, mas agente ativo de momentos decisivos da trama.
As novidades do elenco são bem-vindas. Sigourney Weaver como a Coronel Ward, uma alta oficial da Nova República, entrega uma presença de autoridade que o universo de Star Wars raramente explorou com essa sofisticação. Jeremy Allen White dubla Rotta, o Hutt, filho de Jabba, com uma arrogância carismática que quebra a solenidade da opera espacial de modo refrescante. A aparição de Martin Scorsese, em papel ainda sob sigilo, divide a crítica entre o deleite e a curiosidade.
As limitações do filme são reais e merecem honestidade: a estrutura narrativa é linear e segura, dividida em blocos que lembram episódios televisivos reunidos, sem a grandiosidade mítica que definiu os clássicos de George Lucas. O roteiro não arrisca revelações filosóficas sobre a Força nem gira o universo de nenhuma forma surpreendente. A sensação, compartilhada por parte da crítica especializada, é a de um espetáculo muito bem-produzido que entretém plenamente mas não transcende. Para quem vai ao cinema em busca de uma aventura espacial visualmente polida, com dois personagens adoráveis e sequências de ação de alto nível — especialmente no formato IMAX, recomendado —, O Mandaloriano e Grogu entrega exatamente o que promete. Para quem esperava a renovação épica da franquia, a galáxia terá que aguardar um pouco mais.
Sexo e Destino
Drama / Espiritualismo – Brasil – 14 anos
Direção: Márcio Trigo
Roteiro: Márcio Trigo, Carolina Massote, Luisa Prochnik, Rodrigo Santos, Glauber Paiva Filho e Almudena Ruiz (baseado no livro homônimo psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelo espírito André Luiz)
Elenco: Letícia Augustin, Bruno Gissoni, Carol Macedo, Antonio Fragoso, Tato Gabus Mendes, Totia Meireles e Rafael Cardoso
Produção: Estação Luz Filmes e New Cine e TV – Coprodução: Federação Espírita Brasileira (FEB Cinema) – Produtores: Tomislav Blazic e Sidney Girão – Distribuição: Paris Filmes
Publicado originalmente em 1963 e integrante da série A Vida no Mundo Espiritual, o livro Sexo e Destino é um dos títulos de maior complexidade teórica entre as obras psicografadas por Chico Xavier e Waldo Vieira, pelo espírito André Luiz. Diferentemente de outros volumes da série, que descrevem as colônias e os planos espirituais com riqueza de detalhes, este concentra seu olhar sobre os dramas terrenos — paixão, traição, ciúme, culpa — e sobre como as escolhas humanas reverberam além da morte. A adaptação cinematográfica dirigida por Márcio Trigo (Nada é por Acaso, 2022) se inscreve numa tradição consolidada do cinema espírita brasileiro que inclui sucessos como Nosso Lar (2010) e Kardec (2019), e chega às telas com uma produção robusta e elenco experiente.
A trama acompanha as famílias Nogueira e Torres no Rio de Janeiro contemporâneo, unidas e dilaceradas por um triângulo amoroso entre Marina (Letícia Augustin), Gilberto (Bruno Gissoni) e Marita (Carol Macedo). Os conflitos do plano material são observados e comentados por mentores espirituais — entre eles Félix e André Luiz — que acompanham os envolvidos na tentativa de ajudá-los a compreender e reparar os erros acumulados. Essa estrutura de duplo plano narrativo — humano e espiritual — é o maior desafio técnico do filme e também o elemento que mais interessa ao público já familiarizado com a doutrina espírita.
Márcio Trigo equilibra com competência o realismo das relações humanas com as sequências de representação do mundo espiritual, evitando tanto o didatismo excessivo quanto o apelo ao sobrenatural gratuito. O elenco se sai bem dentro de um roteiro que privilegia a densidade emocional sobre a agilidade dramática — críticos apontam que o ritmo perde fôlego em alguns momentos do segundo ato, mas a construção dos personagens centrais é sólida o suficiente para sustentar o interesse até o desfecho. Para o público espírita, é um lançamento de grande relevância; para os demais, uma incursão séria e bem-acabada num gênero que encontra no Brasil um de seus mercados mais consistentes do mundo.
Love Kills
Terror / Romance / Fantasia – Brasil – 16 anos
Direção e Roteiro: Luiza Shelling Tubaldini (baseado na graphic novel homônima de Danilo Beyruth)
Elenco: Thais Lago, Gabriel Stauffer, Tainá Medina, Erom Cordeiro e Iuri Saraiva
Produção: Filmland Internacional – Produtores: Luiza Shelling Tubaldini, André Skaf e Edgard de Castro – Produtora executiva: Magali Assenço – Direção de fotografia: Jacob Solitrenick – Distribuição: O2 Play
Fazer cinema de vampiros no Brasil — com seriedade, ambição estética e sem recorrer ao humor como muleta — é um desafio que pouquíssimas realizadoras teriam a coragem de assumir. Luiza Shelling Tubaldini assume exatamente isso em Love Kills, adaptação da aclamada graphic novel de Danilo Beyruth, Ela parte de uma premissa sedutora: Helena (Thais Lago) é uma vampira imortal que habita as entranhas do centro de São Paulo, no entorno da Cracolândia, assombrando um café decadente onde cruza com Marcos (Gabriel Stauffer), um garçom humano e ingênuo que nada sabe sobre o submundo que o cerca. À medida que os dois se aproximam e o afeto cresce, Marcos é arrastado para uma rede de criaturas imortais e intrigas perigosas que desafiam sua sobrevivência.
O maior trunfo do filme está em sua identidade visual e no uso de São Paulo como cenário não apenas geográfico, mas dramático. Tubaldini enxerga a metrópole (suas ruas noturnas, sua luz artificial, sua beleza áspera e sua violência cotidiana) como extensão do estado interior da protagonista. A fotografia de Jacob Solitrenick explora essa paisagem com olhar de quem a ama e a teme ao mesmo tempo, criando uma estética sombria e elegante que raramente se vê em produções brasileiras do gênero. O vampirismo, aqui, funciona como metáfora de trauma, exclusão e identidade, uma escolha que confere ao roteiro uma camada além do horror de superfície.
Thais Lago entrega uma Helena de presença física intensa, capaz de comunicar a eternidade cansada de quem viveu demasiado sem nunca encontrar pertencimento. Gabriel Stauffer equilibra bem a ingenuidade inicial de Marcos com a transformação que o mergulho no submundo exige. Há quem aponte algumas inconsistências narrativas no terceiro ato, e o filme não reinventa o mito vampírico, mas nem um pouco ele também está a fim de fazer isso. Estreou na Première Brasil do Festival do Rio 2025, e demorou demais para chegar em circuito comercial, Love Kills é um acontecimento para o cinema brasileiro de gênero: prova que fantasia sombria, ambição estética e identidade nacional podem coexistir com elegância.
Quem Tem com Que Me Pague, Não Me Deve Nada
Comédia / Drama – Brasil – 14 anos
Direção: Ary Rosa e Glenda Nicácio
Roteiro: Ary Rosa
Elenco: Rodrigo Pandolfo, Renan Motta, Mariana Nunes, Jackson Costa e Arlete Dias
Produção: Rosza Filmes – Distribuição: ELO Studios
Quem Tem com Que Me Pague, Não Me Deve Nada é uma comédia nacional que acompanha a improvável amizade entre um cineasta em crise — sem projetos, sem dinheiro e sem direção — e um cantor de pagotrap baiano em ascensão. A colisão entre dois mundos culturais opostos — o cinema independente e intelectualizado de um lado, o funk e o pagotrap populares do outro — serve de mola propulsora para situações cômicas que exploram diferenças de classe, linguagem e visão de mundo. A trama promete trabalhar o afeto como elemento de transformação mútua: ao longo da jornada, os dois protagonistas aprendem que suas formas de ver a vida têm mais em comum do que eles supunham.
Hokum: O Pesadelo da Bruxa
Terror Sobrenatural – Irlanda / Emirados Árabes Unidos / EUA – 18 anos
Título Original: Hokum
Direção e Roteiro: Damian McCarthy
Elenco: Adam Scott, Peter Coonan, David Wilmot, Florence Ordesh, Michael Patric, Will O’Connell, Brendan Conroy e Austin Amelio
Produção: Image Nation Abu Dhabi, Spooky Pictures, Team Thrives, Tailored Films e Cweature Features – Produtores: Roy Lee, Steven Schneider, Derek Dauchy, Ruth Treacy, Julianne Forde e Mairtín de Barra
Há cineastas que constroem uma obra com a consistência de quem assina cada tijolo de uma catedral. Damian McCarthy é um deles. Com apenas três longas-metragens — Caveat (2020), Oddity (2024) e agora Hokum: O Pesadelo da Bruxa —, o diretor irlandês consolidou uma das carreiras mais admiradas do terror contemporâneo, com os três filmes acima de 87% no Rotten Tomatoes e uma linguagem inconfundível que mistura folclore celta, atmosfera sufocante e personagens emocionalmente fraturados. Hokum chega com 96% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes após estreia elogiada no SXSW em março de 2026, e não decepciona.
A trama coloca Ohm Bauman (Adam Scott), um escritor famoso pela trilogia Conquistador, às voltas com o bloqueio criativo enquanto tenta concluir o capítulo final da série. Para dispersar a mente (e cumprir a última vontade dos pais), ele viaja até um remoto hotel no interior da Irlanda para espalhar as cinzas deles. O que o espera não é descanso: o estabelecimento carrega a lenda de uma bruxa que assombra a suíte nupcial, e logo Ohm passa a ser consumido por visões perturbadoras e por um desaparecimento que o força a encarar aspectos sombrios do próprio passado. A sinopse lembra O Iluminado (escritor isolado, hotel assombrado, deterioração psicológica), mas McCarthy não imita: reinventa.
Adam Scott, conhecido pelo papel de Mark Scout na série Ruptura (Apple TV), entrega aqui o que vários críticos chamam de a melhor performance de sua carreira. Seu Ohm é contido e irônico na superfície, mas carregado de uma ansiedade que vai se fissurando à medida que o hotel revela seus segredos. McCarthy, por sua vez, demonstra que domina com maestria a alternância entre o silêncio opressivo e o susto certeiro — um equilíbrio que poucos diretores de terror conseguem sustentar. O folclore irlandês, incorporado de forma orgânica em vez de decorativa, confere ao filme uma identidade cultural que o distancia do horror genérico de estúdio. O consenso da crítica no Rotten Tomatoes define Hokum como uma releitura clássica da história de casa mal-assombrada enriquecida por atmosfera e choques precisamente calibrados, e solidifica McCarthy como um mestre moderno do terror. Para o público brasileiro, é a mais estimulante estreia de horror desta semana.
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