filmes em cartaz nos cinemas

Filmes em cartaz nos cinemas – Semana de 2 de abril de 2026

Divirta-se Cinema Noticias

SUPER MARIO GALAXY: O FILME

Animação – EUA – Classificação Livre

Direção: Aaron Horvath e Michael Jelenic

Roteiro: Matthew Fogel

Elenco: Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Charlie Day, Jack Black, Keegan-Michael Key, Brie Larson, Benny Safdie e Donald Glover

Produção: Illumination e Nintendo

A aguardada sequência de animação da Nintendo tenta elevar a aposta ao levar Mario e seus companheiros para uma jornada cósmica, nada mal até aí. As agruras começam quando o filme acaba tropeçando em problemas narrativos similares aos que houveram no primeiro filme (Super Mario Bros, o filme). Embora a diversão seja garantida para o público mais jovem e para os fãs ávidos por referências dos jogos, a história sofre com um excesso de personagens e uma execução acelerada.

A trama apresenta Rosalina como uma figura central, porém, segundo a crítica, a personagem termina subutilizada diante de um roteiro que prioriza piadas rápidas e sequências de ação caóticas em vez de adentrar na profundidade do personagem. Enquanto a jornada de autodescoberta da Princesa Peach oferece algum fôlego dramático, o conflito central e o desenvolvimento dos novos heróis e vilões parecem superficiais. O resultado é uma experiência visualmente rica, mas que falha em dar personalidade real aos seus ícones, resultando em um entretenimento que, embora sempre seja energético, soa passageiro e excessivamente dependente de nostalgia. Uma diversão mediana para quem não é do mundo Mário, mas garantida para os aficcionados.

A ÚLTIMA CEIA

Suspense – EUA – 14 anos

Direção: Mauro Borrelli

Roteiro: Mauro Borrelli e John Collins

Elenco: James Oliver Wheatley, Jamie Ward, Robert Knepper, James Faulkner, Charlie MacGechan e Nathalie Rapti Gomez

Produção: Pinnacle Peak Pictures

Esta nova adaptação bíblica busca revitalizar um dos eventos mais conhecidos da história cristã, focando não apenas na figura central de Jesus, mas nas complexas motivações de seus seguidores e opositores. O longa se diferencia ao explorar profundamente os dilemas internos de figuras como Pedro, Judas e Caifás, oferecendo uma perspectiva mais humanizada sobre a traição e a negação.

Embora o roteiro tente inovar ao alternar entre o ritual da Páscoa judaica e a instituição da Eucaristia, a execução oscila entre momentos de brilho e passagens um pouco arrastadas. Robert Knepper entrega a performance mais impactante, criando um Judas atormentado que desperta empatia, enquanto James Oliver Wheatley apresenta um Pedro mais contido. O filme evita a violência gráfica de outras versões famosas, preferindo um tom mais reflexivo e espiritual, o que o torna acessível para famílias, ainda que falte, segundo alguns especialistas, uma visão artística verdadeiramente ousada que o destaque no infindável gênero de adaptações pretensamente fiéis da Bíblia.

A CRONOLOGIA DA ÁGUA

Drama biográfico – EUA – 18 anos

Direção: Kristen Stewart

Roteiro: Kristen Stewart e Andy Mingo (baseado no livro de Lidia Yuknavitch)

Elenco: Imogen Poots, Thora Birch, Michael Epp, Jim Belushi, Tom Sturridge, Kim Gordon e Susannah Flood.

Produção: Scott Free Productions, CG Cinéma e Nevermind Pictures.

A estreia de Kristen Stewart na direção de longa-metragens entrega uma obra crua e visceral, adaptada das memórias de Lidia Yuknavitch. O filme utiliza uma narrativa fragmentada para explorar a trajetória de uma mulher marcada por traumas de infância e o uso da escrita como ferramenta de sobrevivência. Através de um olhar artístico e pouco convencional, a produção mergulha em temas como abuso, vício e a descoberta da própria sexualidade.

A crítica destaca que a estrutura não linear, embora possa afastar o público que busca algo mais tradicional, é fundamental para transmitir a confusão emocional da protagonista. Imogen Poots entrega uma atuação poderosa e exposta, ancorando os saltos temporais e as cenas de autodestruição com uma intensidade rara. Apesar de alguns momentos parecerem repetitivos ou excessivamente estilizados, o filme é celebrado por sua honestidade brutal ao retratar a resiliência feminina e a transformação da dor em arte, consolidando Stewart como uma cineasta de voz autêntica e corajosa.

RUAS DA GLÓRIA

Drama – Brasil

Direção: Felipe Sholl

Roteiro: Felipe Sholl

Elenco: Caio Macedo, Alejandro Claveaux, Diva Menner, Daniel Rangel, Jade Sassarà, Alan Ribeiro e Sandro Aliprandini.

Produção: Syndrome Filmes (em coprodução com Telecine e RioFilme)

“Ruas da Glória” mergulha na efervescência urbana do Rio de Janeiro para narrar uma trajetória de obsessão e descoberta. A trama acompanha Gabriel, um jovem que busca liberdade na capital fluminense e acaba desenvolvendo uma fixação perigosa por um garoto de programa. A narrativa do roteiro de Felipe Scholl utiliza essa relação como eixo para discutir a solidão contemporânea e a dificuldade de estabelecer vínculos afetivos saudáveis em ambientes marcados pela marginalidade.

A obra aposta em uma estética visceral e direta, muitas vezes priorizando o impacto imediato das cenas em detrimento de uma construção dramática mais profunda. Embora as performances centrais de Caio Macedo e Alejandro Claveaux tragam a intensidade necessária para sustentar o clima de dependência emocional, o roteiro é por vezes criticado por sua estrutura rarefeita e circular. O filme evita romantizar o submundo que retrata, preferindo focar no esgotamento psicológico de seu protagonista, resultando em uma experiência cinematográfica que busca mais provocar desconforto do que oferecer respostas fáceis sobre desejo e identidade.

A MULHER MAIS RICA DO MUNDO

Suspense – França – 14 anos

Direção: Thierry Klifa

Roteiro: Thierry Klifa, Cédric Anger e Jacques Fieschi

Elenco: Isabelle Huppert, Laurent Lafitte, Marina Foïs, Raphaël Personnaz, André Marcon e Mathieu Demy.

Produção: Récifilms e Versus Production.

Inspirado no escandaloso caso real da herdeira da L’Oréal, este drama satírico mergulha na vida de Marianne Farrère, a mulher mais rica do mundo, cujo império cosmético serve de pano de fundo para um jogo de poder e manipulação. Entediada em um casamento apático e distante da filha, Marianne encontra um novo fôlego ao se encantar pela irreverência de um fotógrafo charmoso. No entanto, o que começa como uma amizade vibrante logo desperta o alerta de seus herdeiros, que veem a fortuna da família ameaçada por essa relação de dependência.

Embora a obra tente evocar a tensão de produções como Succession, o roteiro por vezes carece de um instinto mais aguçado para a malícia, resultando em um tom mais sóbrio e menos ácido do que o esperado. O grande trunfo reside na performance de Isabelle Huppert, que transita entre a altivez gélida e uma vulnerabilidade comovente. Ao lado de Laurent Lafitte, a dupla entrega um duelo magnético que sustenta o interesse, mesmo quando a trama se torna previsível. É um retrato fascinante sobre como o excesso de riqueza pode isolar o indivíduo em uma redoma de solidão e desejo de pertencimento.

ZERO D.C.

Drama histórico – EUA

Direção: Dallas Jenkins

Roteiro: Dallas Jenkins e Tyler Thompson

Elenco: Sam Worthington, Indira Varma, Diego Boneta, Jordan Kristine Seamón, Mido Hamada e Azhy Robertson

Produção: Kingdom Story Company e Lionsgate

Esta nova produção bíblica, vinda da mesma equipe por trás da série fenômeno “Os Escolhidos” (The Chosen), propõe uma imersão nos eventos que cercam o nascimento de Jesus Cristo sob uma ótica de urgência e perigo. A narrativa foca no decreto do Rei Herodes e na perseguição que força a fuga da Sagrada Família, buscando um realismo mais cru do que as adaptações tradicionais do gênero costumam apresentar.

O grande destaque do projeto é a transformação física de seu elenco principal. Sam Worthington assume um papel de comando com uma caracterização densa, enquanto Indira Varma e Diego Boneta entregam performances que buscam humanizar figuras históricas em meio a um cenário de opressão política e religiosa. A crítica observa que o filme se esforça para equilibrar a reverência ao material original com uma estrutura de thriller de sobrevivência, tentando atrair tanto o público fiel de obras religiosas quanto espectadores que buscam um drama histórico mais intenso. Apesar de seguir uma cronologia conhecida, a obra ganha fôlego ao focar na tensão psicológica dos personagens diante de um destino inevitável, consolidando o estilo da produtora em humanizar o divino.

CINCO TIPOS DE MEDO

Drama – Brasil – 14 anos

Direção: Bruno Bini

Roteiro: Bruno Bini

Elenco: Rui Ricardo Diaz, Bárbara Colen, João Vitor Silva, Bella Campos, Xamã

Produção: Plano B Filmes, Druzina Content, Quanta

Cinco Tipos de Medo constrói seu universo a partir de fragmentos humanos em colapso silencioso. Bruno Bini apresenta Murilo, jovem músico consumido pelo luto, e Marlene, enfermeira aprisionada num relacionamento violento com um traficante — dois personagens cujas feridas internas ditam cada escolha. Rui Ricardo Diaz e Bárbara Colen habitam esses papéis com uma contenção que amplifica a tensão, transformando gestos pequenos em sinais de perigo iminente.

Do outro lado dessa equação humana, surgem Luciana, policial guiada por uma vingança que corrói qualquer senso de justiça, e Ivan, advogado cujas intenções jamais se revelam por completo. João Vitor Silva, Bella Campos e Xamã completam um elenco afinado que carrega o peso de um roteiro sem concessões. Bini não amarra pontas nem distribui absolvições — ele apenas deixa que cinco trajetórias colidam com a força silenciosa do inevitável.