Filmes em Cartaz nos Cinemas – Semana de 26 de março de 2026

Divirta-se Cinema Noticias

NUREMBERG

Drama Histórico – EUA – 12 anos

Direção: James Vanderbilt

Roteiro: James Vanderbilt

Elenco: Russell Crowe, Rami Malek, Michael Shannon, Leo Woodall, John Slattery, Richard E. Grant, Colin Hanks, Mark O’Brien, Wrenn Schmidt, Lydia Peckham, Lotte Verbeek, Andreas Pietschmann, Steven Pacey, Donald Sage Mackay, Ben Miles

James Vanderbilt estreia na direção com drama convencional sobre os julgamentos que ficaram célebres após a Segunda Guerra Mundial. O filme acompanha o psiquiatra americano Douglas Kelley (Rami Malek) enviado à Alemanha em 1945 para avaliar a sanidade mental dos 22 nazistas prisioneiros, garantindo que permaneçam vivos para o julgamento. Entre eles está Hermann Göring (Russell Crowe), braço direito de Hitler e segundo na hierarquia do Reich.

Crowe entrega sua melhor performance em anos, incorporando o marechal corpulento e pomposo com carisma manipulador que domina cada cena. Falando extensos diálogos em alemão antes de alternar para inglês, constrói Göring como egomaníaco ardiloso que nega conhecimento sobre o Holocausto através de elaboradas defesas retóricas. É um trabalho transformador que justifica comparações até mesmo com sua atuação em “Gladiador”.

O problema reside na direção conservadora de Vanderbilt e no roteiro que evita riscos. Na outra ponta, Malek luta com um papel mal definido, trazendo insegurança inconvincente ao psiquiatra fascinado por seus pacientes (impossível não lembrar de seu Freddie Mercury em “Bohemian Rhapsody”), um trabalho que parece não ter dado tempo de ser desenvolvido. Michael Shannon, John Slattery e Richard E. Grant aparecem desperdiçados em papéis unidimensionais.

O filme funciona como lição histórica decente, incorporando footage chocante do Holocausto que interrompe narrativa polida. Porém, Vanderbilt nunca penetra verdadeiramente a psicologia do mal, optando por apresentação prestigiosa ao estilo Oscar old-school repleta de staging solene e diálogos excessivamente escritos. A mensagem sobre os perigos do autoritarismo contemporâneo é passada sem sutileza onde Kelley adverte sobre os futuros regimes paralelos.

Com 148 minutos, o ritmo medido mantém envolvimento sem jamais alcançar tensão psicológica prometida pelo duelo intelectual central. É cinema competente mas cauteloso que educa sem provocar genuinamente.

VELHOS BANDIDOS

Policial – Brasil – 12 anos

Direção: Cláudio Torres

Roteiro: Cláudio Torres, Fábio Mendes, Renan Flumian

Elenco: Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine

Produção: Conspiração Filmes, Globo, The Walt Disney Company Brasil

Marta (Montenegro) e Rodolfo (Fontoura), um casal de quase centenários, planejam roubar barras de ouro de um banco carioca. Quando os jovens golpistas Nancy (Bruna Marquezine) e Sid (Vladimir Brichta) tentam assaltá-los, os idosos invertem situação e recrutam o casal para o grande golpe, enquanto o investigador Oswaldo Aranha (Lázaro Ramos) persegue o bando.

A química entre Montenegro (96 anos) e Fontoura (93) domina completamente, evocando a parceria clássica dela com Paulo Autran em “Guerra dos Sexos”. Marquezine e Brichta funcionam adequadamente como contraponto jovem, embora seus personagens permaneçam subescritos. Lázaro Ramos aparece desperdiçado em papel simples demais para seu carisma.

O roteiro de Torres, Fábio Mendes e Renan Flumian acerta mais no texto espirituoso que na estrutura. A direção tropeça em timing cômico irregular — piadas surgem sem ritmo consistente, e sequências de ação carecem de tensão genuína. Diálogos excessivamente expositivos subestimam inteligência da audiência, enquanto montagem arrastada prejudica momentos que deveriam ser dinâmicos.

Há uma tentativa genuína de subverter estereótipos etários ao dar protagonismo vigoroso aos veteranos, afastando-os de representações frágeis. Porém, incongruências narrativas esperam justificar-se pelo simples fato de constituírem uma “mera diversão”. As referências geracionais abundam através de participações especiais de Reginaldo Faria, Vera Fischer, Tony Tornado e Nathália Timberg.

Torres nunca encontra equilíbrio entre comédia de assalto e paródia da comédia de assalto, oscilando desconfortavelmente entre a autossuficiência narrativa e a homenagem aos clássicos do gênero.

Ainda assim, há prazer inegável em ver Montenegro e Fontoura comandando ação com uma vitalidade contagiante. Para quem busca um entretenimento leve sustentado exclusivamente por presença estelar, “Velhos Bandidos” entrega exatamente o prometido — nada mais, nada menos.

VINGADORA

Ação / Suspense – EUA – 16 anos

Direção: Adrian Grunberg

Roteiro: Bong-Seob Mun

Elenco: Milla Jovovich, Matthew Modine, Isabel Myers, D.B. Sweeney, Arica Himmel, Gabriel Sloyer, Don Harvey e Texas Battle.

Produção: 828 Productions, American Picture House, Blossom Entertainment, SSS Entertainment, BondIt Media Capital.

Desde o sucesso de Busca Implacável, o cinema de ação consolidou um subgênero focado em pais dispostos a tudo para resgatar seus filhos. “Vingadora” tenta seguir essa trilha, trazendo Milla Jovovich como Nikki, uma ex-militar que vê sua vida pacata ser destruída quando sua filha, Chloe, é sequestrada por uma rede de tráfico humano.

Embora o filme apresente uma premissa familiar, ele sofre para encontrar uma identidade própria. A narrativa recicla clichês já conhecidos e se apoia em diálogos excessivamente explicativos, o que pode cansar até os fãs mais fervorosos do gênero. No entanto, o carisma e a fisicalidade de Jovovich conseguem elevar alguns momentos, mostrando que ela ainda é uma força dominante no cinema de ação, mesmo em produções mais genéricas.

O longa também arrisca com uma reviravolta no terceiro ato que promete dividir opiniões por sua natureza inesperada e, para alguns, bizarra. No fim, “Vingadora” entrega o que se espera de um suspense de vingança, mas falha em trazer o frescor necessário para se destacar em um mar de imitações. É uma obra que vale pela performance dedicada de sua protagonista, apesar das limitações do roteiro.

13 DIAS, 13 NOITES

Drama – França – 16 anos

Direção: Martin Bourboulon

Roteiro: Martin Bourboulon e Alexandre Smia (baseado no livro de Mohamed Bida)

Elenco: Roschdy Zem, Lyna Khoudri, Sidse Babett Knudsen, Christophe Montenez.

Produção: Pathé, Chapter 2

O cinema francês volta seus olhos para os eventos dramáticos de agosto de 2021 com 13 Dias, 13 Noites. O filme mergulha no caos da tomada de Cabul pelo Talibã, focando na missão desesperada de resgate liderada pelas forças francesas. A trama acompanha o esforço para retirar cidadãos e aliados em meio ao colapso político e social da região.

Embora utilize certas fórmulas conhecidas dos suspenses de ação e momentos de exaltação nacionalista, a obra se sustenta pela urgência dos fatos. Roschdy Zem entrega uma atuação sólida, equilibrando a autoridade de um oficial experiente com a humanidade necessária para lidar com refugiados em pânico. A narrativa consegue transmitir a claustrofobia da embaixada cercada e o perigo iminente das ruas, tornando a experiência genuinamente angustiante.

Ainda que o roteiro por vezes se apoie em soluções previsíveis, a relevância histórica e a direção ágil garantem um retrato impactante de uma das operações de resgate mais complexas da história recente. É um filme que honra a bravura individual sem ignorar a tragédia coletiva que se desenrolava nos portões do aeroporto.

AISHA CAN’T FLY AWAY

Drama – Egito / França / Alemanha – 16 anos

Direção: Morad Mostafa

Roteiro: Morad Mostafa, Sawsan Yusuf e Mohamed Abdelqader

Elenco: Buliana Simon, Ziad Zaza, Mamdouh Saleh, Emad Ghoniem, Maya Mohamed e Mohamed Abd Elhady

Produção: Bonanza Films, Mayana Films, Nomadis Images, Shift Studios, Coorigins e Arabia Pictures.

A estreia em longa-metragem do diretor Morad Mostafa mergulha nas complexidades da imigração africana no Egito através dos olhos de Aisha, uma cuidadora sudanesa de 26 anos. Vivendo no bairro de Ain Shams, no Cairo, ela se vê presa em uma teia de exploração que envolve desde gangues locais até as exigências abusivas daqueles que deveria cuidar.

O filme evita o melodrama fácil, optando por um realismo social denso que, por vezes, flerta com o horror corporal e o surrealismo — simbolizado por sequências oníricas envolvendo um avestruz. Buliana Simon entrega uma performance central magnética e contida; seu rosto, quase estático, carrega o peso de um sistema que a despoja de sua humanidade. Ela é obrigada a colaborar com o crime para manter sua moradia, evidenciando como a vulnerabilidade social anula escolhas éticas.

Embora a narrativa possa parecer sobrecarregada por simbolismos e uma duração extensa, a obra é um soco no estômago sobre a invisibilidade dos refugiados. Mostafa constrói um ambiente sufocante onde o “voar” (fly away) do título parece uma liberdade impossível, transformando o cotidiano de Aisha em um ciclo de resistência silenciosa e desesperadora.