Filmes no Cinema Hoje

Filmes no Cinema Hoje – Estreias de 29 de outubro de 2026

Divirta-se Cinema Noticias

Enquanto que em determinadas semanas há certa falta de estreias nos cinemas (motivadas seja para não concorrer com determinados feriados, ou mesmo por concentrar títulos para outras semanas) os filmes no cinema hoje chegam em grande número, e com opções para todos os públicos. Georgia Oakley assina a primeira grande adaptação de “Razão e Sensibilidade” dirigida por uma mulher, com Daisy Edgar-Jones e Esmé Creed-Miles como as irmãs Dashwood. O estúdio LAIKA, de “Coraline”, volta aos cinemas depois de sete anos com “O Bosque Selvagem”, animação em stop-motion que a crítica internacional já trata como um dos grandes filmes do ano. Paweł Pawlikowski, premiado como Melhor Direção em Cannes, traz Sandra Hüller em “A Terra do Meu Pai”. O cinema nacional chega forte com “100 Dias”, de Carlos Saldanha, sobre a travessia de Amyr Klink, e “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você”, com Giulia Be e Any Gabrielly. E a semana marca ainda a abertura do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil, com o díptico sobre Charles de Gaulle e comédias com Isabelle Huppert e Laure Calamy. Bora cinemar?

RAZÃO E SENSIBILIDADE

Drama / Histórico / Romance | Reino Unido / EUA | 10 anos

Direção: Georgia Oakley

Roteiro: Diana Reid (baseado no romance Razão e Sensibilidade, de Jane Austen)

Elenco: Daisy Edgar-Jones (Elinor Dashwood), Esmé Creed-Miles (Marianne Dashwood), Caitríona Balfe (Sra. Dashwood), Frank Dillane (John Willoughby), George MacKay (Edward Ferrars), Herbert Nordrum (Coronel Brandon), Bodhi Rae Breathnach (Margaret Dashwood), Fiona Shaw, Stacy Martin e Tom Brooke

Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, India Flint e Jo Wallett (Working Title / Focus Features)

Após a morte do patriarca, que deixa herança e propriedades para o único filho do primeiro casamento, a viúva Sra. Dashwood e suas três filhas ficam sem casa e sem renda. Instaladas num chalé emprestado em Devonshire, a pragmática Elinor e a romântica Marianne descobrem que a falta de fortuna encolhe suas chances de casamento: Marianne se divide entre o sedutor Willoughby e o mais velho Coronel Brandon, enquanto Elinor se apaixona por Edward Ferrars, um rapaz já comprometido. Razão e Sensibilidade é o primeiro grande longa baseado no livro de 1811 a ser dirigido por uma mulher, e Georgia Oakley escolheu colocar a relação entre as irmãs no centro de tudo.

A recepção internacional foi majoritariamente positiva, embora não unânime. Uma ala da crítica celebra a beleza das imagens e a química entre Edgar-Jones, Creed-Miles, Balfe e Breathnach, colocando o filme entre as melhores adaptações de Austen dos últimos anos; houve até quem o chamasse de filme mais romântico do ano e apontasse este como o melhor trabalho de Daisy Edgar-Jones no cinema. Outra parte considera a versão correta, mas sem brilho: o tom é mais áspero e terroso, mais próximo das adaptações recentes de Emily Brontë ou Thomas Hardy do que da ironia leve de Austen, e há quem reclame de uma paleta que parece fugir de cores vivas. A comparação com a versão de 1995, roteirizada por Emma Thompson e vencedora do Oscar, é inevitável, e o consenso é que Oakley não tenta repeti-la: prefere aproximar o espectador pela textura, pela intimidade e pelo modo como a perda de dinheiro e posição social atravessa a vida das Dashwood.

O BOSQUE SELVAGEM

Animação / Fantasia / Aventura | EUA | 12 anos

Direção: Travis Knight

Roteiro: Chris Butler (baseado no livro Wildwood, de Colin Meloy e Carson Ellis)

Elenco (vozes originais): Peyton Elizabeth Lee (Prue McKeel), Jacob Tremblay (Curtis), Carey Mulligan, Mahershala Ali, Angela Bassett, Awkwafina, Jake Johnson, Charlie Day, Richard E. Grant, Maya Erskine, Tantoo Cardinal e Tom Waits. Na versão dublada brasileira, Giulia Benite dá voz a Prue.

Produção: LAIKA

Existe um bosque escondido logo depois da cidade, que não aparece em nenhum mapa e de onde ninguém volta. É para lá que uma revoada de corvos leva o irmãozinho de Prue McKeel, a mando de uma feiticeira. Ao lado do colega Curtis, Prue atravessa um mundo de bandidos, animais falantes e figuras poderosas para trazê-lo de volta. O Bosque Selvagem é o primeiro longa da LAIKA desde Link Perdido (2019) e levou cerca de dezesseis anos para sair do papel. Com 132 minutos, é uma duração incomum para qualquer animação, e ainda mais para uma feita quadro a quadro com bonecos.

A crítica internacional recebeu o filme com entusiasmo raro. Há quem o considere o melhor trabalho da história do estúdio, acima de Coraline e Kubo e as Cordas Mágicas. Um antídoto artesanal num momento em que a inteligência artificial ocupa o debate sobre animação. Os textos destacam a escala dos cenários e a coragem de abordar temas sombrios: o filme abre com uma cena perturbadora e trata, acima de tudo, de luto e do peso de carregá-lo, assunto que Travis Knight conhece de perto após a perda do irmão. As ressalvas mais frequentes dizem respeito justamente ao tom, pesado demais para crianças pequenas, e ao fato de a obra mirar sobretudo adolescentes e adultos fãs de animação. No Brasil, a crítica também foi calorosa, tratando o longa como uma obra-prima épica sobre amor e perda e como forte candidato ao Oscar de Melhor Animação.

A TERRA DO MEU PAI

Drama / Biografia | Alemanha / Polônia / Itália / França / Reino Unido | 12 anos

Direção: Paweł Pawlikowski

Roteiro: Paweł Pawlikowski e Hendrik Handloegten

Elenco: Hanns Zischler (Thomas Mann), Sandra Hüller (Erika Mann), August Diehl (Klaus Mann), Devid Striesow e Anna Madeley (Betty Knox)

Produção: Mario Gianani, Lorenzo Mieli, Ewa Puszczyńska, Jeanne Tremsal, Edward Berger, Dimitri Rassam e Lorenzo Gangarossa

Verão de 1949, auge da Guerra Fria. Depois de dezesseis anos de exílio nos Estados Unidos, o Nobel de Literatura Thomas Mann volta à Alemanha para receber homenagens nos dois lados da Cortina de Ferro: primeiro em Frankfurt, sob domínio americano, depois em Weimar, sob controle soviético. A bordo de um Buick preto conduzido pela filha Erika, atriz, escritora e pilota de rali, ele atravessa um país em ruínas e é obrigado a encarar não só a nação dividida, mas as feridas da própria família, abaladas pela morte recente do filho Klaus. Rodado em preto e branco e no formato quadrado que marcou Ida e Guerra Fria, A Terra do Meu Pai fecha uma espécie de trilogia histórica do cineasta polonês e lhe rendeu o prêmio de Melhor Direção em Cannes 2026.

A crítica internacional é quase toda elogiosa. Os textos destacam a concisão de um filme que resolve em apenas 82 minutos o que muitas cinebiografias não alcançam em três horas, concentrando-se em poucos dias em vez de narrar uma vida inteira. Hanns Zischler compõe um Mann reservado, diplomático e calculista, um artista admirável e antifascista que falha como pai, enquanto Sandra Hüller é apontada como o coração do filme, numa atuação contida e magnética. A fotografia de Łukasz Żal recebe menções constantes. Vale saber que o roteiro toma uma liberdade relevante: na vida real, Mann fez essa viagem com a esposa, Katia, e não com Erika, uma licença que a crítica considera tão bem construída que passa despercebida. O roteiro, denso de referências literárias e trechos de discursos do escritor, pode afastar quem não conhece Mann, mas a avaliação predominante é de que o filme se sustenta mesmo para leigos.

100 DIAS

Drama / Biografia / Aventura | Brasil | 12 anos

Direção: Carlos Saldanha

Roteiro: Elena Soárez e Thais Tavares (inspirado no livro Cem Dias entre Céu e Mar, de Amyr Klink)

Elenco: Filipe Bragança (Amyr Klink), Philippine Leroy-Beaulieu (Asa Frieberg Klink), Felipe Camargo (Jamil Klink), João Vitor Silva (Tymur Klink), Gero Camilo e Martha Nowill

Produção: Pivô Audiovisual (produtora Justine Otondo). Distribuição: Disney

Em 1984, Amyr Klink partiu sozinho de Lüderitz, na Namíbia, num pequeno barco a remo e chegou cem dias depois ao litoral da Bahia, tornando-se a primeira pessoa a atravessar o Atlântico Sul dessa maneira, num percurso de quase sete mil quilômetros. 100 Dias reconstitui a travessia, mas vai além da proeza física: o roteiro investiga a relação complicada de Amyr com a família, sobretudo com o pai, e trata a viagem como uma jornada de autoconhecimento em que o navegador precisa atravessar a si mesmo.

É o primeiro longa inteiramente em live-action de Carlos Saldanha, conhecido mundialmente por A Era do Gelo e Rio, e o projeto levou cerca de oito anos para ficar pronto. O filme encerrou o Festival do Rio fora de competição e chega cercado de expectativa como possível aposta brasileira no Oscar. O próprio Amyr Klink elogiou publicamente a fidelidade da produção aos detalhes da travessia e revelou ter feito uma concessão poética ao diretor para algumas mudanças na história. Saldanha conta que Filipe Bragança passou por preparação intensa, com dieta, perda de peso e aulas de remo, e longas horas de filmagem em tanque. Críticas especializadas publicadas sobre o filme não foram encontradas até o fechamento desta edição.

TRÊS HORAS PARA VIVER

Ação / Comédia / Suspense | EUA | 16 anos

Direção: Scott Waugh

Roteiro: Miles Hubley e Tommy White

Elenco: Alan Ritchson (Hank Malone), Owen Wilson (Ben Bishop), Rodrigo Santoro (Damián Zaldívar), Leila George (Kate), Adriana Barraza, Sullivan Stapleton, Peta Sergeant e Geraldine Hakewill

Produção: Alan Ritchson, Todd Garner, Mark Fasano e Jeffrey Greenstein

Hank Malone é um ex-militar que vive discretamente como entregador de elite. Sua nova missão parece simples: levar um fígado raro até o hospital onde uma menina de sete anos aguarda o transplante. O problema é que o líder de um cartel, vivido por Rodrigo Santoro, quer o órgão para si, e Hank precisa cumprir a entrega em menos de três horas ao lado de Ben, um falante e nervoso funcionário do serviço médico. Três Horas Para Viver é um filme de ação à moda antiga, rodado na Austrália, que aposta na dupla de opostos como motor.

A maioria das críticas foi favorável, e o ponto mais elogiado é a química entre Ritchson e Wilson: o porte físico quase indestrutível do astro de Reacher combina bem com o humor ansioso de Wilson, e o contraste entre os estilos de atuação funciona para os personagens. Os textos positivos destacam o ritmo, o peso das lutas e a clareza das cenas de ação, terreno que Scott Waugh, ex-dublê, domina. As ressalvas apontam uma violência excessiva, que em alguns momentos destoa das intenções cômicas do filme, e uma trama genérica e esquecível. O retrato que emerge é o de uma diversão eficiente para quem gosta do gênero, sem grandes pretensões.

NO LIMITE DA JUSTIÇA

Ação / Policial / Suspense | EUA | 16 anos

Direção: Elegance Bratton

Roteiro: Sascha Penn

Elenco: Yahya Abdul-Mateen II (Wayne Strider), Mark Wahlberg (Greg Scarpa), Nicole Beharie (Allison Strider), Giancarlo Esposito (Vernon Dahmer), David Strathairn, Josh Lucas, Ethan Embry e LisaGay Hamilton

Produção: Basil Iwanyk, Erica Lee, Mark Wahlberg, Stephen Levinson, Elegance Bratton, Chester Algernal Gordon e Alex Lebovici (Hammerstone Studios / Paramount Pictures)

Mississippi, 1966. Enviado para investigar uma onda de ataques da Ku Klux Klan contra líderes dos direitos civis, incluindo o assassinato do ativista Vernon Dahmer, o jovem agente negro do FBI Wayne Strider é obrigado a trabalhar ao lado de Greg Scarpa, um dos matadores mais notórios da máfia de Nova York. No Limite da Justiça parte de uma história real para montar uma dupla improvável: o agente que segue as regras e o criminoso que resolve tudo com violência.

Segundo longa de Bratton, que estreou com o elogiado The Inspection, o filme dividiu a crítica. O consenso está na atuação de Yahya Abdul-Mateen II, apontada como a âncora dramática da história, cheia de nuances num personagem que precisa calcular o perigo o tempo todo. Já Mark Wahlberg, quase irreconhecível com prótese e peruca, é visto por uns como uma presença magnética e por outros como uma caricatura que rouba espaço do colega. Muitos textos comparam a dinâmica a clássicos do gênero policial de dupla, como Máquina Mortífera, e apontam que a escolha de transformar um capítulo sombrio da história americana em filme de vingança e parceria gera atrito: a obra oscila entre o filme de exploração e o drama histórico sério, sem se decidir por nenhum. Para alguns, o resultado é empolgante, ainda que derivativo; para outros, o roteiro repete seu argumento sem aprofundá-lo.

AS DEZ VANTAGENS DE MORRER DEPOIS DE VOCÊ

Comédia Dramática | Brasil | 14 anos

Direção: Diego Freitas

Roteiro: Diego Freitas e Rod Azevedo (baseado no livro homônimo de Fernanda de Castro Lima)

Elenco: Giulia Be (Julia), Any Gabrielly (Gabi), Sheron Menezzes, Pâmela Germano (Lorena), Daniel Rangel, Paulo Lessa, Leo Jaime, Regiane Alves e Juliano Floss

Produção: Marcio Fraccaroli, Andre Fraccaroli e Veronica Stumpf (Paris Entretenimento)

Julia e Gabi são amigas desde a infância, embora não pudessem ser mais diferentes: Gabi é cautelosa, tímida e foge de desafios, enquanto Julia é extrovertida e se joga em tudo o que a atrai. Quando uma mentirinha espalhada sem maldade termina num acidente de carro, Julia precisa passar por uma cirurgia de risco e deixa para a amiga um presente inesperado: dez cartas com dez desafios a cumprir caso ela não sobreviva. As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você adapta o livro lançado em 2019 por Fernanda de Castro Lima.

O filme marca a estreia nos cinemas de Any Gabrielly, voz brasileira de Moana e ex-integrante do Now United, e reúne Giulia Be novamente com Diego Freitas, com quem ela fez Depois do Universo. A dupla Freitas e Rod Azevedo vem também do sucesso Caramelo, na Netflix. Previsto inicialmente para julho e depois para agosto, o lançamento foi transferido para esta semana.

EVEREST: O OUTRO LADO

Documentário / Aventura | EUA | 14 ANOS

Direção: Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin

Roteiro: Jimmy Chin, Lindsey Ferrentino e Elizabeth Chai Vasarhelyi

Elenco: Jim Morrison, Hilaree Nelson e Jimmy Chin

Produção: Elizabeth Chai Vasarhelyi, Jimmy Chin, Shannon Dill, Anna Barnes, Bob Eisenhardt e Janet Yang (National Geographic Documentary Films / Little Monster Films)

Os esquiadores de montanha Jim Morrison e Hilaree Nelson formavam um dos casais mais admirados do alpinismo e compartilhavam um sonho audacioso: subir e descer esquiando a face norte direta do Everest, uma das rotas mais perigosas da montanha mais alta do mundo, feito que ninguém havia realizado. Everest: O Outro Lado, dos diretores de Free Solo, vencedor do Oscar, começou como um filme de aventura e se transformou em outra coisa depois que Hilaree morreu numa avalanche. O documentário acompanha Morrison na tentativa abortada e na escalada bem-sucedida de 2025, com Jimmy Chin escalando ao seu lado.

Exibido em Veneza, Telluride, Toronto e Londres, o filme foi recebido como um retrato de amor, luto e risco extremo, e a crítica destaca sobretudo as imagens de tirar o fôlego, filmadas para telas IMAX, e a forma como o casal é apresentado para além das manchetes. Alguns textos o descrevem como uma experiência emocionalmente avassaladora e até superior a Free Solo em ambição. A principal ressalva vem de quem esperava mais: parte da crítica considera que o documentário não interroga a fundo as questões éticas no coração do tema, como até onde vale arriscar a vida e o que isso custa para quem fica, embora os próprios diretores reconheçam esse dilema em cena.

OZZY & BLACK SABBATH: BACK TO THE BEGINNING

Documentário / Show | 14 ANOS

Direção: Ben Wainwright-Pearce (direção do filme) e Tim Van Someren (direção do show ao vivo)

Elenco: Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler, Bill Ward, Metallica, Guns N’ Roses, Slayer, Tool, Pantera, Yungblud e Papa (Ghost), com apresentação de Jason Momoa e direção musical de Tom Morello

Produção: Jim Parsons, Jamie Silk e Dan Seliger (Mercury Studios)

Em 5 de julho de 2025, Ozzy Osbourne e a formação original do Black Sabbath subiram ao palco do Villa Park, em Birmingham, cidade onde a banda nasceu, para uma despedida que reuniu gerações de artistas influenciados por eles. Foi a última apresentação de Ozzy, registrada apenas dezessete dias antes de sua morte. Ozzy & Black Sabbath: Back to the Beginning condensa a maratona de um dia inteiro em 2 horas e 27 minutos, misturando os sets de Ozzy e do Sabbath, as homenagens de bandas como Metallica, Slayer e Guns N’ Roses, imagens de bastidores e depoimentos dos músicos.

O filme foi preparado especificamente para as salas de cinema, com som em Dolby Atmos e 5.1, e tem distribuição mundial da Trafalgar Releasing, a mesma de Taylor Swift: The Eras Tour. Sharon Osbourne, viúva e empresária de Ozzy, elogiou o resultado após a première em Los Angeles, embora tenha dito que provavelmente não terá coragem de vê-lo outra vez.

MEDLEY

Drama | Brasil | 14 ANOS

Direção: Ana Luiza Azevedo

Roteiro: Keka Reis, com consultoria de Carolina Kotscho (baseado no livro Medley ou Os Dias em que Aprendi a Voar, de Keka Reis)

Elenco: Mel Maia (Lola), André Ramiro (Érico), Mariana Lima, Leona Cavalli, Alana Cabral (Linda), Guthierry Sotero (Gabriel), Pedro Manoel Nabuco e Valen Gaspar

Produção: Mara Lobão e Rodrigo Montenegro (Panorâmica)

Aos 16 anos, Lola é uma nadadora talentosa e cheia de medalhas, mas incapaz de nadar no estilo borboleta. Em conflito com a mãe e marcada pela ausência do pai, de quem guarda poucas lembranças, ela viaja sozinha nas férias para uma cidade do interior do Rio de Janeiro, entra numa equipe de natação competitiva e, enquanto tenta vencer o bloqueio, embarca numa jornada de autodescoberta que revela segredos do passado da família. Ambientado nos anos 1990, Medley é o novo longa de Ana Luiza Azevedo, diretora de Antes que o Mundo Acabe.

O filme passou pela Mostra Geração do Festival do Rio antes da estreia comercial. Mel Maia mudou o visual e treinou natação para viver a protagonista, e a diretora tem destacado em entrevistas a sensibilidade da atriz e sua capacidade de falar pelo olhar.

CARTÓRIO DAS ALMAS

Ficção Científica / Drama | Brasil | 14 ANOS

Direção: Léo Bello

Roteiro: Léo Bello

Elenco: Gabriela Correa, Wellighton Abreu, Gabrielle Lopes, Chico Sant’Anna, Paula Passos, Camila Guerra e Roustang Carrilho

Produção: Alisson Machado

Numa sociedade que venceu o envelhecimento, abrir mão da vida eterna virou uma decisão burocrática. Laura, uma jovem de 126 anos, começa a trabalhar no misterioso Cartório das Almas, onde as pessoas que decidem renunciar à longevidade registram os motivos de sua escolha, e lá descobre que ela mesma não quer viver para sempre. Cartório das Almas nasceu de uma experiência pessoal do diretor, que acompanhou na adolescência os últimos momentos do avô e as decisões difíceis da família sobre prolongar aquela vida.

Filmado inteiramente em Brasília, com elenco local, o longa usa a arquitetura modernista da capital para construir a identidade visual de seu futuro distópico. Exibido na mostra competitiva do 56º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, venceu o prêmio de melhor longa pelo júri popular, além dos troféus de edição de som e direção de arte. Críticas especializadas publicadas sobre o filme não foram encontradas até o fechamento desta edição.

O HOMEM DO FRAQUE VERDE

Documentário | Brasil | LIVRE

Direção: Petrônio Lorena

Roteiro: Petrônio Lorena

Produção: Nosotros y Los Demás

No candomblé, Calunga é considerado o “boneco da magia”. Ele extrapola o real e tem toques de imaginário, segundo quem produz o boneco. Nesses moldes, com seus 73 minutos, O Homem do Fraque Verde mergulha na história do “Homem da Meia-Noite”, o boneco gigante que abre o Carnaval de Olinda desde 1931 e se tornou um dos maiores símbolos da folia pernambucana. O documentário, dirigido pelo cineasta e músico pernambucano Petrônio Lorena, aborda a trajetória da agremiação e os significados atribuídos ao Calunga ao longo de quase um século.

DE GAULLE: A FRANÇA LIVRE, PARTE 1

Histórico / Suspense | França | 14 ANOS

Direção: Antonin Baudry

Roteiro: Bérénice Vila e Antonin Baudry (baseado no livro De Gaulle: Une certaine idée de la France, de Julian Jackson)

Elenco: Simon Abkarian (Charles de Gaulle), Simon Russell Beale (Winston Churchill), Florian Lesieur, Anamaria Vartolomei, Mathieu Kassovitz e Benoît Magimel

Produção: Pathé Films / TF1 Films Production / Belvédère / Auvergne Rhône-Alpes Cinéma

Junho de 1940. A França desaba diante do avanço nazista e decide assinar o armistício, mas um general ainda pouco conhecido se recusa a aceitar a derrota. Praticamente sozinho, Charles de Gaulle parte para Londres determinado a manter viva a ideia de uma França livre. Primeira metade de um díptico que foi um dos grandes fenômenos de bilheteria do verão francês, De Gaulle: A França Livre, Parte 1 é o segundo longa de Antonin Baudry, ex-diplomata e diretor do thriller submarino O Canto do Lobo.

A crítica francesa elogiou o controle de Baudry sobre uma produção monumental, que consegue ser ao mesmo tempo didática e tensa. A escolha de apresentar De Gaulle como uma espécie de Dom Quixote solitário e exilado, um homem cheio de dúvidas diante do abismo e não o mito pronto, é apontada como o grande acerto, assim como o trabalho de Simon Abkarian e de um elenco de apoio de alto nível; o Churchill de Simon Russell Beale exige algum tempo para convencer, mas cresce ao longo da história. Entre as ressalvas, há quem sinta falta de uma explicação para a obsessão do general pela grandeza da França e quem considere dispensável a trama paralela de um jovem resistente.

DE GAULLE: A FRANÇA LIVRE, PARTE 2

Histórico / Suspense | França | 14 ANOS

Direção: Antonin Baudry

Roteiro: Bérénice Vila e Antonin Baudry

Elenco: Simon Abkarian (Charles de Gaulle), Niels Schneider, Anamaria Vartolomei, Félix Kysyl e Thierry Lhermitte

Produção: Pathé Films / TF1 Films Production / Belvédère

Continuação direta da primeira parte, De Gaulle: A França Livre, Parte 2 cobre o período que vai de 1942 até o outono de 1944. Depois da solidão de Londres, chega a hora da reconquista: além de combater os nazistas, De Gaulle precisa impor a legitimidade da França Livre diante de aliados nada dispostos a cedê-la, como Churchill e Roosevelt, enquanto as redes da Resistência vivem sob a ameaça constante de traição.

Para boa parte da crítica francesa, este segundo volume é ainda melhor que o primeiro. Os textos o descrevem como um grande filme de guerra e, ao mesmo tempo, um envolvente thriller diplomático, em que Baudry filma com precisão a angústia dos resistentes perseguidos e a guerra de informações. Ao ampliar o foco para além da figura do general, o filme ganha perspectiva e consegue escapar, quase sempre, da armadilha da hagiografia já existente sobre De Gaulle. As ressalvas ficam por conta de algumas simplificações nas narrativas e históricas, que a crítica considera como “inevitáveis” num projeto dessa magnitude.

A ILUSTRE DESCONHECIDA

Comédia | França / Bélgica | LIVRE

Direção: Marc Fitoussi

Roteiro: Marc Fitoussi

Elenco: Isabelle Huppert (Corinne Maclou), Sandrine Kiberlain (ela mesma), Anne Marivin, Emmanuelle Bercot, Vincent Dedienne, Ana Girardot, Marie-France Alvarez e Thomas Jolly

Produção: Memento

Depois de décadas tentando conquistar espaço na fechada indústria do cinema francês, Corinne Maclou continua relegada a pontas e figurações. Apesar da experiência e da fama de profissional confiável, ela ainda sonha ser uma estrela e acredita que a aproximação com uma atriz famosa, Sandrine Kiberlain no papel de si mesma, pode finalmente abrir as portas. A Ilustre Desconhecida parte de uma ideia irresistível: colocar Isabelle Huppert, uma das maiores atrizes do mundo, na pele de alguém em quem ninguém repara.

Exibido na Piazza Grande de Locarno, em Toronto e na abertura do Festival de Angoulême, o filme foi recebido como uma comédia agridoce, de humor afetuoso, sobre os bastidores do cinema e a vontade de encontrar um lugar no mundo. A crítica lembra que Fitoussi, que já passou pela série Dix pour cent, conhece bem esse meio em que a cordialidade nunca apaga as relações de poder. A comparação com A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz, aparece com frequência: o espelho aqui é menos cruel, mas ainda afiado, e oferece dois papéis deliciosos a Huppert e Kiberlain. Exibição dentro do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil.

O QUE É O AMOR?

Comédia | França | LIVRE

Direção: Fabien Gorgeart

Roteiro: Fabien Gorgeart

Elenco: Laure Calamy (Marguerite), Vincent Macaigne (Fred), Lyes Salem (Sofiane), Mélanie Thierry (Chloé), Jean-Marc Barr e Céleste Brunnquell (Léa)

Produção: Petit Film e Deuxième Ligne

Quando Fred pede à ex-mulher, Marguerite, que aceite anular o casamento religioso dos dois para que ele possa se casar de novo na Igreja, ela fica feliz por vê-lo reconstruir a vida. Mas o processo de anulação obriga o antigo casal a revisitar o passado, e a formalidade vira uma investigação íntima sobre os motivos de um amor que se desfez, com consequências para as novas famílias de ambos. O Que É o Amor? é o terceiro longa de Fabien Gorgeart, diretor de La Vraie Famille, que buscou inspiração nas comédias malucas de Hollywood, especialmente nas chamadas comédias de recasamento.

O filme venceu o Grande Prêmio do Festival de Comédia de l’Alpe d’Huez, onde Laure Calamy também levou o prêmio de interpretação feminina. A imprensa francesa elogiou o equilíbrio entre humor e emoção, o tom de comédia coral e um elenco irresistível, com destaque para a dupla Calamy e Macaigne. Entre as ressalvas, parte do público considerou que a premissa engenhosa perde fôlego e que o tema religioso, levado ao absurdo, acaba cansando. Exibição dentro do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil.

BEM-VINDOS A LA COMÉDIE FRANÇAISE

Comédia | França | LIVRE

Direção: Martin Darondeau e Bertrand Usclat

Roteiro: Pauline Clément, Clémence Dargent, Martin Darondeau e Bertrand Usclat

Elenco: Pauline Clément (Nina), Laurent Stocker, Julien Frison e Marina Hands

Produção: Mathieu Verhaeghe e Thomas Verhaeghe (Atelier de Production) / Comédie-Française / France 2 Cinéma

Faltam três horas para a estreia da primeira montagem de Nina na Comédie-Française, uma ambiciosa versão de Macbeth, e tudo o que pode dar errado começa a dar errado. Bem-vindos a La Comédie Française leva o espectador aos bastidores da mais prestigiada instituição teatral da França, com um elenco formado por integrantes reais da trupe e filmagens dentro da histórica Sala Richelieu.

Primeiro longa da dupla criadora da série de esquetes Broute, o filme ganhou quatro prêmios no Festival de l’Alpe d’Huez e foi recebido pela crítica francesa como uma comédia terna e irreverente, que ri das tradições da casa sem nunca ser cruel com seus atores. Os textos destacam o contraste entre a solenidade da instituição e um humor deliciosamente descontrolado, e apontam Pauline Clément, coautora do roteiro, como o grande trunfo do filme. Com apenas 75 minutos, é uma carta de amor ao teatro e ao ofício de ator. Exibição dentro do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil.

A CASA DAS MULHERES

Drama | França | LIVRE

Direção: Mélisa Godet

Roteiro: Mélisa Godet

Elenco: Karin Viard (Dra. Diane Khoury), Laetitia Dosch, Eye Haïdara, Oulaya Amamra, Pierre Deladonchamps, Juliette Armanet, Aure Atika, Jean-Charles Clichet e Laurent Stocker

Produção: Emma Javaux

Na Maison des Femmes, uma equipe de profissionais de saúde trabalha diariamente para acolher mulheres vítimas de violência e ajudá-las a reconstruir suas vidas. Primeiro longa de Mélisa Godet, A Casa das Mulheres se inspira na instituição pioneira fundada em 2016 em Saint-Denis pela ginecologista e obstetra Ghada Hatem-Gantzer, e a personagem de Karin Viard é livremente baseada nela.

A crítica francesa elogiou a forma como a diretora transforma um tema pesado num filme coral luminoso, que homenageia o trabalho em equipe e a determinação dessas profissionais sem cair no sentimentalismo. Os textos destacam a abordagem sóbria, quase documental, que privilegia a escuta e a palavra em vez do espetáculo, e a entrega de Karin Viard como a médica que sustenta o projeto diante da inércia do Estado. O resultado é descrito como sensível, inspirador e, ao final, esperançoso. Exibição dentro do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil.

SEM PIEDADE

Drama / Suspense | França / Bélgica | 14 ANOS

Direção: Julien Hosmalin

Roteiro: Julien Hosmalin e Olivier Torres

Elenco: Adam Bessa (Dario), Tewfik Jallab (Rayan), Jonathan Turnbull (Gabriel), Laura Sépul (Maria) e Bérangère McNeese (Julia)

Produção: Same Player e Les Films du Worso

Maria cria sozinha os filhos Rayan e Dario, e os três tocam juntos uma barraca de tiro ao alvo num pequeno parque de diversões itinerante. Anos depois, um trauma enterrado no passado da família vem à tona e coloca os irmãos numa trilha de vingança. Primeiro longa de Julien Hosmalin, Sem Piedade se inspira em parte na história familiar do diretor e foi exibido no Festival de Cinema Francófono de Angoulême.

A crítica francesa e belga foi em geral positiva. O ponto mais elogiado é a dupla formada por Adam Bessa, intenso e silencioso, e Tewfik Jallab, mais bruto e carregado de culpa, além da atmosfera opressiva construída pela imagem e pelo som num cenário de parques decadentes e indústrias abandonadas. Há quem tenha visto no filme uma verdadeira revelação, radical e de controle formal impressionante. As ressalvas apontam reviravoltas forçadas e uma estrutura de polar que, apesar de rugosa, recorre a arquétipos conhecidos do gênero. Exibição dentro do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil.

O REI E O PÁSSARO

Animação | França | LIVRE

Direção: Paul Grimault

Roteiro: Jacques Prévert e Paul Grimault (livremente inspirado no conto A Pastora e o Limpador de Chaminés, de Hans Christian Andersen)

Elenco (vozes originais): Jean Martin (o Pássaro), Pascal Mazzotti (o Rei), Agnès Viala (a Pastora), Renaud Marx (o Limpador de Chaminés) e Raymond Bussières (o Chefe de Polícia)

Produção: Les Films Paul Grimault / Les Films Gibé / Antenne 2

No reino de Takicardia, o tirânico rei Carlos V e Três Faz Oito e Oito Faz Dezesseis governa com mão de ferro do alto de um palácio gigantesco. Uma pastora e um limpador de chaminés, apaixonados, fogem pelos corredores do palácio perseguidos pelo rei ciumento, sua polícia e um robô gigantesco, e só têm chance de escapar graças a um pássaro esperto e falador que adora provocar o monarca. O Rei e o Pássaro é a obra mais importante de Paul Grimault, um clássico da animação europeia lançado em 1980 depois de mais de trinta anos de produção conturbada.

Uma primeira versão chegou a ser exibida em 1952, em meio a um rompimento entre os sócios que interrompeu a produção. Grimault só recuperou os direitos em 1967 e conseguiu concluir a obra como queria, reaproveitando parte do material antigo e chamando de volta os animadores originais. A obra venceu o Prêmio Louis Delluc e é dedicada a Prévert, que morreu pouco antes do lançamento. A crítica a trata há décadas como uma pequena obra-prima, poética e profunda, que pode surpreender o público acostumado ao ritmo dos estúdios americanos: o andamento é mais lento, o silêncio domina o palácio e a música delicada acompanha uma fábula política sobre tirania e liberdade. É uma oportunidade rara de ver o clássico na tela grande.