O Brasil vive períodos cada vez mais frequentes de temperaturas elevadas, com recordes sendo batidos em diversas regiões do país. O que antes parecia exceção tornou-se rotina: dias seguidos de calor intenso, termômetros ultrapassando os 40°C e uma sensação térmica que parece insuportável. Essas ondas de calor deixaram de ser apenas desconforto passageiro para se tornarem uma questão de saúde pública que merece nossa atenção.
Quando falamos sobre onda de calor: quando ela pode nos prejudicar, estamos tratando de um fenômeno climático real, com impactos concretos no funcionamento do nosso organismo. O calor excessivo pode sobrecarregar o corpo de diferentes maneiras, afetando desde a pressão arterial até o equilíbrio dos líquidos corporais. Compreender esses efeitos e saber como reagir faz toda diferença para atravessar esses períodos com mais segurança e qualidade de vida.
Este texto foi criado para oferecer uma informação clara e responsável sobre como o calor extremo afeta nossa saúde e quais medidas práticas podem reduzir os riscos. Afinal, conhecimento é a primeira linha de defesa quando o assunto é autocuidado.
O que é uma onda de calor? E por que ela ocorre?
Uma onda de calor acontece quando as temperaturas permanecem significativamente acima da média esperada para determinada região por vários dias consecutivos. Não se trata apenas de um dia quente isolado, mas de um período prolongado onde o calor persiste sem trégua, muitas vezes acompanhado de baixa umidade do ar e ausência de chuvas.
No Brasil, esse fenômeno tem se tornado mais comum devido a diversos fatores climáticos e ambientais. As mudanças no clima global contribuem para eventos meteorológicos mais extremos e frequentes. Além disso, o desmatamento, a urbanização acelerada e a formação de ilhas de calor nas grandes cidades intensificam as temperaturas locais, criando ambientes onde o calor fica aprisionado por mais tempo.
Regiões como o Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste brasileiro têm registrado ondas de calor cada vez mais intensas, especialmente entre os meses de setembro e março. A combinação de massas de ar quente com períodos de seca prolonga esses episódios, fazendo com que o organismo fique exposto ao estresse térmico por dias a fio, sem o alívio necessário para se recuperar.
Quando a onda de calor pode nos prejudicar?
O corpo humano funciona melhor dentro de uma faixa estreita de temperatura interna, em torno de 36 a 37 graus Celsius. Quando estamos expostos ao calor extremo, nosso organismo precisa trabalhar intensamente para manter essa temperatura estável, acionando mecanismos de resfriamento como a transpiração e o aumento do fluxo sanguíneo na pele. Esse esforço constante pode sobrecarregar o sistema, especialmente quando o calor persiste por dias.
Os problemas de saúde causados pelo calor extremo começam de forma sutil. A desidratação é um dos primeiros sinais de alerta. Quando transpiramos muito, perdemos não apenas água, mas também sais minerais essenciais para o funcionamento adequado dos músculos, nervos e coração. Sem reposição adequada, o corpo começa a apresentar sintomas como fadiga, tontura, dor de cabeça e confusão mental.
A pressão arterial também pode ser afetada durante uma onda de calor. O calor provoca vasodilatação, ou seja, os vasos sanguíneos se expandem para facilitar a dissipação do calor pela pele. Essa dilatação pode causar quedas bruscas na pressão, resultando em sensação de fraqueza, vertigem e até desmaios. Para quem já convive com hipertensão ou toma medicamentos para controle cardiovascular, esse efeito pode ser ainda mais pronunciado.
O coração sofre uma sobrecarga adicional durante períodos de calor intenso. Bombear sangue para a periferia do corpo enquanto tenta manter a temperatura interna estável exige mais esforço do músculo cardíaco. Pessoas com histórico de doenças cardiovasculares podem experimentar piora dos sintomas, como palpitações, falta de ar e dor no peito.
Outro problema relacionado aos efeitos da onda de calor na saúde após certa idade é a redução da capacidade de concentração e o aumento da irritabilidade. O cérebro, extremamente sensível a variações de temperatura e hidratação, pode não funcionar com a mesma eficiência quando o corpo está sob estresse térmico prolongado.
Por que algumas pessoas precisam de mais atenção?
Com o passar dos anos, nosso corpo passa por transformações naturais que afetam a forma como lidamos com temperaturas extremas. A capacidade de perceber alterações na temperatura ambiente e a eficiência dos mecanismos de termorregulação podem diminuir gradualmente. A sensação de sede, por exemplo, tende a ficar menos intensa, o que aumenta o risco de desidratação sem que haja um alerta claro do organismo.

A composição corporal também se modifica ao longo do tempo. A proporção de água no corpo diminui, o que significa que há menos reserva líquida disponível para manter o equilíbrio durante períodos de calor. As glândulas sudoríparas podem se tornar menos ativas, reduzindo a eficiência da transpiração como mecanismo de resfriamento.
Além disso, muitas pessoas fazem uso regular de medicamentos que podem interferir na regulação térmica ou na hidratação. Diuréticos, comuns no tratamento da hipertensão, aumentam a eliminação de líquidos. Medicamentos para controle de pressão podem alterar a resposta dos vasos sanguíneos ao calor. Alguns antidepressivos e antialérgicos também afetam a transpiração.
Por esses motivos, os riscos da onda de calor e problemas para adultos e idosos merecem atenção especial. Não se trata de fragilidade, mas de reconhecer que o organismo responde de forma diferente aos desafios térmicos e que pequenos ajustes na rotina podem fazer grande diferença.
Como se proteger da onda de calor no Brasil?
A boa notícia é que existem medidas simples e eficazes para reduzir os riscos durante períodos de calor extremo. O primeiro e mais importante cuidado é a hidratação adequada. Não espere sentir sede para beber água. Durante uma onda de calor, o ideal é consumir líquidos regularmente ao longo do dia, dando preferência à água, água de coco, sucos naturais e chás gelados sem açúcar. Evite bebidas alcoólicas e com cafeína, pois ambas podem contribuir para a desidratação.
A alimentação também desempenha papel fundamental. Pratos pesados, ricos em gordura e proteína animal, exigem mais esforço digestivo e aumentam a produção de calor interno. Prefira refeições leves, com frutas frescas, verduras, legumes e alimentos de fácil digestão. Melancia, pepino, tomate e alface, por exemplo, além de refrescantes, ajudam na hidratação. Refeições menores e mais frequentes também facilitam a digestão e mantêm o corpo mais confortável.
A escolha das roupas faz diferença. Tecidos leves, claros e de fibras naturais como algodão e linho permitem melhor circulação do ar e absorção do suor. Roupas escuras e sintéticas retêm mais calor. Um chapéu de abas largas e óculos de sol protegem a cabeça e os olhos da radiação direta.

Evitar exposição ao sol nos horários mais quentes do dia, entre 10h e 16h, é uma regra básica de proteção. Se precisar sair, procure caminhar na sombra, use protetor solar e leve uma garrafa de água. Atividades físicas devem ser praticadas nos horários mais frescos, no início da manhã ou final da tarde, sempre com hidratação reforçada.
Dentro de casa, algumas estratégias ajudam a manter o ambiente mais fresco. Mantenha cortinas e janelas fechadas durante o dia para impedir a entrada do calor. À noite, quando a temperatura externa cai, abra as janelas para circular o ar. Ventiladores podem ajudar, mas em temperaturas muito elevadas, apenas movem o ar quente. Se possível, use ar-condicionado em temperatura moderada, entre 23 e 25 graus.
Tomar banhos mornos ou frescos ao longo do dia ajuda a reduzir a temperatura corporal. Banhos muito gelados podem causar choque térmico e não são recomendados. Molhar o rosto, pescoço e pulsos com água fresca também traz alívio imediato.
Outro ponto importante é estar atento aos sinais que o corpo envia. Tontura, náusea, dor de cabeça intensa, pele muito quente e seca, confusão mental, respiração acelerada ou fraqueza extrema são alertas de que o organismo está sofrendo com o calor. Diante desses sintomas, é fundamental procurar um local fresco, hidratar-se e, se necessário, buscar atendimento médico.
Manter contato com amigos, familiares e vizinhos durante ondas de calor também é uma forma de cuidado. Uma ligação para verificar se está tudo bem, especialmente com pessoas que moram sozinhas, pode fazer diferença. Solidariedade e atenção mútua são importantes em momentos de risco climático.
Para quem tem condições crônicas de saúde, como diabetes, hipertensão ou problemas cardíacos, é recomendável conversar com o médico sobre cuidados específicos durante ondas de calor. Alguns medicamentos podem precisar de ajustes temporários, e o profissional de saúde poderá orientar sobre como proceder.
Informação e prevenção como aliadas da saúde
Entender onda de calor: quando ela pode nos prejudicar é o primeiro passo para adotar práticas de autocuidado que realmente funcionam. O calor extremo não é apenas uma questão de desconforto passageiro. Trata-se de um fenômeno que coloca nosso organismo à prova e que, sem os cuidados adequados, pode resultar em complicações sérias.
A desidratação e calor excessivo em pessoas maduras representa um risco real, mas perfeitamente evitável com atenção aos sinais do corpo e medidas preventivas simples. Pequenas mudanças na rotina diária, como beber mais água, ajustar a alimentação, evitar horários de pico de calor e vestir roupas apropriadas, podem fazer toda diferença na forma como atravessamos esses períodos desafiadores.
O Brasil enfrenta verões cada vez mais rigorosos, e as previsões indicam que as ondas de calor continuarão fazendo parte da nossa realidade. Por isso, estar informado e preparado não é exagero, é responsabilidade com a própria saúde e bem-estar. Compartilhar esse conhecimento com pessoas próximas também é uma forma de cuidado coletivo.
Cuidar da saúde durante uma onda de calor não exige grandes recursos, mas sim consciência, atenção e disciplina para manter hábitos simples que protegem o corpo. A prevenção continua sendo a melhor estratégia para garantir que possamos aproveitar a vida com qualidade, independentemente das condições climáticas.
Ao reconhecer os sinais de alerta, adotando medidas preventivas e buscando informação de qualidade, estamos exercendo protagonismo sobre nossa saúde. E isso, em qualquer idade, é fundamental para viver com autonomia, segurança e tranquilidade.
Fontes consultadas
- Ministério da Saúde (saude.gov.br) – Orientações sobre saúde e clima
- Fundação Oswaldo Cruz – Estudos sobre impactos das mudanças climáticas na saúde
- Organização Mundial da Saúde (OMS) – Diretrizes sobre ondas de calor e saúde pública
- Harvard Health Publishing – Pesquisas sobre termorregulação e envelhecimento
