DEVORADORES DE ESTRELAS
Suspense – EUA – 14 anos
Direção: Phil Lord, Christopher Miller
Roteiro: Drew Goddard (baseado no romance de Andy Weir)
Elenco: Ryan Gosling, Sandra Hüller, Milana Vayntrub, Ken Leung, Liz Kingsman, James Ortiz (voz de Rocky), Lionel Boyce, Priya Kansara, Aaron Neil, Orion Lee, Bastian Antonio Fuentes, Richie Cheung, Annelle Olaleye
Produção: Pascal Pictures, General Admission, Waypoint Entertainment, Lord Miller
Phil Lord e Christopher Miller entregam uma adaptação vibrante do romance de Andy Weir que equilibra habilmente espetáculo visual com coração genuíno. Ryan Gosling interpreta Ryland Grace, professor de ciências do ensino fundamental que desperta numa nave espacial sem memória, descobrindo gradualmente sua missão impossível: salvar a Terra de extinção causada por bactéria extraterrestre devoradora de estrelas.
O roteiro de Drew Goddard destila elementos essenciais da ficção científica weirana — otimismo resoluto, solução metódica de problemas, colaboração interespécies — enquanto descarta exposições excessivas que sobrecarregam o texto original. A estrutura narrativa alterna inteligentemente entre presente espacial e flashbacks terrestres, revelando organicamente como um professor desacreditado tornou-se última esperança da humanidade.
Gosling demonstra versatilidade impressionante, ancorado sozinho na tela durante porções substanciais enquanto mantém uma energia contagiante através de monólogos autodepreciativos e vídeo-diários. Quando encontra Rocky (James Ortiz provendo voz), alienígena rochoso semelhante a estrela-do-mar pentápode, o filme transforma-se em comédia de parceiros improvável que evoca trabalhos anteriores de Lord e Miller em “Anjos da Lei”.
A cinematografia de Greig Fraser captura toda uma majestade cósmica através de paleta vibrante dominada por verdes e vermelhos luminescentes, enquanto efeitos visuais táteis resistem à tendência contemporânea de CGI sem peso algum. Daniel Pemberton compõe trilha sonora arrebatadora que ocasionalmente se excede, empurrando um melodrama onde a sutileza serviria melhor.
Devoradores de Estrelas assim trata-se de um blockbuster de aparência rara que celebra o conhecimento acumulado e a cooperação científica como ferramentas salvadoras de nós mesmos.
UMA SEGUNDA CHANCE
Drama/Romance – EUA – 14 anos
Direção: Vanessa Caswill
Roteiro: Colleen Hoover, Lauren Levine (baseado no romance de Colleen Hoover)
Elenco: Maika Monroe, Tyriq Withers, Rudy Pankow, Lauren Graham, Bradley Whitford, Zoe Kosovic, Lainey Wilson, Nicholas Duvernay, Jennifer Robertson, Monika Myers, Hilary Jardine
Produção: Colleen Hoover, Lauren Levine, Gina Matthews
Vanessa Caswill prova que melodramas lacrimejantes ainda encontram audiências famintas por emoção descarada. Esta adaptação do romance de Colleen Hoover abraça sentimentalismo sem vergonha, entregando entretenimento previsível mas efetivo que surpreendentemente funciona.
Maika Monroe interpreta Kenna Rowan, ex-presidiária retornando ao Wyoming após sete anos cumprindo sentença por homicídio culposo no acidente que matou seu namorado Scotty (Rudy Pankow). Desesperada para conhecer Diem, filha nascida durante encarceramento e criada pelos sogros Grace e Patrick (Lauren Graham e Bradley Whitford), Kenna encontra aliado improvável em Ledger (Tyriq Withers), ex-jogador da NFL e melhor amigo de Scotty.
O roteiro coescrito por Hoover e Lauren Levine transita confortavelmente por território familiar — redenção, segundas chances, triângulos amorosos envolvendo pessoas falecidas — mas nunca finge ser algo além. Essa honestidade refrescante diferencia o filme de dramas presunçosos disfarçados de prestígio.
Monroe ancora emocionalmente a narrativa com certa vulnerabilidade, enquanto Withers compensa sua inexperiência cinematográfica com charme natural. Graham e Whitford elevam os papéis coadjuvantes através de nuances sutis.
Estruturalmente, o filme tropeça ocasionalmente em ritmo lânguido e resoluções excessivamente arrumadas. As múltiplas inserções dos acordes de “Yellow” do Coldplay beiram a autoparódia. Ainda assim, momentos genuinamente comoventes emergem da sinceridade fundamental — particularmente quando Kenna finalmente encontra Diem.
Com arrecadação de $30 milhões no primeiro fim de semana, “Uma Segunda Chance” demonstra uma viabilidade contínua do melodrama independente, oferecendo alternativa vital ao domínio das franquias.
CASAMENTO SANGRENTO: A VIÚVA
Suspense – EUA – 16 anos
Direção: Matt Bettinelli-Olpin, Tyler Gillett
Roteiro: Guy Busick, R. Christopher Murphy (história), Matt Bettinelli-Olpin, Tyler Gillett (roteiro)
Elenco: Samara Weaving, Kathryn Newton, Sarah Michelle Gellar, Shawn Hatosy, Nestor Carbonell, Elijah Wood, David Cronenberg
Produção: Radio Silence Productions, Mythology Entertainment, Vinson Films
Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett entregam continuação divertida porém excessiva. Grace (Samara Weaving) desperta no hospital após sobreviver ao ritual satânico, descobrindo que destruiu família de elite satanista. Múltiplas famílias ricas agora competem para matá-la e conquistar o poder absoluto. Reunida com sua irmã Faith (Kathryn Newton), Grace agora enfrenta uma caçada ainda mais brutal.
O primeiro ato tropeça estabelecendo mitologia desnecessariamente complexa em 108 minutos (um contraste marcante com a economia dos 95 minutos originais). Quando a carnificina começa, o filme encontra ritmo, embora tenha trocado a energia da paródia por uma brutalidade visceral. Sarah Michelle Gellar e Shawn Hatosy brilham como vilões gêmeos. Weaving ancora tudo com intensidade feroz, enquanto Newton solidifica seu status como uma confiável “rainha scream” do terror.
Apesar do excesso narrativo, funciona como horror-comédia satisfatório para que curte ver bilionário se lascar.
O VELHO FUSCA
Comédia / Drama – Brasil – 10 anos
Direção: Emiliano Ruschel
Roteiro: Bill Labonia
Elenco: Caio Manhente, Tonico Pereira, Cleo Pires, Danton Mello, Giovanna Chaves, Christian Malheiros, Isaías Silva, Yuri Marçal, Rodrigo Ternevoy, Leandro Lucca, Priscila Vaz, Emiliano Ruschel
Produção: Ruschel Studios, Ayrosa Produções, UNO Filmes, La Duka Produções
Emiliano Ruschel entrega uma comédia dramática que troca a profundidade por videoclipes musicais e pelos cartões-postais cariocas. Júnior (Caio Manhente) quer conquistar o Fusca 1976 do seu avô amargurado Batista (Tonico Pereira), ignorando suas profundas rupturas familiares. Ao restaurar o veículo, o neto sensível enfrenta um avô de convicções rígidas marcadas pelos traumas de guerra.
O roteiro de Bill Labonia evita confrontar os preconceitos do protagonista idoso — a homofobia e o racismo surgem como “humor geracional” sem maiores consequências. Quando as tensões dramáticas ameaçam emergir, a trilha sonora repleta de sambistas (Jorge Aragão, Teresa Cristina, Xande de Pilares) interrompe o desenvolvimento emocional. Tonico Pereira salva o que é possível ao abraçar a caricatura cômica, enquanto Cleo Pires, Danton Mello e Giovanna Chaves habitam papéis frustradamente rasos.
O filme prefere a nostalgia fabricada à complexidade genuína, um resultado artificial que subestima as audiências.
Narciso
Drama – Brasil – 14 anos
Direção: Jeferson De
Roteiro: Jeferson De e Cristiane Arenas
Elenco: Arthur Ferreira, Ju Colombo, Bukassa Kabengele, Seu Jorge, Faiska Alves, Diego Francisco, Fernanda Nobre, Juliana Alves, Marcelo Serrado, Teka Romualdo
Produção: Buda Filmes
Jeferson De revisita o mito grego através da experiência de uma criança negra no sistema de acolhimento brasileiro. Arthur Ferreira interpreta o menino órfão que, após ser devolvido por família adotiva, ganha uma bola de basquete mágica capaz de invocar um gênio (Seu Jorge). Ao desejar ter uma família rica, recebe o pedido com condição fatal: nunca mais ver o próprio reflexo.
O roteiro de De e Cristiane Arenas incorpora elementos afro-brasileiros ao imaginário fantástico, transformando o gênio em presença espiritual que dialoga com Oxóssi. Ju Colombo ancora emocionalmente o filme como a cuidadora Carmen, equilibrando fragilidade e força ao lidar com as rejeições sofridas pelas crianças. A fotografia alterna entre paletas vibrantes e tons monocromáticos para refletir visualmente questões de representatividade racial no entretenimento.
O filme aborda com sensibilidade e criatividade o sistema de adoção brasileiro e suas desigualdades raciais.
Maya Dê-me Um Título
Animação – França – Livre
Direção: Michel Gondry
Roteiro: Michel Gondry
Elenco: Maya Gondry, Pierre Niney, Miriam Matejovsky
Produção: Partizan Films
Michel Gondry transforma seus seis anos de paternidade em compilação encantadora de curtas animados. Pedindo que a filha Maya Gondry criasse títulos e histórias, o diretor do inesquecível “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” passou anos produzindo animações artesanais usando papel colorido, tesouras e smartphone.
Os clipezinhos de 5 a 15 minutos evoluem conforme Maya cresce — das narrativas experimentais e caóticas iniciais até histórias mais estruturadas sobre sereias, esquilos ladrões de redes e detetives felinos. O destaque fica com “Maya no Mar com Garrafa de Ketchup”, algo surreal e inexplicável, como a imaginação infantil deve ser. Pierre Niney narra com vivacidade enquanto a estética “faça você mesmo” abraça as imperfeições e as cores vibrantes.
Com sessenta minutos enxutos, o filme celebra conexão familiar através da criatividade compartilhada — demonstração profundamente pessoal do amor paterno traduzido pela fantasia infantil.
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