ISSO AINDA ESTÁ DE PÉ?
Drama – EUA
Direção: Bradley Cooper
Roteiro: Will Arnett e Mark Chappell
Elenco: Bradley Cooper, Laura Dern, Will Arnett, Andra Day
Produção: Searchlight Pictures
Bradley Cooper consolida-se como diretor com terceiro longa que explora recomeços na meia-idade através de abordagem intimista e naturalista. “Isso Ainda Está de Pé” (Is This Thing On) acompanha Alex (Will Arnett) e Tess (Laura Dern), casal divorciando-se amigavelmente após anos juntos enquanto dividem a guarda de dois filhos.
Cooper adota um registro despretensioso que prioriza autenticidade emocional sobre artifícios narrativos grandiosos. A câmera acompanha personagens proximamente, capturando silêncios desconfortáveis e gestos reveladores. Alex encontra sua catarse inesperada no stand-up comedy novaiorquino, usando o palco como terapia para processar suas transformações existenciais. Simultaneamente, Tess reconecta-se com sua carreira abandonada como treinadora de vôlei após uma brilhante passagem olímpica.
Arnett entrega uma performance vulnerável e contida, revelando amplitude dramática frequentemente obscurecida por trabalhos cômicos anteriores. Dern, como esperado, ancora emocionalmente a narrativa com uma sensibilidade natural. A química entre ambos transmite décadas de história compartilhada através de olhares e pausas carregadas.
O elenco coadjuvante brilha igualmente. Andra Day e Cooper (em um papel cômico menor como o personagem chamado Balls) interpretam amigos modelando um casamento funcional. Christine Ebersole e Ciarán Hinds trazem humanidade como os pais de Alex.
Estruturalmente, o roteiro ocasionalmente transita por lugares-comuns do gênero, mas a execução elevada compensa a previsibilidade. Cooper demonstra crescimento como cineasta ao abraçar certa simplicidade formal, confiando que história e performances vão sustentar o interesse sem qualquer pirotecnia visual.
PARA SEMPRE MEDO
Suspense – EUA
Direção: Osgood Perkins
Roteiro: Nick Lepard
Elenco: Tatiana Maslany, Rossif Sutherland, Birkett Turton, Eden Weiss, Claire Friesen, Christin Park, Erin Boyes, Tess Degenstein
Produção: Neon, XYZ Films
Osgood Perkins, que recentemente impressionou com “Longlegs” e “The Monkey”, tropeça em seu terceiro filme lançado em apenas 18 meses. “Keeper” (título original) apresenta premissa familiar — casal em escapada romântica numa cabana isolada — mas não consegue transformá-la em experiência memorável.
Liz (Tatiana Maslany) acompanha o namorado Malcolm (Rossif Sutherland) para seu refúgio luxuoso na floresta. Quando ele precisa retornar inesperadamente à cidade, ela fica sozinha e começa percebendo presenças inexplicáveis. O que deveria ser um fim de semana romântico transforma-se em um pesadelo psicológico.
Perkins aposta no terror atmosférico ao invés de sustos fáceis, construindo tensão através de silêncios prolongados e cinematografia opressiva. Jeremy Cox captura a cabana como um organismo vivo, com enquadramentos claustrofóbicos que eliminam planos gerais tranquilizadores. A edição de som merece destaque especial, potencializando a experiência imersiva.
Maslany ancora o filme com performance convincente, tornando críveis as visões cada vez mais perturbadoras. Sutherland cumpre adequadamente papel secundário, embora seu personagem permaneça frustradamente subdesenvolvido.
O problema reside no roteiro de Nick Lepard, que falha em decidir se quer explorar dinâmica de casal ou relato de possessão sobrenatural. A estrutura irregular dilui o suspense, enquanto sequência de abertura revela prematuramente conexões que deveriam permanecer misteriosas. O terceiro ato decepciona especialmente ao tentar explicar o inexplicável, destruindo uma ambiguidade que funcionava anteriormente.
Filmado durante as greves de Hollywood em 2023, o resultado sugere uma produção apressada que desperdiçou um potencial considerável.
ANÊMONA
Drama – EUA / Inglaterra
Direção: Ronan Day-Lewis
Roteiro: Ronan Day-Lewis e Daniel Day Lewis
Elenco: Daniel Day Lewis,
Produção:
O apoio familiar parece ter motivado o retorno de Daniel Day-Lewis às telas após sua aposentadoria anunciada em 2017. “Anêmona” marca a estreia de seu filho Ronan Day-Lewis na direção, com roteiro coescrito por ambos, mas o resultado dificilmente representa um regresso triunfante para o lendário ator.
Day-Lewis interpreta Ray Stoker, veterano recluso vivendo isolado nas profundezas de uma floresta há duas décadas. Quando seu irmão Jem (Sean Bean) aparece pedindo que ele retorne ao lar para ter de lidar com seu sobrinho problemático Brian (Samuel Bottomley), Ray é forçado a encarar traumas enterrados.
Ronan demonstra ter um olhar visual apurado (há enquadramentos genuinamente interessantes pontuando o filme) mas a direção arrasta-se pesadamente e a história soa banal e inverossímil. O roteiro nunca consegue desenvolver a profundidade além de clichês sobre laços familiares rompidos, desperdiçando o talento de elenco excepcional.
Day-Lewis, previsivelmente, entrega atuação magnética mesmo em material inferior, enquanto Bean traz solidez característica. Samantha Morton adiciona vulnerabilidade comovente como Nessa, mãe de Brian. A cinematografia de Ben Fordesman captura beleza sombria dos cenários florestais, mas estética não compensa narrativa subdesenvolvida.
“Anêmona” funciona mais como vitrine para o magnetismo perene de Day-Lewis e exercício visual do jovem cineasta do que um drama coeso. É difícil não questionar se o nepotismo facilitou a produção que, despida do sobrenome ilustre, dificilmente receberia financiamento.
O FRIO DA MORTE
Suspense – EUA
Direção: Brian Kirk
Roteiro: Nicholas Jacobson-Larson, Dalton Leeb
Elenco: Emma Thompson, Judy Greer, Marc Menchaca, Laurel Marsden, Gaia Wise, Cúán Hosty-Blaney, Dalton Leeb, Paul Hamilton, Lloyd Hutchinson, Brían F. O’Byrne
Produção: Stampede Ventures, Augenschein Filmproduktion, Crafthaus
Brian Kirk entrega filme tonalmente fragmentado que nunca decide se quer ser meditação sobre luto ou thriller de ação descerebrado. Emma Thompson interpreta Barb, viúva viajando pelo norte gelado de Minnesota para espalhar as cinzas do falecido marido no Lago Hilda, onde tiveram seu primeiro encontro décadas atrás. Quando tropeça acidentalmente em uma cena de sequestro do adolescente Leah (Laurel Marsden) por um casal desesperado (Judy Greer e Marc Menchaca), transforma-se em uma improvável heroína.
O roteiro de Nicholas Jacobson-Larson e Dalton Leeb — nenhum com créditos prévios como roteiristas — justapõe desajeitadamente duas narrativas incompatíveis. As sequências focadas em Barb processando sua perda são profundamente comoventes, sustentadas por performance calorosa e vulnerável de Thompson. Quando o filme mergulha no enredo absurdo de colheita de órgãos, torna-se quase que um exagerado pastelão com Greer personificando uma vilã cartunesca.
Kirk, veterano televisivo de “Game of Thrones” e “Penny Dreadful”, demonstra olho apurado em momentos isolados — particularmente cena onde Thompson deixa décadas de amor jorrar em ondas silenciosas — mas não consegue unificar tons conflitantes. A fotografia de Christopher Ross captura a beleza austera das paisagens finlandesas (passando-se por Minnesota), criando uma impressionante paleta visual minimalista.
“O Frio da Morte” funciona melhor como uma vitrine para Thompson do que como narrativa coesa. Parece mais um rascunho de filme que uma obra finalizada.
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