O MORRO DOS VENTOS UIVANTES
Drama – EUA
Direção: Emerald Fennel
Roteiro: Emerald Fennel
Elenco: Margot Robbie e Jacob Elordi
Produção: Warner Bros Pictures, MRC
A nova adaptação de Wuthering Heights reafirma a força atemporal da história criada por Emily Brontë, mas escolhe um caminho mais atmosférico e contemplativo. Sob a direção de Emerald Fennell, o filme privilegia intensidade emocional e estética marcante, transformando o romance trágico entre Catherine e Heathcliff em uma experiência sensorial carregada de tensão.
A diretora aposta em contrastes visuais e em uma abordagem quase febril para retratar a paixão obsessiva que move os personagens. A relação central não é suavizada nem romantizada; ao contrário, é apresentada como algo destrutivo, impulsivo e profundamente enraizado em ressentimentos e desigualdades. Essa escolha confere ao longa um tom mais áspero, que pode dividir opiniões, mas mantém coerência com o espírito turbulento da obra original.
As interpretações são fundamentais para sustentar essa abordagem. Margot Robbie e Jacob Elordi assumem os papéis principais com intensidade dramática, explorando tanto o magnetismo quanto a toxicidade da relação entre seus personagens. A química entre eles sustenta o filme, mesmo quando a narrativa desacelera para enfatizar atmosfera em vez de ação.
No conjunto, o filme surge como uma releitura ousada, que prefere intensificar as emoções além de apostar em uma identidade visual forte. Não é uma adaptação tradicional ou confortável, mas uma versão que busca provocar e reinterpretar um clássico sob uma perspectiva contemporânea e uma lente que privilegia direção de arte e cenários impecáveis.
UM CABRA BOM DE BOLA
Animação infantil – EUA
Direção: Tyree Dillihay
Roteiro: Aaron Buchsbaum
Elenco: Caleb McLaughlin, Gabrielle Union, Steph Curry, Nicola Coughlan
Produção: Sony Animation
UM CABRA BOM DE BOLA (GOAT) aposta em energia, humor físico e uma mensagem simples sobre autoconfiança. O filme acompanha um jovem bode que sonha em se tornar o maior atleta de todos os tempos — o “Greatest Of All Time” — mesmo quando todos ao seu redor duvidam de sua capacidade. A narrativa mistura esporte, amizade e superação em uma fórmula clássica voltada ao público infantil.
Embora não traga grande inovação ao gênero, “Um Cabra Bom de Bola” cumpre bem sua proposta. A estrutura segue um caminho previsível — o protagonista desacreditado, o treinamento difícil, os obstáculos e a grande prova final —, mas essa familiaridade funciona como conforto narrativo para criançada. O humor é simples e direto, evitando sarcasmo excessivo ou referências complexas.
O filme pode não surpreender adultos mais exigentes, mas entrega uma experiência positiva e adequada ao seu público-alvo. No fim, a animação reforça a ideia de que determinação e amizade podem transformar fraquezas em força… uma mensagem tradicional, porém eficaz dentro do universo das animações esportivas.
CAMINHOS DO CRIME
Policial / Aventura – EUA e Reino Unido
Direção: Bart Layton
Roteiro: Bart Layton e Peter Straughan
Elenco: Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Halle Berry
Produção: Amazon, MGM Studios
“Caminhos do Crime” (Crime 101) é um thriller policial que aposta menos na ação explosiva e mais na tensão calculada. O diretor Bart Layton constrói uma atmosfera elegante e contida, acompanhando a investigação de uma série de roubos sofisticados ligados a joias de alto valor. Em vez de mergulhar em perseguições frenéticas, a narrativa prefere explorar o jogo psicológico entre criminoso e investigador.
O destaque do longa está no confronto silencioso entre os personagens centrais, interpretados por Chris Hemsworth e Mark Ruffalo. Hemsworth assume um papel distante de seus trabalhos mais populares, compondo um personagem enigmático e metódico, enquanto Ruffalo entrega uma performance marcada por persistência e obsessão. A dinâmica entre os dois sustenta o filme, criando uma tensão constante que cresce à medida que as peças do quebra-cabeça se encaixam.
Bart Layton demonstra habilidade ao conduzir a história com ritmo controlado, evitando exageros e confiando na inteligência do espectador. O roteiro privilegia diálogos afiados e situações que ressaltam estratégia e antecipação, lembrando thrillers clássicos centrados em mente e cálculo, não em violência gráfica.
Embora não reinvente o gênero, “Caminhos do Crime” se destaca pela sofisticação narrativa e pelo cuidado visual. A fotografia elegante e o tom sóbrio reforçam a sensação de que cada movimento é planejado com precisão. O resultado é um suspense sólido, que encontra sua força na atuação e na construção gradual de tensão, oferecendo uma experiência envolvente para quem aprecia histórias de crime guiadas por inteligência e estilo.
ROB1N
Terror – Reino Unido
Direção: Lawrence Fowler
Roteiro: Lawrence Fowler
Elenco: Simon Davies, Ethan Taylor, Leona Clarke
Rob1n: O Possuído parte de uma premissa que poderia render um terror inquietante, mas acaba se perdendo em caminhos previsíveis. O filme aposta na combinação entre tecnologia e possessão, tentando atualizar elementos clássicos do gênero para um contexto contemporâneo. No entanto, o resultado revela mais familiaridade do que inovação.
A narrativa gira em torno de eventos sobrenaturais ligados a uma presença aparentemente demoníaca, mas a construção do suspense raramente surpreende. Sustos antecipados, trilha sonora que sinaliza cada momento de tensão e situações já vistas inúmeras vezes no cinema de horror tornam a experiência menos impactante do que poderia ser. A sensação é de que o filme segue um manual do gênero sem ousar sair dele.
A direção demonstra competência técnica, especialmente na criação de atmosfera em ambientes fechados, mas o roteiro não aprofunda personagens nem desenvolve conflitos com densidade suficiente para gerar real envolvimento emocional. Em vez de explorar as implicações psicológicas da ameaça, o filme prefere recorrer a soluções rápidas e reviravoltas pouco convincentes.
O maior problema de Rob1n: O Possuído não está na execução isolada de suas cenas, mas na falta de identidade própria. Ao acumular referências e clichês, o longa termina diluído em um labirinto de lugares-comuns. Para fãs mais exigentes do terror, pode soar repetitivo; para o público casual, funciona como entretenimento passageiro, mas dificilmente memorável.
