O DRAMA
Drama / Romance – EUA – 16 anos
Direção: Kristoffer Borgli
Roteiro: Kristoffer Borgli
Elenco: Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Mamoudou Athie, Hailey Gates, Sydney Lemmon, Hannah Gross e Anna Baryshnikov
Produção: A24
Dirigido pelo norueguês Kristoffer Borgli — o mesmo de Doente de Mim Mesma (2022) e O Homem dos Sonhos (2023) —, O Drama chega às telas com uma proposta aparentemente simples: um casal apaixonado, às vésperas do casamento, tem sua harmonia despedaçada quando um segredo do passado vem à tona durante uma brincadeira entre amigos. Mas Borgli, fiel ao seu estilo, não entrega o drama que o título parece prometer — entrega algo bem mais desconcertante e difícil de classificar.
O que começa como uma comédia romântica leve e charmosa, ancorada pela química evidente entre Zendaya (Emma) e Robert Pattinson (Charlie), vai se transformando progressivamente em algo próximo do terror psicológico. A partir da revelação central — sabiamente omitida pela campanha de marketing —, cada gesto banal se torna ameaçador. Borgli constrói um ambiente sufocante com precisão cirúrgica, servindo-se de uma montagem ágil e de uma direção de fotografia observacional para criar um mundo crível de jovens liberais que tropeçam nas próprias hipocrisias.
Zendaya entrega aqui sua performance mais madura e desafiadora até o momento, construindo uma Emma que desafia a simpatia do espectador com microexpressões de desdém e vulnerabilidade. Pattinson reafirma sua versatilidade ao encarnar um Charlie meticuloso e inseguro, cuja espiral existencial conduz o filme a um desfecho sem catarse nem conforto. Distribuído no Brasil pela Diamond Films, O Drama é um dos lançamentos mais provocadores do ano.
O Mago do Kremlin
Suspense Político – França / EUA – 16 anos
Direção: Olivier Assayas
Roteiro: Olivier Assayas e Emmanuel Carrère (baseado no romance de Giuliano da Empoli)
Elenco: Paul Dano, Jude Law, Alicia Vikander, Tom Sturridge e Jeffrey Wright
Produção: Curiosa Films e Gaumont France 2 Cinéma
Apresentado com grande expectativa no Festival de Veneza de 2025, O Mago do Kremlin adapta o romance do jornalista e cientista político italiano Giuliano da Empoli para mergulhar nos bastidores do poder russo nas décadas de 1990 e 2000. A trama acompanha Vadim Baranov (Paul Dano), um produtor de televisão que se torna o principal estrategista de comunicação de Vladimir Putin (Jude Law), ajudando a arquitetar a narrativa do putinismo na era pós-soviética. O personagem é claramente inspirado em Vladislav Surkov, o chamado “arquiteto do Kremlin”.
O grande problema do filme reside exatamente onde repousa sua maior ambição: a tentativa de condensar décadas de história política em uma estrutura episódica. O roteiro acumula elipses temporais e diálogos excessivamente expositivos que informam mais do que dramatizam. A crítica internacional aponta um ensaio político que esquece de puxar o espectador para dentro — mais interessante de ser analisado do que sentido.
O que salva o filme são as atuações. Paul Dano entrega uma presença magnética, e Jude Law, mesmo com tempo de tela limitado, rouba as cenas ao mimetizar Putin com precisão e uma assombrosa contenção. O encontro entre os dois é o coração do filme — e é uma pena que o roteiro explore tão pouco essa dinâmica. Distribuído no Brasil pela Imagem Filmes, O Mago do Kremlin merece atenção pela relevância do tema, mas fica aquém do que poderia ser.
Pai Mãe Irmã Irmão
Comédia / Drama – EUA, França, Irlanda, Itália e Japão – 14 anos
Direção: Jim Jarmusch
Roteiro: Jim Jarmusch
Elenco: Tom Waits, Adam Driver, Mayim Bialik, Charlotte Rampling, Cate Blanchett, Vicky Krieps, Indya Moore, Luka Sabbat e Sarah Greene
Produção: Exoskeleton, Animal Kingdom e CG Cinema
Vencedor do Leão de Ouro no 82º Festival de Cinema de Veneza, Pai Mãe Irmã Irmão marca o retorno de Jim Jarmusch após seis anos de ausência nas telas. O cineasta retorna ao seu território mais familiar: o cotidiano como matéria-prima, o silêncio como linguagem, o humor seco como bússola emocional. Estruturado em três capítulos ambientados em Nova Jersey, Irlanda e Paris, o filme observa reencontros entre pais e filhos adultos marcados por décadas de distância emocional.
Cada segmento apresenta uma configuração familiar distinta — no primeiro, Tom Waits é o pai solitário recebendo os filhos de Adam Driver e Mayim Bialik; no segundo, Charlotte Rampling é a mãe que toma chá com as filhas de Cate Blanchett e Vicky Krieps; no terceiro, os gêmeos Indya Moore e Luka Sabbat revisitam o apartamento parisiense dos pais recém-falecidos. O que une os três episódios é uma série de ecos visuais e temáticos — a água, brindes com líquidos inusitados, relógios Rolex — que criam unidade dentro da fragmentação.
A crítica internacional se dividiu: a Variety celebrou a beleza consistente da obra, enquanto outros apontaram o ritmo vagaroso como barreira para a imersão. O elenco — especialmente Blanchett, Waits e Rampling — entrega performances contidas e precisas que justificam a atenção. É cinema para quem aprecia o silêncio entre as palavras. Distribuído no Brasil pela Imovision/MUBI.
A Conspiração Condor
Drama / Suspense Político – Brasil – 14 anos
Direção: André Sturm
Roteiro: André Sturm e Victor Bonini
Elenco: Mel Lisboa, Nilton Bicudo, Pedro Bial, Dan Stulbach e Maria Manoella
Produção: LEP Filmes (Liz Reis e Beatriz Reis) – Distribuição: Pandora Filmes
Brasil, 1976. Em um intervalo de poucos meses, o país assiste às mortes do ex-presidente Juscelino Kubitschek (num acidente automobilístico) e de João Goulart (de um suposto infarto). Para a jornalista Silvana (Mel Lisboa), as circunstâncias são suspeitas demais para serem coincidência. A Conspiração Condor toma esses eventos reais como ponto de partida para um thriller político que investiga as engrenagens da Operação Condor — a aliança secreta entre ditaduras sul-americanas para perseguição e eliminação de opositores.
O filme funciona melhor quando abraça o gênero com clareza: a estrutura de investigação jornalística evoca referências como Todos os Homens do Presidente (1976), e a reconstituição do clima de controle e paranoia da ditadura é conduzida com precisão histórica. Mel Lisboa entrega uma protagonista convincente, cuja transformação de colunista de fofocas em jornalista investigativa se dá de forma orgânica. Dan Stulbach e Nilton Bicudo oferecem contrapontos sólidos, e a aparição de Pedro Bial como Carlos Lacerda é uma das escolhas de casting mais acertadas do filme.
As fragilidades surgem na execução do suspense: Silvana raramente parece em perigo real dentro de um regime que tortura e mata opositores, o que enfraquece a tensão que o gênero exige. Limitações orçamentárias se fazem notar em alguns cenários pouco densos. Ainda assim, ao abordar aspectos menos explorados da ditadura, o filme amplia o repertório histórico do cinema nacional recente. Um lançamento relevante e bem-vindo.
Os Estranhos: Capítulo Final
Terror – EUA – 18 anos
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Alan R. Cohen e Alan Freedland
Elenco: Madelaine Petsch, Gabriel Basso, Ema Horvath e Richard Brake
Produção: Lionsgate – Distribuição no Brasil: Paris Filmes
Terceiro e último capítulo da trilogia reiniciada por Renny Harlin, Os Estranhos: Capítulo Final conclui a jornada de Maya (Madelaine Petsch), sobrevivente dos dois filmes anteriores que agora enfrenta os mascarados assassinos em uma confrontação derradeira. O longa foi filmado simultaneamente com os capítulos 1 e 2 em 2022, o que explica tanto a coesão visual quanto o senso de aceleração forçada da trama.
A recepção da crítica especializada foi severa: apenas 20% de aprovação no Rotten Tomatoes e nota D no CinemaScore — a pior avaliação da franquia. A principal queixa é a ausência de tensão genuína: Maya raramente parece vulnerável, o clímax é previsível e a duração enxuta expõe o quanto pouco a narrativa tem a oferecer.
O que ainda merece reconhecimento são as performances centrais. Madelaine Petsch transmite vulnerabilidade que se transforma em determinação feroz, e sua química com Gabriel Basso é o coração emocional do filme. Para os fãs mais fiéis da franquia, o encerramento pode satisfazer; para o público em geral, Os Estranhos: Capítulo Final representa uma despedida abaixo do potencial que o gênero oferecia.
Eu & Você Na Toscana
Comédia / Romance – EUA – 12 anos
Direção: Kat Coiro
Roteiro: Ryan Engle and Kristin Engle
Elenco: Halle Bailey, Regé-Jean Page e Lorenzo de Moor
Produção: Will Packer, Federico Forti
Dirigida por Kat Coiro, cineasta conhecida pelo trabalho em Ela Disse Sim? (2022), Eu & Você Na Toscana é uma comédia romântica de viagem que aposta nos encantos das paisagens italianas e na dupla carismática de Halle Bailey e Regé-Jean Page. A trama acompanha Anna, que embarca em uma viagem impulsiva à Itália após conhecer um italiano charmoso, com planos de explorar a mansão vazia de sua família. O problema surge quando a mãe do italiano aparece sem aviso — e toda a família passa a acreditar que Anna é a nova noiva do filho.
A premissa clássica das comédias de engano ganha frescor principalmente graças à presença de Halle Bailey, que combina leveza cômica com uma simpatia genuína. Regé-Jean Page mantém o charme que o consagrou em Bridgerton, e a dupla gera a química necessária para que o romance funcione. As locações na Toscana são filmadas com generosidade, entregando o prazer visual que o público do gênero aprecia.
O filme não pretende reinventar a fórmula — e não reinventa. Os clichês são abraçados com afeto e os mal-entendidos se resolvem nos momentos esperados. Para quem busca entretenimento leve e romanticamente agradável, Eu & Você Na Toscana cumpre sua promessa com simpatia.
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