AGENTES MUITO ESPECIAIS
Comédia – Brasil
Direção: Pedro Antônio
Roteiro: Fil Braz e Renato Fagundes
Elenco: Marcus Majella, Pedroca Monteiro, Dira Paes, Chico Diaz
Produção: Downtown Filmes
Agentes Muito Especiais chega aos cinemas brasileiros apostando em uma comédia de ação leve, claramente pensada para dialogar com o grande público. O filme trabalha com situações típicas do gênero policial, mas sempre filtradas por um humor acessível, mais interessado em provocar risadas do que em construir tensão real. O resultado é uma obra que não se leva a sério e entende bem esse posicionamento.
A narrativa se apoia sobretudo na dinâmica entre seus protagonistas, explorando contrastes de personalidade e o choque entre métodos pouco convencionais e a burocracia tradicional das instituições. O roteiro prefere caminhos previsíveis, mas funciona ao assumir essa simplicidade como parte da proposta, investindo em diálogos rápidos e cenas pensadas para o timing cômico.
Como entretenimento, Agentes Muito Especiais cumpre o que promete: diversão descompromissada, com um olhar bem-humorado sobre o imaginário de filmes de espionagem e ação. Não é um filme que busca inovação ou profundidade temática, mas encontra seu valor ao se posicionar como uma opção nacional voltada ao público que procura leveza, humor e identificação com situações e personagens reconhecíveis.
FAMÍLIA DE ALUGUEL
Drama / Comédia – EUA / Japão
Direção: Mitsuyo Miyazaki (Hikari)
Roteiro: Mitsuyo Miyazaki (Hikari)
Elenco: Brendan Fraser, Takehiro Hira, Mari Yamamoto
Produção: Disney
Família de Aluguel é uma comédia dramática que mistura humor leve com reflexões sobre solidão, pertencimento e as conexões humanas que surgem em caminhos inesperados. Estrelado pelo vencedor do Oscar Brendan Fraser, o filme acompanha Phillip, um ator americano que vive em Tóquio tentando reerguer a carreira depois de anos sem papéis relevantes.
O incrível mundo excêntrico da solidão que nos foi brindado por Sofia Coppola em 2003 com seu belíssimo “Encontros e Desencontros” (Lost in Translation), é revisitado de uma forma honesta e categórica através do trabalho da cineasta Hikari e de Brendan Fraser.
A proposta narrativa gira em torno de uma agência pouco convencional: uma empresa que “aluga” familiares substitutos para pessoas que precisam de companhia ou conforto em momentos delicados da vida. A partir desse trabalho curioso, Phillip começa a formar relacionamentos improváveis (de pai postiço a amigo ou acompanhante em eventos sociais) que o levam a descobrir novas maneiras de se relacionar com os outros e, sobretudo, com seus próprios sentimentos de vazio e desconexão.
O ponto alto da obra está na interpretação de Fraser, que equilibra nuances de humor, vulnerabilidade e ternura ao dar vida a um personagem que caminha entre o riso e a melancolia. Seu desempenho cria empatia e convida o público a pensar sobre como buscamos conexão em um mundo cada vez mais solitário, e como papéis “emprestados” podem acabar se tornando reais de forma inesperada.
Embora se apoie em um conceito que poderia parecer excêntrico, o filme encontra força na maneira humana com que explora a necessidade de laços afetivos — mostrando que, muitas vezes, quem fingimos ser acaba nos levando a confrontar quem realmente somos.
A USEFUL GHOST: UMA AJUDA DO ALÉM
Fantasia – Tailândia, França, Cingapura, Alemanha
Direção: Ratchapoom Boonbunchachoke
Roteiro: Ratchapoom Boonbunchachoke
Elenco: Davika Hoorne, Wisarut Himmarat, Apasiri Nitibhon, Wanlop Rungkumjud, Wisarut Homhuan
Distribuição: Pandora Filmes
Um Fantasma Útil é um filme tailandês que mistura comédia, drama e fantasia de um jeito estranho e envolvente — e que chamou atenção internacional ao conquistar o Grande Prêmio na Semana da Crítica do Festival de Cannes em 2025, um feito raro para uma produção do país.
A história gira em torno de March, um homem devastado pela morte recente da esposa Nat, vítima de uma doença causada pela poluição da fábrica da família. Para sua surpresa, Nat retorna de uma maneira improvável: não como fantasma flutuante, mas encarnada em um aspirador de pó. Essa imagem bizarra e inesperada — um objeto doméstico possuído — é o ponto de partida para uma reflexão surpreendentemente tocante sobre amor, luto e o que significa continuar conectado às pessoas que amamos.
O equilíbrio entre o absurdo e o emocional é um dos maiores trunfos do filme. Embora a ideia de um “fantasma aspirador” possa parecer cômica à primeira vista, a forma como o diretor Ratchapoom Boonbunchachoke explora essa relação transforma o inusitado em algo profundamente humano. A narrativa brinca com elementos fantásticos e, ao mesmo tempo, não hesita em mergulhar nas dores e contradições da vida cotidiana — especialmente quando a família do protagonista reage com desconforto e até repulsa a essa ligação sobrenatural.
O humor ácido e as situações surreais funcionam como uma camada superficial para perguntas mais profundas: como lembramos os mortos? O que significa ser “útil” depois da morte? E até que ponto nossas memórias mantêm vivos aqueles que perdemos? Um Fantasma Útil não responde essas questões com clareza absoluta, mas as coloca em cena de forma inventiva e, por vezes, comovente, tornando o filme uma experiência que vai além da simples comédia fantástica.
O PRIMATA
Suspense – EUA
Direção: Johannes Roberts
Roteiro: Johannes Roberts e Ernest Riera
Elenco: Johnny Sequoyah (Lucy), Troy Kotsur (Adam), Jessica Alexander, Kevin McNally, Victoria Wyant, Kae Alexander, Benjamin Cheng, Miguel Hernando Torres Umba (Ben)
Produção: Paramount Pictures
Primata é um suspense psicológico que usa o comportamento humano e animal como espelho para explorar temas como culpa, sobrevivência e a tênue linha entre controle e instinto. Ao invés de apostar em sustos fáceis ou efeitos exagerados, o filme constrói sua tensão lentamente, sustentada por atuações contidas e uma atmosfera cada vez mais claustrofóbica.
A trama gira em torno de um grupo de pesquisadores que estudam primatas em uma região remota e se vê em uma situação extrema quando acontecimentos inexplicáveis começam a abalar o que antes era um ambiente de pesquisa tranquila. O diretor Johannes Roberts (com certa experiência nesse tipo de narrativa tensa) prefere deixar o público desconfortável por meio de silêncios, olhares demorados e a sensação de que algo está sempre fora do lugar. Essas escolhas conferem ao filme um ritmo deliberado, que pode parecer lento para quem espera ação imediata, mas que funciona para quem aprecia uma construção gradual de suspense.
O ponto alto de Primata é a maneira como ele conecta as reações humanas às respostas dos animais que observa. Existe um jogo curioso entre o racional e o instintivo, como se a situação forçasse personagens e espectadores a confrontar aquilo que muitas vezes ignoramos sobre nós mesmos. Em certos momentos, o roteiro chega a questionar se o verdadeiro “perigo” é externo ou está dentro daqueles que acreditam estar no controle.
Em termos de performances, o elenco entrega uma combinação sólida de naturalidade e tensão contida, sem exageros dramáticos que poderiam tirar a credibilidade da história. A direção de fotografia contribui demais para a imersão, capturando paisagens isoladas e detalhes visuais que reforçam tanto a beleza quanto o desconforto daquele ambiente.
No geral, esse filme não é um thriller convencional e nem tenta seguir fórmulas já desgastadas do gênero. Ele se vale do silêncio, da expressão corporal e de decisões narrativas ousadas para instigar o público a pensar, sentir e, sobretudo, permanecer atento a cada nuance. É o tipo de filme que cresce na memória de quem o assiste — não apenas pelo desenrolar da ação, mas pelo espaço que deixa para reflexão depois dos créditos finais.
TIMIDEZ
Drama – Brasil
Direção: Susan Kalik e Thiago Gomes Rosa
Roteiro: Susan Kalik, Cláudia Barral e Marcos Barbosa
Elenco: Dan Ferreira, Evana Jeyssanm, Antônio Marcelo
Produção: Clélia Bessa e Marcos Pieri
Timidez surge como um dos filmes mais comentados do cinema nacional recente, combinando autenticidade, humor sutil e sensibilidade narrativa. A produção baiana conquistou destaque ao ganhar seis prêmios no Festival de Cinema de Triunfo, sinalizando que sua abordagem delicada e seu olhar introspectivo ressoaram fortemente entre críticos e público especializado.
O longa acompanha personagens que, à primeira vista, parecem comuns, mas que aos poucos revelam camadas profundas de insegurança, desejos não ditos e conflitos internos. A timidez aqui não é apenas um traço de personalidade, mas uma lente pela qual enxergamos os desafios emocionais de seus protagonistas — seja na interação com outras pessoas, no enfrentamento de situações cotidianas ou no embate entre sonhos e medos.
O que mais chama atenção em Timidez é o modo como os diretores e o elenco conseguem equilibrar humor e drama sem cair em exageros. As cenas mais leves não diminuem a profundidade da história; ao contrário, ajudam a humanizar personagens que, apesar de vivenciarem suas inseguranças, permanecem acessíveis e identificáveis. Essa mistura de leveza e reflexão cria uma experiência cinematográfica íntima, que conversa com quem já se sentiu deslocado ou lutou para se expressar.
Embora o ritmo mais contemplativo possa não agradar a todos, ele se justifica pela proposta do filme: não se trata de um entretenimento acelerado, mas de um convite à empatia e ao entendimento de traços humanos que muitas vezes são negligenciados.
ENZO
Drama – Itália/França/Bélgica
Direção: Robin Campillo
Roteiro: Robin Campillo e Laurent Cantet
Elenco: Eloy Pohu, Pierfrancesco Favino, Elodie Bouchez, Maksym Slivinskyi, Nathan Japy, Vladyslav Holyk, Malou Khebizi, Philippe Petit
Produção: Lucky Red, Page 114, Les Films du Fleuve, France 3 Cinéma, AMI Alexandre Mattiussi.
Robin Campillo apresenta em Enzo um trabalho cinematográfico que habita os espaços menos evidentes da narrativa, onde sentimentos permanecem sutis e contidos. O que inicialmente parece ser uma história convencional de amadurecimento — um jovem de classe média que escolhe trabalhar na construção civil para se distanciar do ambiente familiar privilegiado — transforma-se em um estudo profundo sobre a Geração Z, caracterizada pela apatia, incerteza e uma busca silenciosa por pertencimento.
A direção de Campillo acompanha Enzo, interpretado com sensibilidade impressionante pelo estreante Eloy Pohu, mantendo uma distância observacional que não julga nem oferece explicações fáceis. Cada movimento, cada momento de silêncio, expõe a tensão existente entre corpo e identidade, entre conforto material e vazio existencial. O protagonista sente-se deslocado tanto no ambiente acolhedor de sua casa quanto no trabalho físico e árduo da obra. Porém, é justamente ali, em meio ao suor, à poeira e aos olhares trocados com Vlad — o trabalhador ucraniano que representa força bruta e desejo não declarado — que ele começa a descobrir seu próprio despertar.
O diretor aborda o homo erotismo com autenticidade, evitando os lugares-comuns típicos de narrativas de descoberta juvenil. Sua perspectiva é ética e comedida, consciente do significado simbólico de retratar o desejo em um corpo adolescente. Em vez de fornecer respostas prontas, o filme levanta questionamentos: como alguém se define quando tudo — origem social, família, trajetória — parece já ter sido determinado? O filme sugere que o autoconhecimento não acontece como uma epifania, mas como uma vivência incerta, uma pausa entre receio e interesse.
Do ponto de vista visual, Enzo é construído com economia narrativa e precisão estética. A iluminação do sul da França, intensa e mineral, realça a materialidade do mundo físico: concreto, pele, temperatura. A ausência de trilha sonora e a edição discreta criam uma atmosfera de distanciamento que lembra o existencialismo de Antonioni ou a observação social de Laurent Cantet, a quem o filme presta tributo de maneira sutil e tocante.
Em sua aparente tranquilidade, Enzo sintetiza as tensões de uma geração que cresce entre abundância material e ausência de sentido. Campillo não busca chocar, mas sim compreender. Compreender os jovens que não vocalizam seus conflitos, mas apenas observam. Compreender o desejo quando ele ainda não consegue se articular em palavras. Nesse exercício, seu cinema reafirma sua força política e afetiva: a capacidade de encontrar humanidade nos momentos de quietude.
Mais do que simplesmente uma narrativa sobre descobrir-se, Enzo funciona como um reflexo da vulnerabilidade contemporânea, uma reflexão sobre identidade e isolamento em tempos de fartura. Campillo entrega um trabalho austero porém repleto de sensibilidade, uma obra que comprova que as histórias mais impactantes nem sempre são barulhentas: algumas vezes, elas apenas murmuram.
KOKUHO – O MESTRE KABUKI
Drama – Japão
Direção: Lee Sang-il
Roteiro: Satoko Okudera, Shuichi Yoshida
Elenco: Keitatsu Koshiyama, Soya Kurokawa, Ai Mikami
Produção: Shinzo Matsuhashi, Chieko Murata, Minami Ichikawa, Akihito Watanabe.
No Japão, o termo “kokuho” é utilizado para designar tesouros nacionais e personalidades excepcionais que alcançaram maestria absoluta em suas respectivas áreas artísticas ou profissionais. Este é também o título da nova produção épica de Lee Sang-il, lançada pela Toho e escolhida como representante japonesa na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional em 2026. Não por acaso, tornou-se o filme original mais lucrativo do ano no território japonês, desconsiderando adaptações de propriedades intelectuais já existentes. Com suas três horas de duração, a obra apresenta-se como um desafio ambicioso, acompanhando a trajetória do protagonista Kikuo (interpretado por Ryo Yoshizawa na fase adulta), um aprendiz de kabuki com origem yakuza cuja ascensão e queda adquirem proporções verdadeiramente operísticas.
Assim como ocorre com diversos filmes contemporâneos, independentemente de sua origem geográfica, “Kokuho” poderia ter se beneficiado de uma edição mais rigorosa e concisa. Algumas subtramas não se integram de maneira tão coesa quanto o drama central, que explora fundamentalmente as complexidades da masculinidade em conflito. O diretor Lee ameniza as nuances homoeróticas (esta definitivamente não é uma narrativa explicitamente “queer”) mas ainda assim convida o espectador a considerá-las enquanto acompanhamos o desenvolvimento de uma profunda amizade ao longo da vida entre Kikuo e Shunsuke (Ryusei Yokohama), filho do mestre de kabuki que instrui Kikuo e, tecnicamente, o herdeiro legítimo do legado artístico da família.
A expressão “já foi decidido” surge repetidamente ao longo de “Kokuho”, funcionando como uma referência à fidelidade da cultura japonesa às tradições ancestrais, à tendência de atribuir reviravoltas dramáticas na existência (e mesmo decisões burocráticas cotidianas) a uma espécie de inevitabilidade cósmica. De modo similar, a repressão emocional vivenciada por homens e mulheres japoneses representa, tanto no filme quanto na realidade social, simplesmente parte integrante da vida, uma vez que a narrativa atravessa desde os anos 1970 até os dias atuais sem grandes mudanças nas correntes sociais intrinsecamente desfavoráveis à expressão individual. Estabelece-se que Kikuo se tornará a próxima lenda do kabuki, não necessariamente pelo julgamento artístico de Hanai Hanjiro (Ken Watanabe, sempre emocionalmente distante e contido), pai de Shunsuke, mas quase como se o talento de Kikuo na prática artística fosse desconectado de seu posicionamento místico na extensa linhagem histórica de predecessores e sucessores do kabuki.
“Kokuho” concentra-se especificamente em um período extenso da história do kabuki durante o qual homens eram obrigados a interpretar papéis femininos — vestindo trajes tradicionais femininos completos, maquiagem facial branca como pó e adotando uma voz aguda que poderia parecer irritante, mas que se revela ternamente devastadora precisamente por seu contraste com as pressões sociais externas ao palco kabuki que exigem a manutenção de um registro masculino dominante. Quando, nos anos 1980, Hanai (Watanabe) sofre um colapso médico, tossindo sangue no palco enquanto diabetes não tratada se apodera dele juntamente com a consciência de que seu tempo acabou, o impulso instintivo é cobri-lo com um tecido vermelho em vez de romper o decoro cênico. Ou, de forma mais ampla, o decoro da vida social em geral.
“Sua derrocada chegará”, é o que ouve um jovem Kikuo (interpretado por Sōya Kurokawa na adolescência) enquanto inicia sua escalada na forma artística após testemunhar o assassinato de seu pai yakuza e fracassar de maneira pouco cerimoniosa em vingar o homicídio. Paralelamente, Shunsuke (interpretado por Keitatsu Koshiyama quando criança) aspira tornar-se um “ator de verdade”, talvez não um ator de kabuki, que carrega consigo uma camada literal pesada de artificialismo, e assim quando seu pai adoecido decide adotar Kikuo como seu verdadeiro herdeiro artístico, Shunsuke, devastado emocionalmente, abandona o ninho familiar.
As vidas dos dois personagens continuam oscilando e entrelaçando-se ao longo das décadas seguintes, culminando em uma reunião como o Han-Han Duo, dupla de dramatistas especializados movimentando-se em trajes decorados elaborados. O diretor Lee demonstra fascínio e até mesmo absorção pela elegância dos movimentos no palco, e se ao menos esses dois pudessem transitar com tal graciosidade pela vida: alcoolismo, depressão, explosões de fúria e, em determinado momento, pés gangrenados passam a definir suas existências fora da passarela hanamichi sobre a qual encenam o kabuki para platéias extasiadas.
“Kokuho” configura-se integralmente como um filme comercial (ele arrecadou mais de 110 milhões de dólares no Japão) em vez de um filme de arte, mas não deixa de contemplar uma Osaka que parece congelada no tempo, numa atemporalidade da vida convergindo em torno do kabuki, de um Japão cristalizado em âmbar. Embora cartelas tornem as mudanças de período claras, existem poucos marcadores reconhecíveis que façam o espectador pensar “ah, certo, estamos nos anos 80 agora”. Isso ocorre porque, por mais rápido (ou neste caso, lentamente) que o tempo esteja se movendo, nada está realmente se transformando. Nem o mundo ao redor do kabuki nem as demandas dentro dele. Mas Kikuo e Shunsuke estão mudando, o que os desloca de um mundo fixado em seu lugar.
A produção ostenta valores de produção bem marcantes, tipo uma direção de fotografia que captura tanto a beleza estética das performances kabuki quanto os momentos mais crus e vulneráveis dos personagens em suas vidas particulares. As atuações de Yoshizawa e Yokohama ancoram o filme com convicção emocional, transmitindo décadas de amizade complexa, rivalidade e conexão profunda através de gestos sutis e expressões contidas que se alinham perfeitamente com o estilo narrativo do filme.
Lee Sang-il demonstra habilidade em equilibrar espetáculo visual com intimidade emocional, mesmo quando o roteiro ocasionalmente se perde em tangentes menos desenvolvidas. O compromisso do filme em explorar as tensões entre tradição e individualidade, entre obrigação social e desejo pessoal, e entre as máscaras que usamos no palco e aquelas que vestimos na vida cotidiana oferece substância temática considerável, ainda que nem sempre seja explorada com a profundidade que merece.
“Kokuho” funciona melhor quando abraça seu próprio núcleo (a relação entre Kikuo e Shunsuke, duas almas ligadas pela arte mas separadas pelas circunstâncias e expectativas sociais). Nesses momentos, o filme transcende suas limitações narrativas ocasionais e oferece um retrato genuinamente comovente da masculinidade japonesa em todas as suas contradições e complexidades. É um filme que exige paciência de sua audiência, mas recompensa aqueles dispostos a mergulhar em seu mundo meticulosamente construído de beleza, tradição e repressão emocional.
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