Filmes no cinema HOJE

Filmes no cinema HOJE! Destaques de 17 de setembro de 2026

Divirta-se Cinema Noticias

A semana que encerra a 2ª edição da Semana do Cinema 2026 tem o maior evento da temporada de terror: Resident Evil, o reboot de Zach Cregger, chega aos cinemas brasileiros um dia antes dos Estados Unidos, com críticas que já o celebram como uma das melhores adaptações de videogame da história. Os filmes no cinema hoje também contemplam o cinema brasileiro com “Antártida” uma megaprodução dos Estúdios Globo num thriller claustrofóbico sobre violência contra a mulher no gelo do Polo Sul. Para as famílias, o gato Vicent volta em Gatos no Museu 2. E para os fãs do Oasis, Don’t Look Back in Anger eterniza nos cinemas a turnê de reunião de 2025.

Resident Evil

Terror / Ação / Survival Horror – EUA / Alemanha – 18 anos

Título Original: Resident Evil

Duração: 94 minutos

Direção: Zach Cregger

Roteiro: Zach Cregger e Shay Hatten (baseado na franquia de videogames Resident Evil, da Capcom)

Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry, Kali Reis, Paul Walter Hauser e Emily Piggford

Produção: Robert Kulzer, Zach Cregger, Roy Lee, Miri Yoon, Carter Swan e Asad Qizilbash (Columbia Pictures / Constantin Film / Davis Films / Vertigo Entertainment / PlayStation Productions)

Orçamento: US$ 80 milhões

Fotografia: Dariusz Wolski

Distribuição: Sony Pictures Brasil

Nenhum cineasta de sua geração faz o que Zach Cregger faz. Com Noites Brutais (2022), ele entregou um dos filmes de terror mais originais da década. Com A Hora do Mal (2024), expandiu sua linguagem sem perder o foco. Agora, ao assumir a franquia Resident Evil para a Sony Pictures, Cregger faz algo que muitos cineastas falham ao trabalhar com propriedade intelectual consagrada: trata o material como ponto de partida para cinema, não como decoracão. Resident Evil acompanha Bryan (Austin Abrams), um entregador médico que aceita uma corrida noturna até o hospital geral de Raccoon City sem saber que a cidade está à beira do colapso biológico. Em 94 minutos enxutos, sem pausa para respiro, Cregger conduz Bryan por uma noite que funciona como mapa fiel do que é jogar um Resident Evil: a ansiedade de entrar num cômodo sem saber o que há dentro, a contagem das balas restantes, os monstros que surgem de ângulos que a câmera deliberadamente omitiu.

A inteligência da adaptação está na escolha de contar uma história paralela aos acontecimentos de Resident Evil 2 (o jogo de 1998), sem precisar adaptá-lo diretamente. Raccoon City está tendo a pior noite de sua história, mas a câmera acompanha um personagem que não sabe de nada disso. Essa perspectiva de desconhecimento total transforma o espectador no aliado imediato de Bryan: todos sabem mais do que ele, exceto sobre a própria sobrevivência. A fotografia de Dariusz Wolski, o mesmo fotógrafo de O Marciano e da saga Piratas do Caribe, cria uma estetica de neblina amarelada que comunica doença, deterioração e perigo sem recorrer ao escuro absoluto que tantos filmes de terror usam como muleta. Austin Abrams, que já havia trabalhado com Cregger em A Hora do Mal, possui uma presença de “gente como a gente” perfeitamente calibrada: Bryan toma decisões ruins porque teria medo, erra porque está com medo, mas também demonstra desde o inicio uma genuína vontade de fazer a coisa certa que o torna imediatamente simpático.

A crítica internacional classifica o filme como um dos melhores de Cregger, mais direto e menos ambíguo que os anteriores, e como a “melhor adaptação de videogame que o cinema já produziu em termos de fidelidade à experiência de jogar”. O design de criaturas, inspirado nos jogos mas empurrado em direções que o próprio Cregger descreve como muito além do que esperava, é apontado como o ponto mais ousado do filme. O roteiro perde um pouco de consistência no segundo ato, quando a comédia ganha espaço em detrimento da tensão. Mas Cregger compõe até nesses momentos com a mesma precisão de alguém que sabe exatamente onde quer chegar. Estreia no Brasil um dia antes dos EUA.

Antártida

Suspense / Drama / Thriller Psicológico – Brasil – 16 anos

Duração: 94 minutos

Direção: Bruno Safadi

Roteiro: Claudia Jouvin

Elenco: Andrea Beltrão, Leandra Leal, Marina Ruy Barbosa, Lázaro Ramos, Antonio Calloni, Mariana Sena, João Vitor Silva, Gero Camilo, Henrique Barreira, Renan Monteiro, Adélio Lima e Marcos de Andrade

Produção: Isabela Bellenzani – Produção Executiva: Raphael Cavaco e Betina Paulon – Supervisão Artística: José Luiz Villamarim – Fotografia: Mauro Pinheiro Jr. – Montagem: Rodrigo Lima – Produtora: Estúdios Globo – Coprodutora: TV Globo – Tecnologia: Estúdio de Produções Virtuais / Unreal Engine – Filmado no Rio de Janeiro – Estreia no 54º Festival de Cinema de Gramado – Distribuição: Paris Filmes

Antártida começa com uma promessa dupla. A primeira promessa é tecnológica: foi o primeiro longa de ficção brasileiro rodado inteiramente em estúdio de produção virtual com tecnologia “Unreal Engine”, a mesma usada em produções internacionais como The Mandalorian. O Unreal Engine é uma tecnologia criada pelos estúdios por trás do game Fortnite (a Epic Games) e que logo foi adotada por Hollywood tamanha facilidade eles trazem para um estúdio. São telas de LED de alta definição que simulam virtualmente qualquer cenário que exista ou venha a existir. Os Estúdios Globo transformaram por exemplo um estúdio no Rio de Janeiro numa estação de pesquisa da Antártida convincentemente, com neve, gelo, ventos e o desespero físico do frio extremo produzindo seus efeitos sobre os personagens sem que saíssem ao menos até o porto da cidade. A segunda promessa é temática: o roteiro de Claudia Jouvin coloca numa base isolada do mundo um crime de violência sexual, transforma todos os homens em suspeitos e entrega às mulheres da estação a tarefa de investigar, proteger e sobreviver. A subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão) assume a liderança da investigação ao lado das cientistas Marina (Leandra Leal) e Rose (Mariana Sena), enquanto a vítima Inês (Marina Ruy Barbosa) precisa ser protegida num ambiente que a ameaça de todos os lados.

A crítica especializada é dividida e aponta com precisão os dois lados da equação. No lado do mérito, a tecnologia está a serviço da história: o cenário digital é convincente e o desespero físico do frio comunica perigo sem depender apenas do figurino. O suspense de quem cometeu o crime é bem construído, o roteiro dosa a desconfiança entre os personagens com competência, e Andrea Beltrão sustenta o peso emocional do filme com a mesma autoridade serena que é sua marca. Do lado das críticas, o excesso de exemplos de abuso e o tom excessivamente pedagógico do roteiro são apontados como limitações que enfraquecem o impacto da denúncia. O filme quer tratar de violência sexual como fenômeno estrutural, mas ao multiplicar os casos para garantir que o espectador compreenda, acaba esvaziando a força emocional de cada situação individual. A vítima, paradoxalmente, é apontada por parte da crítica como o personagem menos desenvolvido da trama.

Aberto no 54º Festival de Cinema de Gramado e produzido com apoio da Paris Filmes, Antártida representa um investimento significativo no cinema brasileiro em escala de produção. Ao encaminhar para o streaming do Globoplay após a janela nos cinemas, o projeto garante uma segunda vida que ampliará seu alcance bem além das salas. Para o público que aprecia thrillers claustrofóbicos com temática social e um elenco de nomes conhecidos, é a estreia nacional mais robusta desta semana.

Oasis: Don’t Look Back in Anger

Documentário / Musical – Reino Unido – 12 anos

Direção: Will Lovelace e Dylan Southern

Roteiro / Criação: Steven Knight (criador de Peaky Blinders)

Elenco / Participantes: Liam Gallagher, Noel Gallagher, Paul Arthurs (Bonehead) e fãs da turnê Oasis Live ’25

Produção: Sony Music Vision

Em 2009, Liam e Noel Gallagher se separaram em Paris no meio de uma briga nos bastidores do festival “Rock en Seine” que ficou gravada na memória da cultura pop como um dos rompimentos mais explosivos do rock britânico. Durante quinze anos, cada entrevista com qualquer um dos irmãos sobre a possibilidade de reunião gerava manchetes e especulações. Em 2024, o anúncio chegou. E em 2025, o Oasis saiu em turnê pelo mundo numa corrida histórica que vendeu mais de um milhão de ingressos nas primeiras horas e se tornou um dos maiores eventos musicais da década. Oasis: Don’t Look Back in Anger registra essa jornada e entrega, nas palavras da crítica especializada, um dos documentários de show mais emocionalmente honestos já feitos sobre uma banda britânica desse porte.

Will Lovelace e Dylan Southern, responsáveis pelo aclamado Meet Me in the Bathroom (2022), sobre a cena indie de Nova York dos anos 2000, constroem o filme em torno de um formato que parece simples mas é sofisticado na execução: cada música é apresentada de forma encurtada mas conectada a depoimentos de fãs específicos, revelando o que cada canção significou para uma pessoa real. Há ainda as primeiras entrevistas conjuntas de Noel e Liam em mais de vinte anos, com acesso a ensaios e bastidores que não haviam sido mostrados publicamente. O roteiro criado por Steven Knight, o criador de Peaky Blinders, guia a narrativa com a precisão de quem entende tanto de drama humano quanto de identidade britânica. Um momento particular ressoa com especial força: durante a apresentação em São Paulo, Liam dedica “Live Forever” ao músico Gary “Mani” Mounfield, do Stone Roses, falecido pouco antes.

O filme não é para quem nunca ouviu Oasis. É feito para quem cresceu acreditando que aquelas canções eram imortais e queria acreditar que a banda também poderia ser. A crítica especializada descreve o resultado como um retrato carregado de amor genuíno, que captura o fenômeno com afeto sem abrir mão da lucidez. Para os fãs, é uma das experiências cinematográficas mais emocionantes do ano.

Gatos no Museu 2: Tesouros do Egito

Animação / Aventura / Comédia / Família – Rússia – Livre

Título Original: Koty Ermitazha 2. Tayna egipetskogo zala

Duração: 90 minutos

Direção: Vasiliy Rovenskiy

Distribuição no Brasil: Imagem Filmes

Baseada numa franquia inspirada nos famosos gatos reais do Museu Hermitage de São Peters­burgo, Gatos no Museu 2: Tesouros do Egito retoma as aventuras de Vicent e Maurice em mais uma noite repleta de mistério e peripécias pelas salas imponentes da instituição. Desta vez, os gatos seguem as pistas de um enigma ligado a uma coleção de artefatos egípcios guardados no museu, numa corrida cheia de obstáculos até um poderoso gênio que só concede um desejo a cada mil anos. A trama, previsível nos eixos principais, funciona como suporte para uma série de sequências de perseguição e humor visual que são o coração da franquia desde o primeiro filme.

O cenário do Hermitage continua sendo o grande diferencial da série: a animação reproduz com capricho a arquitetura, os acervos e a atmosfera dos salões do museu, transformando o espaço real num mundo de aventura que funciona como educação despretensiosa sobre uma das maiores col&eções de arte do mundo. O filme mantém o ritmo ágil e o humor acessível que fizeram o primeiro episódio da série ser bem recebido pelo público infantil brasileiro. Para as crianças, é uma opção animada com cenário fascinante e personagens carismáticos. Para os pais, a ambientação cultu­ral é um bônus que justifica a sessão em família.