Filmes em Cartaz nos Cinemas

Filmes em Cartaz nos Cinemas – Destaques de 10 de setembro de 2026

Divirta-se Cinema Noticias

Esta semana marca o início da 2ª edição da Semana do Cinema 2026, com ingressos a partir de R$ 10 em mais de 450 municípios do país. E as estre­ias estão à altura da ocasião. O destaque comercial é a aguardíssima volta de Nicole Kidman e Sandra Bullock em “Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor”, quase três décadas após o cult de 1998. Para as famílias, “A Maravilhosa Árvore Encantada” traz Andrew Garfield e Claire Foy num conto de fadas britânico sobre o valor de se desconectar. Jason Statham distribui socos num navio em “Código: Vigança”. O humor desatinado de “Idiotas” e a homenagem a Marília Pêra em “Viva Marília” completam uma semana com opções para todos os gostos.

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor

Fantasia / Romance – EUA – 12 anos

Título Original: Practical Magic 2

Duração: 130 minutos

Direção: Susanne Bier

Roteiro: Akiva Goldsman, Georgia Pritchett e Kelly Marcel (baseado no livro O Livro da Magia, de Alice Hoffman)

Elenco: Sandra Bullock, Nicole Kidman, Joey King, Maisie Williams, Lee Pace, Xolo Marideña, Dianne Wiest, Stockard Channing e Cassie Bradley

Produção: Denise Di Novi, Sandra Bullock e Nicole Kidman – Fotografia: Simon Duggan – Música: Rupert Gregson-Williams – Distribuição: Warner Bros. Pictures

Quase trinta anos sep­aram Da Magia à Sedução (1998) de sua esperada continuação. Quando o original estreou, foi rejeitado pela crítica por oscilar bruscamente entre a comédia romântica, o suspense sobrenatural e o drama doméstico. Com o tempo, conquistou uma legião de fãs que o adotou como um cult sobre irmãndade, perda e a força do amor feminino. Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor reconhece esse legado e o trata com o devido cuidado: a diretora sueca Susanne Bier, conhecida por obras como Bird Box e The Night Manager, não tenta replicar o original, mas ampliar seu universo. As irmãs Sally (Sandra Bullock) e Gillian Owens (Nicole Kidman) retornam anos depois, ainda perseguidas pela maldição ancestral que impede o amor em suas vidas sem que haja consequências fatais. O gatilho da nova história é a filha de Sally, Kylie (Joey King), que se apaixona e acaba por descobrir a magia e a maldição que a mãe tanto tentou esconder.

A crítica internacional recebeu o filme com reações divididas, o que é quase um espelho do que aconteceu com o original. Os elogios concentram-se exatamente onde o filme é mais forte: a relação entre Bullock e Kidman, que mantêm uma cumplicidade de personagens que amadureceram de formas diferentes e precisam reencontrar o equilíbrio entre seus destinos. A fotografia de Simon Duggan constrói uma paleta quente e outonal que dialoga com a estetica do original sem imitá-la. Joey King e Maisie Williams funcionam bem como a nova geração das Owens, ainda que o roteiro lhes ofereça menos espaço do que o elenco merece. As principais críticas apontam para a duração excessiva de 130 minutos e para um roteiro que embora tenha estirpe (Akiva Goldsman), acumula ideias sem sempre saber o que fazer com todas elas.

Ao contrário da maioria das continuações feitas décadas depois, este filme existe por uma razão emocional real. Bullock e Kidman não voltaram apenas porque o público queria revê-las. Voltaram porque havia algo novo para dizer sobre essas mulheres. O que sustenta a narrativa ao longo de seus excessos é justamente o laço entre as Owens, que continua sendo, como sempre foi, a maior magia do filme.

A Maravilhosa Árvore Encantada

Aventura / Fantasia / Família – Reino Unido / EUA – Livre

Título Original: The Magic Faraway Tree

Duração: 110 minutos

Direção: Ben Gregor

Roteiro: Simon Farnaby (baseado na série de livros The Faraway Tree, de Enid Blyton)

Elenco: Andrew Garfield, Claire Foy, Nicola Coughlan, Rebecca Ferguson, Nonso Anozie, Jennifer Saunders, Jessica Gunning, Delilah Bennett-Cardy, Phoenix Laroche e Billie Gadsdon

Produção: Pippa Harris, Nicholas Brown, Danny Perkins e Jane Hooks (Palisades Park Pictures / Neal Street Productions / Elysian Film Group) – Fotografia: Zac Nicholson – Música: Isabella Summers – Distribuição: Diamond Films Brasil

Enid Blyton escreveu os livros de A Árvore Encantada entre 1939 e 1951 e, com eles, inventou um dos universos da fantasia infanto-juvenil mais queridos da literatura britânica. Nenhuma adaptação cinematográfica havia chegado perto de fazer jus ao material até agora. A Maravilhosa Árvore Encantada é dirigida por Ben Gregor com roteiro de Simon Farnaby, co-roteirista de Paddington 2 e Wonka, dois filmes que demonstraram habilidade rara em equilibrar magia, humor e afeto familiar sem cair no excesso de açúcar. O resultado é uma adapt­ação que honra o espírito do livro ao mesmo tempo em que fala diretamente para as famílias de 2026: a família Thompson deixa a vida hiperconectada da cidade grande para recomeçar no campo, sem Wi-Fi e sem telas. É nesse ambiente de desconexão forçada que a pequena Fran encontra uma fada e, através dela, a Árvore Encantada: uma passagem para mundos inventíveis onde a família redescobre a si mesma.

A crítica especializada destaca a competência com que o filme equilibra dois registros distintos: o quotidiano do casal formado por Tim (Andrew Garfield) e Polly (Claire Foy), com seus conflitos reais sobre identidade e propósito na vida adulta, e as sequências fantásticas nos mundos da Árvore, visuais e aceleradas, pensadas claramente para capturar a imaginação das crianças. Claire Foy constrói uma Polly de preocupação genuína sem reduzir a personagem à função de mãe protetora. Garfield, por sua vez, preserva um entusiasmo quase infantil que funciona como ponte entre o mundo dos adultos e o das crianças. Nicola Coughlan, Rebecca Ferguson e Jennifer Saunders surgem nos mundos mágicos com o humor exato que as cenas pedem. O filme abriu no Reino Unido em março com excelente receptividade de crítica e público e chegou ao Brasil via Diamond Films como uma das apostas familiares mais sólidas desta Semana do Cinema.

Código: Vigança

Ação / Suspense – Reino Unido / EUA – 16 anos

Título Original: Mutiny

Duração: 95 minutos

Direção: Jean-François Richet

Roteiro: Lindsay Michel e J.P. Davis

Elenco: Jason Statham, Annabelle Wallis, Roland Møller, Arnas Fedaraviçius, Adrian Lester, Jason Wong e Chaneil Kular

Produção: Marc Butan e Jason Statham (MadRiver Pictures / Punch Palace Productions) –

Distribuição: Paris Filmes Brasil

Existe uma gramática bem estabelecida no cinema de ação de Jason Statham, e o filme Código: Vigança a respeita sem desviar um centímetro. Cole Reed (Statham) é um ex-policial de Nova York, veterano das Forças Especiais, que trabalha como segurança particular. Quando presencia o assassinato do próprio chefe bilionário e é incriminado pelo crime, embarca num navio cargu­eiro em fuga e descobre, no meio do oceano, que está no centro de uma conspiração internacional. O navio tem um capitalão corrupto (Roland Moller), uma rede de tráfico humano, um contêiner de refugiados à mercê e uma terceira-oficial (Annabelle Wallis) cujos motivos são duvidosos. O que poderia dar errado?

Jean-François Richet, diretor de Avião em Perigo (2023), retorna ao formato de filme-localização única com a competência que demonstrou naquele projeto. O espaço confinado do navio funciona bem como cenário de pressão crescente, e as sequências de ação, ambientadas em corredores, porões e conveses em mau tempo, têm a musculatura tensa que o gênero exige. A crítica aponta que o filme por vezes não abraça com total convicção a lógica simplista que é a marca dos melhores momentos de Statham, deixando de lado um ou dois instintos que poderiam ter elevado o resultado. Mas quando o filme engrena, especialmente nas sequências com machado, anzol e arpão que circulam nas resenhas internacionais como destaques, a equação está cumprida.

Para o público que aprecia o espírito do cinema de ação artesanal, sem CGI dominante e com Statham no modo de operação habitual, Código: Vigança é um programa perfeitamente satisfatório para a Semana do Cinema. Não é o melhor da fase recente de Statham, mas está longe de ser o pior.

Idiotas

Comédia – EUA – 18 anos

Título Original: Idiots

Duração: 98 minutos

Direção e Roteiro: Macon Blair (história de Macon Blair e Alex Orr)

Elenco: Dave Franco, O’Shea Jackson Jr., Mason Thames, Kiernan Shipka, Nicholas Braun, Peter Dinklage, Macon Blair e Killer Mike

Produção: Macon Blair, Dave Franco, Ford Corbett, Nathan Klingher, Alex Orr, Brandon James e Jeremy Saulnier (Gramercy Park Media) – Distribuição: Imagem Filmes

Macon Blair é um dos nomes mais originais do cinema independente americano. Ator frequente nos filmes de Jeremy Saulnier, onde desenvolveu um entendimento único da tensão entre violência e humor, ele assumiu a direção com Já Não Me Sinto em Casa Neste Mundo (2017) e confirmou sua voz com um estilo que mistura absurdo, sincer­idade e um profundo af­eto por personagens que vivem à margem. Idiotas estreou no Festival de Sundance 2026 com o título original intraduzyível e chegou ao Brasil como o tipo de comédia de estra­da que o cinema comercial raramente arriscou desde os anos 1990: sem filtros, sem sentimentalismo e muito ciente do caos que está promovendo. A trama é simples e eficiente. Mark (Dave Franco) e Davis (O’Shea Jackson Jr.) são dois amigos em fase péssima de vida que aceitam um trabalho aparentemente fácil: trans­portar Sheridan (Mason Thames), um adolescente milionário e influenciador digital famoso por suas atrocidades, até uma clínica de reabilitação. Sheridan, claro, tem outros planos.

Com 74% de aprovação no Sundance, o filme foi descrito por parte da crítica como a comédia de ação mais energizada do ano, e por outra parte como uma obra que promete mais do que entrega. A divisão é clara: quem tem appetit­e pelo absurdo com sangue e confusão descobre um filme que cresce a cada reviravolta; quem espera piadas convencionais vai encontrar uma visão de mundo deliberadamente des­confortável. Mason Thames é unanimemente elogiado pela transição de seu papel dócil em Como Treinar Seu Dragão para um personagem perturbador que usa o sorriso como arma. Dave Franco sustenta o núcleo emocional do filme com uma naturalidade que surpre­ende para quem o conhece apenas de papéis mais leves. Peter Dinklage e Nicholas Braun, em participação mais breve, entregam dois dos momentos mais inesperados do longa.

Para o público que aceitou o convite que o título faz sem rodeios, Idiotas é uma das comédias mais densas e originais desta Semana do Cinema. Para os demais, a classificação indicativa de 18 anos já é aviso suficiente sobre o que esperar.

Viva Marília

Documentário / Musical / Biografia – Brasil – Livre

Duração: 87 minutos

Direção: Zelito Viana e Esperança Motta

Roteiro: NÃO ENCONTRADO

Participantes: Marília Pêra (narração e imagens de arquivo), Sandra Pêra e Nina Morena

Produção: NÃO ENCONTRADO

Marília Pêra é uma das maiores artistas da história da cultura brasileira. Atriz, cantora e bailarina, ela percorreu décadas de teatro, cinema e televisão com uma presença que é inconfundível: intensa, irônica, popular e ao mesmo tempo radicalmente intelectual. Quando morreu em 2015, deixou um vazio que o Brasil ainda não sabe bem como nomear. Viva Marília, dirigido por Zelito Viana e Esperança Motta, propõe um reencontro com essa trajetória através de um recurso que confere ao documentário uma dimensão única: é narrado pela própria artista. A voz de Marília Pêra conduz o espectador por imagens de arquivo, entrevistas e registros raros, deixando que ela mesma organize a memória do que viveu, escolheu e recusou ao longo de uma vida inteiramente dedicada à arte.

O pano de fundo da narrativa é o Brasil das transformações políticas, sociais e culturais das décadas de 1960, 1970 e 1980, período em que a carreira de Marília se formou e consolidou. Esse enquadramento histórico dá ao documentário uma dimensão que vai além da celebração biográfica: ao rastrear como o contexto do país atravessou a obra e as escolhas de Marília, os diretores revelam uma artista cujo trabalho refletia também uma posição política, resistência e o esp­elho de um tempo. A participação de Sandra Pêra e Nina Morena, filha e neta, adiciona uma camada íntima que completa o retrato sem sentimentalizá-lo. Para quem conhece Marília Pêra, é uma homenagem à altura de seu legado. Para quem ainda vai descobri-la, é uma porta de entrada obrigatória.