dormencia e formigamento nos pes

Dormência e Formigamento nos Pés: O Que Seu Corpo Está Tentando Dizer?

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Quem nunca acordou com o pé completamente dormente ou sentiu aquelas agulhadas características ao cruzar as pernas por tempo demais? Em muitos casos, trata-se de algo totalmente passageiro, que some em poucos minutos. Mas para milhões de brasileiros acima dos 50 anos, a dormência e formigamento nos pés são companheiros frequentes e, por isso, merecem atenção cuidadosa.

O problema é que esses sintomas são frequentemente minimizados. “Deve ser cansaço”, “é a idade chegando” — frases como essas acabam postergando uma avaliação que poderia ser fundamental para a saúde. A verdade é que, dependendo de como, quando e com que frequência o formigamento aparece, ele pode ser o sinal inicial de condições que, se tratadas precocemente, têm evolução muito melhor.

Este guia foi pensado para ajudá-lo a entender o que acontece no seu corpo quando esses sintomas surgem, identificar os principais fatores de risco para pessoas com mais de 50 anos e saber o momento certo de buscar orientação médica — sem alarmismo, mas também sem negligência.

O Que Acontece Quando os Pés Formigam

Em termos médicos, a sensação de formigamento, dormência ou perda de sensibilidade é chamada de parestesia. Ela ocorre quando há alguma alteração na forma como os nervos periféricos — aqueles que conectam o sistema nervoso central (cérebro e medula) ao restante do corpo — transmitem seus sinais. Quando esse fluxo de informação é interrompido, reduzido ou distorcido, o resultado é justamente aquela sensação de “agulhadas”, de queimação leve ou de membros que parecem “adormecidos”.

Os pés e as extremidades inferiores são as regiões mais vulneráveis porque possuem os nervos mais longos do corpo. Quanto mais comprido um nervo, maior sua exposição a qualquer fator que possa prejudicá-lo — seja uma compressão mecânica, deficiência nutricional ou dano causado por altas taxas de glicose no sangue. Essa é a razão pela qual a dormência e o formigamento nos membros inferiores são sintomas tão recorrentes em pessoas com condições sistêmicas como diabetes e deficiência de vitamina B12.

Entenda o mecanismo: A mielina, bainha protetora que envolve os nervos e garante a transmissão eficiente dos impulsos elétricos, é a principal estrutura afetada em muitas dessas condições. Quando ela se deteriora, os sinais nervosos chegam distorcidos ou simplesmente não chegam — daí a sensação de dormência ou formigamento.

As Principais Causas de Dormência após os 50 Anos

Má Circulação e “Doença Arterial Periférica”

Uma das causas mais comuns de formigamento nos pés em adultos mais velhos é a redução do fluxo sanguíneo nas extremidades. A “doença arterial periférica” provoca o estreitamento das artérias que abastecem as pernas e os pés. Com menos sangue chegando à região, os nervos e tecidos ficam privados de oxigênio e nutrientes, gerando aquela sensação de dormência, cansaço nas pernas e, em alguns casos, dor ao caminhar que melhora com o repouso. Tabagismo, colesterol elevado, hipertensão e diabetes são os principais fatores que aumentam esse risco.

Neuropatia Periférica e Diabetes

O diabetes é a causa mais frequente de neuropatia periférica — condição em que os nervos periféricos são progressivamente danificados. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, cerca de 25% dos pacientes com diabetes desenvolvem algum grau de comprometimento nervoso nos pés. Quando as taxas de glicose permanecem elevadas por períodos prolongados, o açúcar em excesso age de forma tóxica sobre os nervos, especialmente aqueles das extremidades.

A neuropatia diabética costuma começar pelos dedos dos pés, avançando lentamente em direção ao tornozelo e à perna — padrão que os especialistas chamam de “neuropatia em meias e luvas”. O formigamento que persiste mesmo em repouso, associado a sensação de queimação noturna ou perda progressiva da sensibilidade, é um sinal de alerta que nunca deve ser ignorado por quem tem diabetes ou pré-diabetes.

Deficiência de Vitamina B12?

Menos conhecida do que o diabetes, mas igualmente importante, a deficiência de vitamina B12 é uma causa frequente e frequentemente subdiagnosticada de dormência e formigamento nos pés, especialmente em pessoas acima dos 60 anos. A B12 é essencial para a produção e manutenção da mielina — a bainha protetora dos nervos. Quando seus níveis caem, os nervos periféricos começam a ser afetados de forma silenciosa e progressiva.

O problema é que os estoques de B12 no organismo podem levar anos para se esgotar completamente. Por isso, quando o formigamento aparece, o dano nervoso muitas vezes já está em curso há bastante tempo. Adultos acima dos 65 anos têm absorção naturalmente reduzida da vitamina, pois a produção de ácido gástrico diminui com a idade. Pessoas que usam metformina (medicamento para diabetes), omeprazol ou outros antiácidos por longos períodos, além de quem segue dieta vegetariana ou vegana sem suplementação adequada, também fazem parte do grupo de risco.

Atenção ao uso de medicamentos: O uso prolongado de metformina — amplamente utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 — está associado à redução da absorção de vitamina B12. Se você usa esse medicamento, converse com seu médico sobre a necessidade de monitorar os níveis da vitamina regularmente.

Compressão Nervosa e Problemas na Coluna

Hérnias de disco, artrose lombar e outros problemas na coluna vertebral podem comprimir as raízes nervosas que se estendem até as pernas e pés, causando aquela sensação típica de formigamento que desce pela perna, às vezes acompanhada de dor. A ciática — irritação do nervo ciático — é talvez o exemplo mais conhecido: a dor e o formigamento percorrem o trajeto do nervo, desde a região lombar até os pés. O formigamento nos pés ao acordar, especialmente após noites em determinadas posições, pode ter origem justamente na compressão de estruturas nervosas durante o sono.

Outras Causas a Considerar

Entre os fatores que também podem provocar perda de sensibilidade nos pés em adultos estão o hipotireoidismo, algumas doenças autoimunes como o lúpus, a síndrome do túnel do tarso (compressão nervosa no tornozelo), o consumo excessivo de álcool e deficiências de outros nutrientes como magnésio e vitamina D. A ansiedade intensa também pode provocar episódios passageiros de formigamento nas extremidades, geralmente associados à hiperventilação.

Quando o Formigamento Merece Avaliação Médica

A grande questão que muitas pessoas fazem é: como diferenciar um formigamento comum de um sinal preocupante? A resposta está, sobretudo, no padrão do sintoma. Um formigamento passageiro, provocado por uma posição incômoda que comprime um nervo e desaparece em poucos minutos, é algo benigno e corriqueiro. Mas há situações que exigem uma avaliação médica sem demora.

Se a dormência ou o formigamento nos pés surgir de forma súbita e intensa — especialmente se vier acompanhado de fraqueza muscular, dificuldade para falar, confusão mental ou perda de coordenação —, pode ser sinal de um acidente vascular cerebral (AVC), que exige atendimento emergencial imediato.

⚠️ Sinais de alerta — procure atendimento médico se o formigamento: for persistente (durar mais de alguns dias); for recorrente sem causa aparente; for progressivo, expandindo-se para outras regiões do corpo; vier acompanhado de dor intensa, fraqueza ou dificuldade para caminhar; ou surgir de forma súbita e intensa em todo um lado do corpo. Em caso de suspeita de AVC, ligue imediatamente para o SAMU: 192.

Para pessoas com diagnóstico já estabelecido de diabetes, o aparecimento de qualquer grau de dormência, queimação ou alteração da sensibilidade nos pés deve ser comunicado ao médico na próxima consulta ou, se mais intenso, com brevidade maior. Os nervos prejudicados pela neuropatia diabética não se regeneram completamente, por isso a detecção precoce é decisiva para limitar os danos.

Como Prevenir e Cuidar da Saúde dos Seus Pés e Nervos

Controle Glicêmico em Dia

Para quem tem diabetes ou pré-diabetes, manter as taxas de glicose dentro das metas estabelecidas pelo médico é o principal escudo contra a neuropatia periférica. Isso envolve o uso correto dos medicamentos, adesão ao plano alimentar, prática regular de atividade física e o monitoramento frequente da glicemia. Quanto mais estável o controle, menor o risco de dano progressivo aos nervos dos pés.

Alimentação Equilibrada e Rica em Nutrientes

Uma dieta variada, com consumo adequado de alimentos de origem animal como carnes, ovos, laticínios e peixes ricos em ômega-3, ajuda a manter níveis adequados de vitamina B12. Para quem segue dieta vegetariana ou vegana, a suplementação dessa vitamina é praticamente indispensável e deve ser orientada por um profissional de saúde. Nutrientes como magnésio, vitamina D e ácidos graxos ômega-3 também contribuem para a saúde do sistema nervoso e da circulação.

Atividade Física Regular

Caminhar, nadar, pedalar ou praticar qualquer atividade aeróbica de intensidade moderada melhora a circulação sanguínea nas extremidades, ajuda no controle da glicemia e contribui para a saúde vascular de forma geral. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana para adultos. Não é necessário fazer tudo de uma vez: caminhadas de 30 minutos, cinco vezes por semana, já fazem diferença real.

Atividade física: até quando postergar?

Acompanhamento Médico e Exames Preventivos

A detecção precoce de qualquer uma das condições associadas à dormência e ao formigamento nos membros depende de exames regulares. Solicitar ao médico a dosagem de vitamina B12, glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c), perfil lipídico e função da tireoide faz parte de um check-up de saúde completo para adultos acima dos 50 anos. Quando necessário, exames como a eletroneuromiografia avaliam de forma precisa o funcionamento dos nervos periféricos e ajudam a confirmar ou descartar neuropatias.

Não espere o formigamento se tornar intenso ou frequente para agir. A prevenção, nesse caso, começa muito antes dos sintomas — e passa pela relação de confiança e continuidade que você constrói com seu médico ao longo do tempo.

Dica prática: Inspecione seus pés diariamente, especialmente se você tem diabetes. Feridas, calos, rachaduras ou qualquer alteração na coloração da pele podem passar despercebidos quando a sensibilidade está reduzida — e uma pequena lesão ignorada pode evoluir para complicações sérias. Consulte regularmente um podólogo ou médico para o cuidado preventivo dos seus pés.

Escute Seu Corpo com Atenção (e Sem Pressa)

A dormência e o formigamento nos pés são sintomas que o corpo usa para sinalizar algo. Na maioria das vezes, tratam-se de episódios benignos e passageiros. Mas, especialmente para quem já passou dos 50 anos, é importante reconhecer que esses sinais também podem ser o primeiro indício de condições como neuropatia periférica, diabetes não diagnosticada ou deficiência de vitamina B12 — todas elas com muito melhor prognóstico quando identificadas e tratadas precocemente.

Cuidar dos pés é cuidar de independência, de mobilidade e de qualidade de vida. Alimentar-se bem, manter-se ativo, controlar condições crônicas e fazer exames regularmente são atitudes que protegem não apenas os nervos, mas o organismo como um todo. E quando o corpo falar — por meio de um formigamento que não vai embora ou de uma dormência que vai e volta — vale muito a pena ouvir com atenção e conversar com seu médico.

Você merece viver bem, com seus pés firmes no chão e sua saúde em dia.


Fontes e Referências

Este artigo sobre dormência e formigamento nos pés foi elaborado com base em informações das seguintes organizações e publicações de referência em saúde:

Ministério da Saúde do Brasil | Sociedade Brasileira de Neurologia | Sociedade Brasileira de Diabetes | Mayo Clinic – Neuropatia Periférica | Harvard Health Publishing | Organização Mundial da Saúde (OMS) | Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Este artigo tem caráter informativo e educativo. As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas persistentes ou dúvidas sobre sua saúde, consulte seu médico.

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