Semana do Cinema 2026

Filmes em cartaz nos cinemas – Semana do Cinema de 5 a 11 de fevereiro de 2026

Divirta-se Cinema

A 8ª Semana do Cinema tem início nesta quinta feira dia 5 de fevereiro com ingressos a 10 Reais (sessóes até 17h) e 12 Reais (para sessões pós 17h). Esses valores também não se aplicam a salas especiais ou a estreias da semana. Vale muito a pena num momento em que o cinema está tão caro, não acha? Dia 11 de feveiro essa semana super especial se encerra, então aproveite e bora… cinemar?


DESTRUIÇÃO FINAL 2 (Greenland 2: Migration )

Suspense – EUA

Direção: Ric Roman Waugh

Roteiro: Chris Sparling e Mitchell LaFortune

Elenco: Gerard Butler, Morena Baccarin e Roger Dale Floyd, Roman Griffin Davies

Produção:

O cinema de catástrofe volta a apostar menos no espetáculo puro e mais na sobrevivência emocional. A continuação do filme lançado em 2020 retoma a história de uma família comum tentando se manter unida em meio ao colapso do mundo, agora enfrentando um cenário ainda mais hostil e instável após os eventos globais que quase levaram à extinção da humanidade.

Mais uma vez, Gerard Butler assume o papel de um pai movido pela urgência e pelo instinto de proteção. Seu personagem não é um herói clássico, mas alguém constantemente pressionado por decisões impossíveis. O filme reforça essa abordagem ao mostrar que o verdadeiro perigo não está apenas nos desastres naturais, mas também na escassez de recursos, nos deslocamentos forçados e no impacto psicológico de viver em permanente estado de alerta.

A narrativa amplia a escala do conflito ao introduzir a ideia de migração em massa como consequência direta da destruição ambiental. A jornada da família passa a ser marcada não só pela busca por abrigo, mas também pelo confronto com fronteiras, tensões sociais e a fragilidade das estruturas que antes garantiam segurança. O filme encontra seus momentos mais eficazes quando desacelera para observar essas interações humanas, em vez de se apoiar apenas em cenas de destruição.

Embora utilize elementos típicos do gênero — perseguições, colapsos e situações-limite —, “Destruição Final 2” demonstra um interesse genuíno em retratar o impacto dessas tragédias sobre relações familiares. O resultado é um filme que não reinventa o cinema de desastre, mas entrega uma continuação sólida, mais madura e emocionalmente carregada, especialmente para quem se envolveu com a história original.

(DES)CONTROLE

Drama – Brasil

Direção: Rosane Svartman e Carol Minêm

Roteiro: Iafa Britz e Felipe Sholl

Elenco: Carolina Dieckmann, Júlia Rabello, Irene Ravache, Caco Ciocler, Daniel Filho

Produção: Iafa Britz

A força do longa de Rosane Svartman está na maneira como retrata a perda gradual de controle — não como um evento abrupto, mas como um processo silencioso, feito de pequenas concessões e negações. A câmera frequentemente se mantém próxima da personagem principal, reforçando a sensação de confinamento emocional. O espectador é colocado dentro desse turbilhão interno, acompanhando escolhas erradas, recaídas e tentativas frustradas de retomada de equilíbrio.

A direção opta por um ritmo contido, que respeita o peso do tema. Não há pressa em resolver conflitos nem em oferecer respostas claras. Essa abordagem pode soar incômoda para quem espera uma narrativa mais convencional, mas funciona justamente por refletir a instabilidade vivida pela protagonista. O roteiro evita julgamentos morais diretos, deixando que as consequências das ações falem por si.

(Des)controle também se destaca por tratar o alcoolismo e a autossabotagem de forma menos estigmatizada e mais humana. O filme não busca romantizar a dor nem transformá-la em espetáculo; ao contrário, revela como o sofrimento pode ser banal, repetitivo e exaustivo — tanto para quem vive quanto para quem está ao redor.

DOIS PROCURADORES

Drama – Alemanha, França, Letônia, Lituânia, Países Baixos, Romênia e Ucrânia

Direção: Sergei Loznitsa

Roteiro: Sergei Loznitsa e Georgy Demidov

Elenco: Aleksandr Filippenko, Dmitrijus Denisiukas, Anatoliy Beliy,

Produção: Maria Baker-Choustova, Kevin Chneiweiss

Dois Promotores é um drama político eficiente ao retratar um sistema dominado pelo medo e pela vigilância. Ambientado em um contexto inspirado no stalinismo, o filme mostra como a repressão se manifesta de forma cotidiana, transformando a justiça em instrumento de obediência e controle.

A história acompanha dois agentes do Estado presos a uma engrenagem autoritária que não admite questionamentos morais. A direção aposta em uma encenação sóbria, com fotografia fria e enquadramentos fechados, reforçando a sensação constante de sufocamento. O roteiro evita discursos explícitos e prefere revelar o autoritarismo por meio de gestos, silêncios e decisões burocráticas.

Sem buscar conforto ou redenção fácil, Dois Promotores se destaca pela clareza com que expõe os mecanismos do poder repressivo, lembrando que sistemas opressivos se sustentam menos pela violência direta e mais pela normalização do medo. É um filme contido, elegante e politicamente incisivo.